domingo, 5 de abril de 2009

CANCIONEIRO INFANTO JUVENIL PARA A LÍNGUA PORTUGUESA - 6º CONCURSO




O Poeta e divulgador Cultural darlan Tupinambá, nos envia essa chamada para O Cancioneiro Infanto Juvenil.

Interessa-me tudo que anda entorno dessas fases de vida.Crianças precisam mesmo de poemários e cancioneiros.

Na foto acima, meramente ilustrativa ao release abaixo,a pequena Luiza, de quatro anos, interessa-se por um de msu desenhos, e tenta pegar a borboleta que voa a martir de uma mancha na perna da protagonista de um haikai de Tânia Diniz.O que eu quero dizer, é que , nesse caso,apesar de minha mostra Graal Feminino Plural,para homenagear o Mês da Mulher, a partir de seu dia 08/03(a mostra foi de 07/03 a 02/04), abordar temas adultos-as Mães dea Plaza de Mayo, o erotismo feminino, entre outros enfoques, a cruança, presente, está coando em seu próprio imaginário.cada criança e cada adolescente, aprende e apreende, a captar o que alcança seu nível de interesse, experiência, inteligência.Capta o que pode e preenche gestalts com a imaginação.
Desde que veio ao mundo, Luiza, filha da jornalista Luciana Campos, frequenta saraus, recitais, exposições.É lindamente precoce, docemente inocente e vivaz.
Enquanto os adultos focavam a atençaõ nos poemas e desenhos, ele se encantava com o vôo da borboleta.Neta da poetisa e artista plástica Grraça campos, Luizinha adora acompanhar a avó e de vez emm quando interage diretamente nas telas ou faz as próprios
Na qualidade de psicóloga e menina precoce que fui,li muito,viajei muito, participei da vida de meus pais, sem nenhum desvio de conduta,ou deficit escolar- sei que a boa estimulação precoce é um fator positivo no desenvolvimento da personalidade e da sensibilidade.Portanto, pais, levem seus filhos de encontro à culturas, artes, poesia...Mesmo deficientes, adoram isso.E participam assim como podem.
Certa feita fui visitar o cientista e contista, poeta Robens Vianello, no Inmet em Belo Horizonte, MG,e Flávia, sua assistente, contava-me o quanto os deficientes visuais ou aufitivos, por exemplo, tinham prazer em visitar as exposições permanentes ali, do material de meteorologia.Deficientes visuais têem visitado e tocado , cheirado (e demonstrado interesse, alegria de inclusão devida)de plantações de roseirais a obras de arte, escutado poemas gravados ou ao vivo.Todos adoram música.
certa feita, eu atendia uma jovem mãe e seu filhinho autista alheado de tudo, mas quando toquei uma marimba na sala de ludoterapia, ele voltou a cabeça, sorriu -e a partir de então, a música acompanhava qualquer comunicação entre ele e a genitora.Ela era professora e dei-lhe uma declaração de necessidade de presença:ficou licenciada, com o filho e ele começou a reagir à superestumulação, aos beijos e abraços constantes.
Certa feita, nos Anos 60, quando eu exercia o jornalismo em Juiz de Fora, na Gazeta Comercial, li, da Agência italiana ANSA, uma nota de que o PRAVFDA, RENOMADO JORNAL RUSSO, CONCLAMAVA EM MANCHETE:"MÃES, VOLTEM PARA CASA".
HAVIAM CHEGADO à CONCLUSÃO DO QUÃO IMPORTANTE ERA PARA OS PEQUENINOS, A PRESENÇA MATERNA.E PATERNA.E DOS AVÓS!
Com as mães sempre fora de casa por causa da profissão, principalmente,e estudos, necessidade de sobrevivência e provisão, quando são sozinhas,
Muitas vezes mencionei e ainda mensciono, mais de quarenta anos depois, essa constatação.E quem não pode dara tenção em quantidade, dê em qualidade.Visite praças ,parques, museus, mostras e shows ao ao livre, teatro infantil,por exemplo.
Somente faz bem acompanhar os pais e participar-cada qual em seu estádio piajetiano-da grande aventura que oferecem as Artes, a Poesia,mas, sobretudo, a VIDA e o AMOR familiar genuíno e simples.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

N:E lembro agora que o próprio poeta Darlan, prepara-se para a grande aventura de fazer oficina de poesia em escolas.É uma viagem ao amplo mundo das captações e produções da criança e do adolescente.Lucrarão muito-e ele também.Pabrabéns à escola e ao magister, Darlan Tupinambá, o Dimythryus, premiado poeta - de quem em breve receberemos o primeiro livro solo, com poemário de sua lavra prolífera.Ele é també, Embaixador Universal da paz, pelo Cúrculo Unviersal de Embaixadores da Paz-Genebra, Suiça..

Psicóloga Clínica e Empresarial.

Diretora regional do inBrasCI

Leiam e particiopem:

From: Darlan Alberto Tupinambá Araújo Padilha
Date: 2009/3/31
Subject: Fwd: CANCIONEIRO INFANTO JUVENIL PARA A LÍNGUA PORTUGUESA - 6º CONCURSO ( Maio 08 - Maio 2010)
To:


Teresa Lopes tlopes@almada.ipiaget.org

CANCIONEIRO INFANTO JUVENIL PARA A LÍNGUA PORTUGUESA - 6º CONCURSO ( Maio 08 - Maio 2010)
Teresa Lopes




Caros Colegas,



Vimos informar ou relembrar que está a decorrer o 6ª Concurso do Cancioneiro Infanto-Juvenil para A Língua Portuguesa. O lançamento em 31 de Maio de 2008 decorreu na Aula Magna do Instituto Piaget de Almada, coincidindo com o encerramento do 5º Concurso e publicação do Vol XIV – A Casa do Sol é a Cor Azul.



Os trabalhos serão recebidos até 29 de Janeiro de 2010, a selecção far-se-á até 29 de Março de 2010 e o Simpósio Final e Cerimónia de Entrega do Prémio, terá lugar em 7 e 8 de Maio de 2010.



Anexamos a ficha de inscrição e o regulamento, assim como mais alguns folhetos informativos, que esperamos desde já sejam divulgados, no sentido de enriquecer este Concurso.



Agradecemos a atenção que irão dispensar ao assunto e aguardamos a participação de todos os interessados.



Com os melhores cumprimentos de toda a Equipa do Cancioneiro.



Pelo Centro de Coordenação.



Sofia Faria

















--
Este e-mail é amigo do ambiente, pondere antes de o imprimir

Política de envio de e-mails:
Envio e-mails somente para pessoas que fazem parte de meus contatos. Caso você deseje cancelar o recebimento destes e-mails, envie-me outro e-mail: assunto “Exclua-me”.

D i m y t h r y u s
Embaixador Universal da Paz (Cercle de Les Ambassadeurs Univ.de La Paix-Genebra, Suiça)


Visite o site:

http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia_inicio.php

http://www.gargantadaserpente.com/toca/poetas/dimythryus.php

http://www.meiotom.art.br/darlanpo.htm

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Alberto Peyrano, seu Canteiro de Versos e minha entrevista a ele






Fotos:

Clevane Pessoa(foto clicada por Karina campos e recortada por Allez Pessoa.


Alberto Peyrano


Adorei o resultado dessa entrevista que fiz, por e-mail, com Alberto Peyrano - Poeta, Cantor de Tangos, Psicanalista e Tarólogo -entre outros "que fazeres" mais.Ele anicersariava.
A entrevista está em seu Canteiro de Versos(http://canteirodeversos.blogspot.com
blog que ele generosamente usa para abrigar poetas-onde florescemos, à luz de seu sol particular.

Clevane

N:Não resiti e trouxe para cá também um comentário, o de Ógui L.Mauri, pela propriedade do mesmo, seu amigo.


Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

"OBRIGADO QUERIDA AMIGA
CLEVANE PESSOA DE ARAÚJO LOPES"
(Alberto)



Para Alberto Peyrano, os melhores votos de felicidades plenas nesse novo ano de vida.

Com meus agradecimentos:
Clevane Pessoa de Araújo Lopes(*)

Poema Para o Amigo des/CONHECIDO

(Para Alberto Peyrano, em seu aniversário)

Clevane Pessoa

Fractais
quais pétalas sonoras,
coloridas, douras ou argênteas,
viajam em bytes
quando teu trabalho multifacetado
nos chega,
por mares virtuais.

E sentimos teus olores e sons,
magia e sensualidade,
saberes e as culturas familiares,
verbo a dançar tango,
sabenças e lendas indígenas,
histórias na História
- e captamos teu sorriso, teu siso,
tua glória
despitada na seda da simplicidade,
da autenticidade.

Neste novo ano de viver,
sejas sempre assim , múltiplo e único
e experencies toda a felicidade do Mundo,
em teu mundo mágico e rico
perenemente a C*R*E*S*C*E*R "



_Para contatos com o autor:


ENTREVISTA DE CLEVANE PESSOA DE ARAÙJO LOPES A ALBERTO PEYRANO:

1) Alberto Peyrano, você é poeta e a música exerce uma grande influência em sua vida artística.Em que ponto Poesia e Música se entrelaçam?

R: Sou um cantor popular, ou seja: do povo. Amo a música de minha terra e sinto que do meu trabalho artístico tenho algo para dar aos demais. Como poeta, pude ou tive a sorte de encontrar músicos que identificaram sua criatividade com minha poesia e assim surgiram canções que amo muito. Penso que desde o momento que uma canção tem letra, naturalmente o músico esperou pelo poeta ou o poeta foi ao encontro do músico. Todo cantor tem como missão na vida transmitir a mensagem do poeta que escreveu a letra. Um cantor popular não deve deixar-se levar ou cantar só porque a música lhe agrada. Isto às vezes ocasiona desastres, pois o cantor pode cantar e interpretar muito bem, não desafinar, mas sua mensagem não conseguirá transmitir todo o sentimento do compositor, por não ser uma obra sua. E isto acontece com artistas que às vezes têm um sucesso temporário e logo caem no esquecimento, enquanto quem transmitiu verdadeiras mensagens humanas através de sua voz, quem fez sua cada palavra de uma letra, passou-a por seu coração, colocou seu sentimento e depois, cantando, a deu ao público, esse é um artista que para sempre será respeitado.

2) Fale de suas raízes: há artistas e poetas em sua família?

R: Na minha família não temos antecedentes artísticos. Por isso eu tenho sido sempre a "ovelha negra" dos Peyranos. Rssssssssssssssssssss

3) O que representa o tango em sua vida, além de ser um gênero essencial aos argentinos?

R: Além de o tango ser "a voz de Buenos Aires" e de toda a área do Rio de la Plata, pois falando em tango devemos nos unir sempre com Montevidéu, esta música tem algo especial que a faz única. Primeiro, não é música folclórica, suas origens estão nos bordéis portenhos do século XIX, também seus compositores e letristas são conhecidos, isto os afasta da música folclórica, a qual geralmente tem raízes anônimas que se perdem na obscuridade dos tempos. Segundo, o tango cantou sempre ao homem e à mulher de sua cidade, por este último aspecto o poderíamos qualificar como "música social". E, terceiro, o tango nunca se afastou de sua paisagem cidadã, de suas origens (poderíamos compará-lo com o fado português, de Lisboa, pois tem uma estrutura genética parecida). Com estes três elementos juntos, contamos com uma expressão genuinamente cidadã focalizada nas duas ribeiras platinas. Quando em 1973 eu cheguei a esta cidade, tinha incorporada certa cultura tangueira provindo das vivencias familiares e de meu povoado natal onde meus conterrâneos gostavam muito de Tango.

Ademais eu vinha de uma província onde, na minha região, juntam-se três correntes musicais. 1) a da vasta planície pampa úmida com zambas, milongas, gatos, cifras e estilos, essas lindas músicas tradicionais dos gauchos argentinos, 2) a litorânea, com chamamés, rasguido-dobles, valseados e polkas e, 3) a platina com tango. Assim, essas raízes batiam muito forte em meu coração. Mas, quando comecei a me dar conta do gigantesco compromisso que o Tango tinha adquirido com sua geografia e seu caudal humano, não passou muito tempo e acabei me casando com ele, pois encontrei uma perfeita ressonância em meu interior.

Assim, o Tango representa para mim uma definição como ente humano, um ponto de partida que significou a mudança fundamental na minha vida, com 29 anos, e por outro lado é um perfeito canal para minha expressão interior e me permite dizer ao homem e à mulher platina suas verdades mais profundas.

4) Onde nasceu? Qual a sua ordem de nascimento? E o dia/mês?Tem irmãos? Pais vivos?

R: Nasci em Peyrano, na província de Santa Fé, uma área de cereais, de imigrantes italianos e espanhóis, onde a terra dá os melhores frutos do país. Meu vilarejo está distante 300 km de Buenos Aires, na área chamada de "Pampa Úmida". Eu nasci em 14 de junho de 1945 e sou o filho mais velho. Depois seguiram meus irmãos Lucy e Raúl. Meus pais, lamentavelmente, já faleceram.

5) Em que época a identidade de Poeta ficou clara em sua vida?

R: Quando ainda era uma criança, escrevia poemas para minha mãezinha e para meus mascotes. Mas, me senti realmente um Romeu à idade do amor na adolescência. Meus sentimentos eram manifestados em poesias que eu escrevia para minhas namoradas. Mas, me defini conscientemente como poeta quando minha poesia começou a se unir com a música, a partir de 1978. Foi nesse tempo que eu deixei de ser o centro de mim mesmo e comecei a observar o que estava a acontecer na sociedade e em meus semelhantes, assim foram surgindo poemas de caráter mais universais e mais humanos.

6) Fale um pouco de "TANGO QUE FUISTE Y SERÁS". Como acontece?O que faz cada um dos artistas?

R: Há um poema de Jorge Luis Borges titulado "Alguien le dice al tango", no qual ele lhe fala ao tango e identifica seu ser mesmo com essa música. "Tango que fuiste y serás" é a última linha desse poema.

Meus companheiros e eu decidimos nomear assim ao nosso show, pois os versos de Borges definem ao tango essencialmente unido com Poesia. A partir dessa base idealizamos e geramos o show que estamos representando há três anos com Ricardo Lister e Susana Corsini. Os três somos muito diferentes, mas temos um enorme compromisso com a voz de Buenos Aires. O repertório que temos desenvolvido toma uns 70 ou 80 anos de tango, da década dos 30 até hoje.

Cada um de nós canta cinco tangos e sempre convidamos um cantor ou cantora diferente para compartilhar o show e que também canta cinco tangos. O show é composto com um acervo de 20 músicas, um poema, um tango de abertura executado pelos músicos e um tango de despedida cantado por todos, "Tango que fuiste y serás" passou a formar parte das nossas vidas e este ano o estamos oferecendo uma vez a cada mês no Teatro Colonial de Buenos Aires.

A partir deste ano, o poema de Borges foi incluído no show e eu o declamo. O poema diz assim: "Tango que he visto bailar / contra un ocaso amarillo / por quienes eran capaces / de otro baile, el del cuchillo. / Tango de aquel Maldonado /con menos agua que barro, / tango silbado al pasar / desde el pescante del carro. / Despreocupado y zafado, / siempre mirabas de frente / tango que fuiste la dicha / de ser hombre y ser valiente! / Tango que fuiste feliz / como yo también lo he sido, / según me cuenta el recuerdo... /El recuerdo fue el olvido... / Desde ayer cuántas cosas / a los dos nos han pasado, / las partidas y el pesar / de amar y no ser amado... / Yo habré muerto y seguirás / orillando nuestra vida. / ¡Buenos Aires no te olvida, / tango que fuiste y serás!

7) O que mais gosta de fazer, naturalmente motivado?

R: A diversidade é minha lei, gosto de fazer muitas coisas e às vezes diferentes coisas ao mesmo tempo. Gosto de escrever e cantar, mas também gosto de estudar e pesquisar, me aprofundar em um tema (a Net tem me auxiliado nessa necessidade). Assim como muitos, adoro ouvir música, ler, assistir filmes, ir ao teatro, porém, uma das coisas que mais gosto é viajar e conhecer outros países. Conhecer uma cidade, uma região, um povo e seus costumes, indagar sobre sua cultura, isso significa uma aventura extraordinária para mim. E caminhar, caminhar muito, onde quer que eu esteja isso me faz muito feliz.

8) Você exerce outra profissão além das relacionadas ao radialismo, à poesia, à arte?

R: Eu sou psicanalista. Graduei-me na Universidade de Rosário em 1973. Depois, segui profissionalmente a teoria de Jung dentro da Psicologia e isso me levou a estudar Astrologia. Assim, ganhei os diplomas de Astrólogo e Professor de Astrologia em 1986. Em 1996 obtive o titulo de máster em Terapia Floral e em 1999 fui Mestre de Reiki.

9) Você conhece o Brasil e/ou brasileiros? Quais os pontos em comum entre os argentinos e os brasileiros? E as diferenças?
R: Não só conheço o Brasil e os brasileiros, mas também eu amo tudo o que se refere a esse maravilhoso coração verde-amarelo.

10) Que pensa da Internet, para poetas e artistas hoje? Você gosta de usar a rede?
R: Acho que a Net é um maravilhoso invento, a partir dai mudaram as comunicações em geral e significa um elemento de ajuda para estudantes e de pesquisa para profissionais, além de ser um meio de divulgação para as Artes em geral. Gosto muito de usar a rede e graças a ela surgiram profundas amizades, possibilidades de divulgação da minha obra e oportunidades de conhecer pessoas de muito talento como você, a quem agradeço de coração esta entrevista.

(*) Clevane Pessoa de araújo lopes

Diretora Regional do InBRasCi,em Belo Horizonte, MG, Brasil,

Vice-Presidente do IMEL (Instituto Imersão Latina),

Representante do movimento Cultural aBrace- Ponte Montevidéu, Uruguai e Brasil,Países Latino- Americanos)em MG

Delegada da ALPAS XXI-Cruz Alta, RS, por MG e BA

Cônsul Z-C de Poetas del Mundo em belo Horizonte , MG

Patroness da AVSPE

Membro de el Puente de La Amistad

Poeta Honoris Causa ,pelo Clube Brasileiro de Língua Portuguesa,para oito países Lusófonas.

Embaixadora universal da paz(Cercle de Les Embassadeurs Univ.de La Paix-Genebra, Suiça)


As afiliações, entre outras, são listadas em homenagem às mesmas -e agradecimento pela representação concedida.

Entrevista por © Clevane Pessoa no seu blog ACHAMARTE (link à direita)

Marcadores: Alberto Peyrano, Clevane Pessoa de Araújo Lopes

postado por Alberto Peyrano às 23:43

1 Comentários:
Anônimo disse...
Belíssima a entrevista, de Clevane Pessoa de Araújo Lopes, com Alberto Peyrano!
Amigo que sou, de longa data, do entrevistado, graças à excelência das perguntas e das correspondentes respostas,pude acrescentar mais algumas facetas -- todas meritórias -- ao que já conhecia do extraordinário Cantor de Tangos e Poeta, do excelente profissional (Psicanalista, Astrólogo, Professor de Astrologia, Master em Terapia Floral e Mestre de Reiki)e da Figura Humana diferenciada que é Alberto Peyrano.
Meus parabéns a ambos!
Ógui L. Mauri

terça-feira, 17 de março de 2009

Uma Lenda de Amor


O vento
era amoroso pai
de um jovem e belo cantor
que tendo erguido
as pestanas
e desvendado, ao olhar
uma princesa encantadora,
apaixonou-se
loucamente...
Como loucos tornam-se
todos os apaixonados,
enfrentou riscos e decretos,
costumes e vetos,
sendo também
correspondido...
Os Corações abertos
em vasos comunicantes,
faziam do tocar e do ouvir
a linguagem universal
da música,
sua especial comunicação...

Orei,
pai da jovem, irado
com o sentimento brotado
entre o plebeu e sua filha,
mandou encarcera-la
e, não satisfeito, cruelmente,
mandou atirarem
o corpo do bardo
de um altíssimo penhasco...
Em algumas versões,
contam que o próprio malvado
jogou o moço, com ele,
a alegria de viver da filha.
O corpo do rapaz
não foi depois encontrado:
diz a lenda que o vento,
seu pai,
rugindo sua dor,
amorosamente,
levou-o para bem longe
do local da tragédia...
Uma deusa, penalizada,
deixou, no entanto, viva
a voz doce
do infeliz amante...
A princesa chorava de saudade,
desesperadamente,
pedindo aos deuses
alguma coisa que fosse
do bem amado e,
sacrificado
à sanha do rei malvado.
Então, um monge
iluminado,
de alta magia
e de criatividade
dotado,
inventou uns sinos do vento
que recolhesse,
do ar,
a voz do moço a cantar
eternamente.
Assim, a amada
pôde ouvir as notas musicais,
consolada
a alimentar-se do quase nada
transformado
em tanto...
E, assim nasceram
os sinos do vento,
que a menor brisa
tilintam
alegrando
como um encanto
nossos corações...

( Clevane Pessoa - 03/05/02)

(Comentário da Web Developer: Que coisa maravilhosa, Clevane! Agora sempre que ouvir meu
mensageiro do vento, vou me lembrar dessa estória.)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ricardo Evangelista e Sueli Silva-Sarau Tropeiro







“POETAS QUAE SERA TAMEN” – EM MONTEVIDÉO:Ricardo Evangelista, Sueli Silva e eu (*)

POR CLEVANE PESSOAL ( Escritora, poeta, jornalista e psicóloga )



O espetáculo musical-poético "Poetas Quae Sera tamen" tem a característica de mostrar algumas raízes da mineiridade, em especial a complexidade cultural do tropeirismo, o que, por analogia, o autor denomina "Tropeirismo Cultural".

Trata-se da conjugação de duas pessoas: Ricardo Evangelista, sociólogo e pesquisador, poeta coordenador do Sarau do Centro de Cultura Lagoa do Nado, pólo que já angariou respeito por sua ampla movimentação cultural e Sueli Silva, compositora e arranjadora, cantora, que o acompanha ao violão, musica seus versos.

"Poetas Quae Sera Tamen " mostra causos, fala caipira, cantigas e também a forte poética social do autor, que também se faz acompanhar por sua percussão .Leva alegria e faz refletir com seu contexto contundente.

A finalidade expressa, além da transmissão da beleza poética e da musicalidade em si é levar Minas Gerais ao alcance de todos..O mais recente sucesso do show foi no VIII Encontro Cultural aBrace, em Montevidéu Uruguai, onde Ricardo e Sueli se apresentaram, com uma participação de Clevane Pessoa de Araújo Lopes, representante do MC Abrace em Belo Horizonte,sensibilizando profundamente autores de todas as partes do Mundo, em especial da América Latina´.





Entrevista Concedida á Clevane Pessoa, com Sueli Silva (SS) e Ricardo Evangelista (RE), sobre FESTIVAL DA CANÇÃO DE CURVELO, A MÚSICA TAPA NO CAPETA, MONTEVIDÉO E ETC.


1)Como receberam a notícia da seleção no III FESTIVAL DA CANÇÃO DE CURVELO?



Resp.:RE:

Nós recebemos um telegrama da organização do III FESTIVAL DA CANÇÃO DE CURVELO MOSTRA TALENTOS, comunicando a classificação da música "TAPA NO CAPETA", composta por mim e Sueli, para as disputas do dia 13 e 14/04. Caso nos classifiquemos, iremos defendê-la na final de domingo, 15/04 às 20:30 horas , na praça Central do Brasil, em Curvelo/MG.


2)Vcs costumam compor juntos? Ser um casal facilita ou dificulta a criação, no caso de vcs?



Resp.RE

Sim. Ultimamente com muita constância, devido aos nossos projetos atuais de fusão entre a poesia e a música. Pesquisa que fazemos juntos a pelo menos três anos. Facilita por um lado, pois estamos sempre juntos em casa, principalmente no período da noite e nos finais de semana. Às vezes dificulta por causa das discordâncias, mas embora entremos em conflitos estéticos, acabamos nos entendendo bem dentro e fora da arte.



3)Como surgiu a idéia do "Tapa no Capeta"?



Resp.:RE

O "Tapa no Capeta" tem uma história interessantíssima e bonita. Tudo começou com um sonho de Sueli. No sonho ela ouvia sua avó cantar "EU DEI UM TAPA NA CABEÇA DO CAPETA/ QUANDO A COISA FICOU PRETA/ EU COMECEI FOI A REZAR". Segundo Sueli, ela via sempre a avó cantar essa cantiga, quando ela era menina, ainda lá pras bandas de Arcos/MG. Depois descobrimos que este verso era de domínio público, também cantado pelos capoeiristas. Ela resolveu compor a música e eu fiz as demais estrofes. Foi uma parceria mesmo. Depois de experimentar a música de vários modos, surgiu a idéia de fazer um baião contemporâneo. A coisa é caótica mesmo, não linear. Então entrou na história o pai de Sueli o violeiro e sanfoneiro, contador de causos, Seu Juca. Ele contou-nos uma pequena história de sua infância que remete aos tempos da quaresma. Inclusive foi quando Grace e o cantador Alexandre Ribeiro foram conosco para o sítio do “Juca”, lá em Arcos. Sempre ficávamos proseando à noite em volta do fogão à lenha. Então, Seu Juca nos brindou com uma pequena anedota que lembrava os tempos remotos de quaresma na roça. Achamos maravilhosa a história e resolvemos colocá-la na introdução da música, pois tinha tudo a ver. Engraçado por que eu tenho um poema do meu primeiro livro que fala dessas coisas boas mineiras que é conversar, tomar umas “pinguinhas”, tocar uma viola ao calor do fogão à lenha e das saudades. Depois chamamos o Daniel Carlos, violonista, menino novo, mas muito sério e competente e ele fez junto com Sueli um novo arranjo, com o qual enviamos ao festival da canção de Curvelo. Agora temos uma bela canção que vem repleta desse imaginário de Minas e que irá compor o primeiro trabalho do duo “Ricardo e Sueli ( CD – POETAS QUAE SERA TAMEN , a ser lançado em julho dentro do Belô Poético ). Portanto, acho que esta criação ( TAPA NO CAPETA ), tem a força da coisas ligadas a ancestralidade, ao sonho e à poesia e tudo aquilo que tece o lirismo. Marca registrada do artista popular brasileiro.


4)Qdo vc começou a se ligar em música, poesia, etc ?



Resp.:RE

O primeiro impacto foi ver meu padrinho ( que me batizou com o nome de Ricardo ), tocar violão nas festas de domingo em minha casa . O apelido dele era Chiquinho. Sujeito elegante, boêmio, seresteiro. Gostava de caipirnha, feijoada, seresta e gostava de reunir a meninada, naqueles almoços de domingo e por tabela, mostrar as cantigas lindas da música popular. E era Pixinguinha, Noel, cerveja, Assis Valente, futebol, Chico Alves, caipirinha, Martinho da Vila, jogo de buraco e tantos outras delícias nacionais. Vivíamos os difíceis anos de chumbo dos anos 70, mas a meninada nem fazia idéia. Lembro-me ainda dele tocando "urubu malandro", de Pixinguinha. Isso era, isso foi inesquecível! Jamais o esqueci. Eu sempre gostei muito das letras criativas da música popular brasileira. Antes o que tocava no rádio era música de excelente qualidade de letra. Hoje o que se toca nas rádios, virou um esculacho pros ouvidos mais exigentes. O Chiquinho, como era chamado, já se foi. Morreu quando eu era criança ainda, mas sua presença alegre, seu carisma, deixou marcas indeléveis na minha sensibilidade e admiração pela música popular. De lá pra cá venho ouvindo muita música brasileira, aprendendo sobre cultura brasileira e fazendo poesia. Embora seja poeta e poesia tenha sua peculiaridade a música sempre esteve presente no cotidiano da minha vida.


Resp.;SS.

Comecei a gostar de violão vendo o pai tocar. O afamado “Seu Juca de Arcos” Ele era violonista, sanfoneiro, cavaquinista e tinha uma dupla com meu tio. Tocava com ele nos bailes da roça, nas festas religiosas, nas grandes fazendas, nos casamentos e em todo lugar onde eram chamados. Então me interessei pelo toque do violão. Só que meu pai não tinha método para ensinar. Ele também aprendeu de ouvido. Era, e é até hoje todo Instintivo para música. Depois, comecei a frequentar a bandinha do Sô Bené, lá em Arcos. Além de não ter instrumento eu não conseguia carregar o violão, pois era muito pequena, embora fosse corajosa e independente. Foi por pouco tempo que freqüentei a famosa bandinha do Sô Bené. E acabei por me empolgar com o clarinete. Por que o violão era grande demais, como havia dito. Mas o clarinete não vingou, eu gostava mesmo era das cordas. Dei um tempo para a “bandinha do Seu Bené “ passei a pegar o violão velho e quebrado do meu pai, quando ele não estava em casa, lógico. Até a sanfona eu tentei. Mas também era grande demais, esforço em vão. No interior a gente freqüenta muita igreja, Minha mãe é muito religiosa até hoje. E foi lá na igreja que vi uma pessoa chamada “Vanessa”, tocando belamente um piano. Fiquei seduzida e admirada. Perguntei a ela o era aquilo que se fazia no instrumento. Ela paciente, respondeu-me que era as tais “notas” musicais. Pedi que me mostrasse. Ela me respondeu que fosse a casa dela para que me ensinasse. Chegando lá, ela me presenteou com um caderno e um lápis. Pediu-me para que cantasse pra ela alguma música que eu gostasse. Enchi o peito e comecei “Belo pra mim é criança brincar, é ouvir mil canções numa concha de mar...”. Depois ela surpeendentemente buscou um violão e colocou no meu colo. Fiquei arrepiada de emoção. Ensinou-me a segurar o violão, quais eram as cordas, e daí as notas. Freqüentei poucas aulas, pois lá em casa a gente começou a trabalhar já desde menina na casa dos outros. Vida dura! Foi o suficiente, daí em diante eu pegava de ouvido as músicas e as tocava no violão velho de meu pai. Coitado dos ouvidos da família de 10 irmãos... Todo dia era “Penas do Tié “, no ouvido da turma, durante 01 ano, sem cessar. Mas acho que valeu e vale a pena.


5)Acham que lograrão sucesso em sua apresentação?



Resp.:RE,SS

Já nos sentimos grandes vencedores. E se derem brecha a gente busca o prêmio. Nós não estamos de bobeira e temos uma paixão sincera pelo que nós fazemos.



6)No Uruguai, recentemente, vcs se apresentaram com “Poetas quae sera Tamen”. Como foi o feed back de pessoas que os assistiram , a maioria em outra idioma?Acreditam que a Música e a poesia são Linguagens Universais?



Resp.:RE,SS

A emoção humana, a sensibilidade é capaz de superar grandes diferenças de língua, de cultura. Foi inesquecível ver pessoas de outros países se emocionarem com nossa poesia, nossa canção popular e a arte advinda dos Gerais.



7)Quais os elementos facilitadores e os dificultadores dessa ida a Montevidéu, para o VIII ENc ABRACE Internacional?



Resp.:RE,SS

Como sempre o tal do financiamento ( “money” ) é a questão mais complicada. O MINC ( Ministério da Cultura/ programa de intercãmbio) bancou as passagens de avião da gente e nós financiamos do próprio bolso o restante das despesas. Como sempre a burocracia demorou um pouco pra liberar o dinheiro e acabamos chegando quase no meio do encontro. São os trâmites burocráticos... Você deve saber como é!. Lá tudo foi novidade e nossa simplicidade e também uma certa semelhança entre a língua portuguesa a e o espanhol, junto com a cortesia dos uruguaios, facilitaram a aventura em terras estrangeiras.


8)Qual foi o melhor momento nessa viagem?


Resp.:RE,SS

Tudo foi importante. Desde o contado com outra língua, assim como o raciocinar com outra moeda, outra lógica de ver o mundo é sempre desafiante. E nós gostamos dos desafios. Acaba por ser inevitável fazermos comparações, observar as virtudes e as limitações nossas. O Uruguai é um país pequeno e por isso, talvez os problemas sejam bem menores em relação aos problemas sociais do Brasil de estatura continental. Mas é sempre bom, nos enriquece como seres humanos, desvelamos belezas e riquezas que às vezes damos pouca importância em nosso país. O feijão afogado no alho, por exemplo, lá não vi, ou pelo menos não encontramos. Como ficamos com saudade do feijão mineiro da mamãe. Acredito que nós voltamos mais brasileiros e mineiríssimos.


9)Qual foi a receptividade do uruguaio e dos outros países ali representados aos músicos e à Poesia brasileira?


Resp.:RE

O povo Uruguai me pareceu bem receptivo. Fiquei impressionado o quanto somos queridos pelos outros povos. E não era nada forçado. As pessoas nos elogiavam gratuitamente. O brasileiro é mesmo diferente e carismático e isso é uma virtude nossa que devemos aproveitar com sabedoria. Levar nossa arte pro mundo afora, valorizar nossa língua e etc. Constatei também que devemos sair mais de nossa “aldeia” e conhecermos outros países, outras línguas, nos comunicarmos com o mundo e levar a cultua e a arte brasileira, pois ela é a nossa grande riqueza. Não tenho dúvida! Tomara que os governos de todas as esferas se alertem para essas questões de intercâmbio e integração cultural latina.


10)Quais as suas principais atividades naquela capital?


Resp.:RE e SS

Além de apresentarmos o espetáculo musical-poético “POETAS QUAE SERA TAMEN”, lançamos o livro “Embornal de Sons”, e Clevane lançou seu “Mulheres de água...” e visitamos bibliotecas, doamos livros, trocamos livros com livreiros, fizemos amizades, experimentamos a “parrilhada”, o churrasco dos uruguaios. Fizemos uma visita maravilhosa ao Instituto Brasil-Uruguai ( ICUB ), onde fomos muito bem recebidos pela Sra. Deolinda, gaúcha séria e simpática, onde também doamos livros, cds de poesia e cartazes-poemas. Fomos verdadeiros “embaixadores culturais”. Acredito que representamos com dignidade nosso país e valorizamos o dinheiro do povo que financiou parte da viagem até Montevidéo. Alías, não fizemos mais do que nossa obrigação.

(Entrevista em 2007)

Blog do Sarau Tropeiro:http://www.sarautropeiro.com/entrevista.htm

Ricardo e Sueli vivem em belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil- e ele é o organizador dos saraus de Poesia da Lagoa do Nado (Centro Cultural).



(*) Clevane Pessoa de Araujo Lopes

Diretora Regional do InBRasCi em Belo Horizonte MG
Representante do Movimento Cultural aBrace em Belo Horizonte, MG


***

As fotos são do casal são da mostra "Primavera Ambivalente", de Neuza Ladeira, em 21 de setembro, no Restaurante Cozinha de Minas, quando se apresentaram.Creditos das fotos:Clevane Pessoa,
A mostra de Neuza Ladeira, no Cozinha de Minas, foi produzida pela jornalista Brenda Mars.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

João Evangelista



Encontro, em Paragon, essa entrevista com o poeta e fotógrafo, jornalista e compositor João Evangelista:

João Evangelista Rodrigues, 55, nasceu em Arcos (MG), na cabeceira do Rio São Francisco. Jornalista, escritor, compositor, fotógrafo e poeta. Autor de livros como "O Avesso da Pedra",( 1981) "Mutação dos Barcos" ,( 1989) " A Oeste das Letras" ( 1999) e "Transversias", ( 2003), folhetos de cordel, tendo , ainda, participado de várias antologias. Como compositor, é parceiro de Paulinho Pedra Azul, Téo Azevedo,Gilvan de Oliveira, Pereira da Viola, Joaci Ornelas, ZÉ Neto, Cid Ornellas, Rubinho do Vale, Zé Baliza , entre outros; Formado em Filosofia e Jornalismo . Foi diretor da Casa do Jornalista , Diretor Secretário Geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e Superintendente de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. Atua como agente cultural, com particular interesse pela cultura popular. Atualmente é professor de Legislação e Ética em Jornalismo na PUC Minas Arcos, na qual exerce o cargo de Coordenador do Curso de Jornalismo e Gestão da Comunicação Integrada.

Este texto é da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE, com uma pequena adaptação.

Clevane entrevista João Evangelista Rodrigues:

1)QUANDO A POESIA ENTROU EM SUA VIDA?E A FOTOGRAFIA?

Bem, a primeira vez que senti vontade de escrever um poema, tinha 14 anos. Mas a poesia mesmo, acho que esta me acordou bem mais cedo com o cantar dos galos e o cnato dos pássaros. Nasci na roça , em uma pequena fazenda dp interior de Minas. Aprendi bem cedo a liberdade do rio e do vento. Foi assim que resisti a todas as tentativas de domesticação, não deixei me metrificar nem pela escola , nem pela família nem pelas outras formas de condicionamen to. Depois voltei a escrever aos 18 anos e , daí para frente, nunca mais parei. Vida e poesia andam juntas em mim, em cada coisas que faço e penso, mesmo quando, aparetemente, não estou pensando nela ou a ela me dedicando.Poesia é uma forma de ser.Uma visão de mundo. Forma de sentir e de se manifestar verbo-voco-visual. É solidariedade e comunhão com os seres, pessoas e todas as coisas do planeta.Do cosmos. Já a fotografia, esta veio mais tarde, com a quase cegueira eo desejo de pegar as formas, as cores de maneira mais concreta. Foi a corporificação das imagens poéticas. Da poesia para a fotografia só tive de aprender a manejar o equipamento.Tudo são maneiras de escritas.De mergulhar no mundo e revelar seus contornos e abismos mais sutis.

2)SENDO COORDENADOR DO CURSO DE COMUNICAÇÃO DA PUC DE ARCOS MG, COMO VC CONCILIA AS ATIVIDADES ARTÍSTICO LITERÁRIAS (FATOR TEMPO) À PRIMEIRA?

Acho que se dependesse de tempo e de conciliações , a poesia já teria me abandonado.Sou péssimo amante, um namorado afobado com as atribulações e caprichos do mundo. Mas descobri que a poesia me amava e , desde então, procuro me dedicar a ela sempre que posso.Nos intervalos.Acho mesmo que a a vida que vale a pena é vivida nos intervalos, nos vieses, nos estreitos dos dias da existência curta e demorada que a vida assim tão tragicamente transitória.Fotografo a poesia.

Diria que procuro fazer de cada poema uma foto e de cada foto um poema.Pelo menos é o que tenho tentado fazer.

É esta luta que me tem mantido vivo.

3)DENTRE SEUS LIVROS HÁ ALGUM ESPECIAL?

Talvez o que escreverei algum dia. De verdade mesmo, gosto de todos, cada um a seu tempo, a seu modo, por razões as mais diversas. É através de um que chego ao outro. Penso , como Jorge Luis Borges, só exista um livro , todos os demais são formas especulares, simulacros, sobras em espelho embaçado. São os livros que conseguimos realizar, por isso, acho importante amá-los , mesmo imperfeitos.

E AGORA,(APENAS SE QUISER FALAR DESSA CIRCUNSTÂNCIA, OK?)O QUE TEM SIGNIFICADO PARA VOCÊ TER PROBLEMAS DE VISÃO E DEDICAR-SE TÃO BRILHANTEMENTE ÀS CHAMADAS DE SUAS VOCAÇÕES(MÚSICA, TEATRO, LITERATURA, FOTOGRAFIA?)NO MUNDO ATUAL, ALGUNS FOTÓGRAFOS VÊM REALIZANDO TRABALHOS INCRÍVEIS, APESAR DA DV(*).VOCÊ TEM ACOMPANHADO ESSA TRAJETÓRIA?

Passado o susto inicial e o período de adapatação levo uma vida normal. Até gosto de ver as coisas distorcidas, meio incompletas.Afinal é assim mesmo o conhecimento humano. Aprendi muito com a promessa de cegueira- tinha trinta anos e estava concluindo o curso deJornalismo na PUC Minas e já havia feito o curso de Filosofia : descobri que era limitado e que precisava conviver com esses limites. Depois foi me acostumando com as noramas formas de ver e de agir , de esgueirar-me por entre as quinquilharias do mundo.As burocracias e os meandros dos podres poderes são mais tortuosos e traiçoeiros. Recebi muita solidarieade de amigos e, com isso, nem no dia que foii ao oculista e que fiz a sirugira deixei de escrever.Comecei a ir m ais ao teatro, às palestras, às apresentações muisicais.A conversar mais com as pessoas. Descobri as formas das coisas, passei a me deter mais nas formas, nas cores, na textura.Descobri, enfim, que tinha ouvidos, olhos , tato e paladar.

Mais tarde descobri Jorge Luis Borges, Milton.Reparei que vários escritores importantes eram ou ficaram cegos e , portanto, resolvi que a vista não seria o problema.O problema mesmo era a escritura. O texto.

Resisti ao computador um pouco como quase todos de minha geração depois descobri nele enermes possibilidades. Assim, vi nele um aliado. Leio muito todos os dias.Se a letra for pequena amplio tanto na tela do monitor quanto no papel através de xerox.Às vezes tiro xerox do livro inteiro.Compro , tiro xerox ampliado e leio.Adeus direitos autorais, mas , pelo menos neste caso , a razão é justa.,

Não ´é por acaso que existem vários verbos para designar os atos da visão: ver, enxergar, intuir e olhar. Quer souber ler que leia.Tenho acompanhado sim e acho legal que as pessoas se mostrem como são e não se envergonhem e não se excluam por si mesmas. Precisamos mesmo abrir as janelas todas da alma e ver de corpo inteiro a corporificação transfiguradora e tranasfigurada de tudo que nos rodeia.

É preciso esclarecer, entretanto, que , atualmente, minha visão pouco me atrapalha.Só mesmo se as letras forem muito pequenas ou condensadas, como adora as editoras ávidas por lucro .No mais faço de tudo ando de bicicleta- e muito – jogo , nado e corro . Cobro às vezes das pessoas arrogantes e auto-suficientes, daquelas que, por vários motivos, se consideram muito normais.

Um grande abraço.

João Evangelista Rodrigues

(JOAO,ESSA ÚLTIMA PERGUNTA,RESPONDA APENAS SE O DESEJAR, POIS SEI QUE A DV NADA SIGNIFICA EM RELAÇÃO À EXCELÊNCIA DE SUA OBRA)...

UM ABRAÇO CORDIFRATERNO, DA CLEVANE

(*)DV:Deficiência visual

clevane pessoa de araújo lopes
Publicado no Recanto das Letras em 12/10/2005
Código do texto: T58925

* Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autor e o link para o site "www.sitedoautor.net (Clevane pessoa de araújo lopes); (www.clevanepessoa.net/blog.php). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

domingo, 29 de junho de 2008

Helenice Reis Rocha, Poeta e Musicista






Imagem:Helenice Reis Rocha, Poeta e Musicista, formação em Letras na UFMG, fotografada por Marco Llobus, em sua dela,quando foi entrevistada por nós para o livro-Álbum POIETISAS, projeto aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, MG .
Marco e eu fotografamos um ao outro para registrar o trabalho.

Nome :Helenice Maria Reis Rocha

Meus Pais:Aluísio Rocha e Ondina Dos Reis Rocha
Nacionalidade:Brasileira

Formação:Mestre em Letras com Área de Concentração em Poéticas da
Modernidade pela UFMG e Especialista em Música com Área de em Educação
Musical pela UFMG

Clevane:Em sua vida,é mais fácil ser poeta ou musicista?

HRR:A linguagem musical é mais fácil para mim porque a convenção desta
linguagem é muito lúdica O signo verbal exige um nível de reflexão
muitas vezes angustianteA produção de sentidos em qualquer língua
escrita exige um nível de engajamento que tensiona a mente Na
experiência musical dá-se o contrário Relacionar-me mentalmente com
sons e rítmos me transporta para um espaço psíquico de total
relaxamento,bem alfa,que me retroalimenta para a vida Gostaria de
transmitir esta experiência como educadora,levar as pessoas que gostem
de música a vivenciar a linguagem musical criando e saindo um pouco
deste nosso mundo conturbado para uma dimensão de silêncio,já que a
vivência do som é mental(como na leitura silenciosa) e de harmonia
2-Quais as bases da sua formação de musicista?
Desde muito cedo(três,quatro anos de idade) ouvia tocarTrabalhei,um
pouco mais tarde(dos dez aos trinta anos) todas as noites como
assistente dele que era concertista de experiência
internacionalOuvi,trabalhando,quase todo o leste europeu(Bella
Bártok.,Kuhlau,George Enesco,Stravinsky,Kachaturian....) Além de
Bach,tenho aqui em casa todas as transcrições de papai de violino para
harmônica(gaita) Além de Villa Lobos e Radamés,que dedicou dois
concertos para papai Fui muito musicalizada também por minha mãe que é
cantora amadora e cantou lindamente durante toda a vida,toda a tradição
oral brasileira Tudo o que estudei no Mestrado(trabalhei com a tradição
oral)já tinha ouvido minha mãe cantarAgora,com a Especialização,posso
uir os ventos do Leste e as canções de nossa tradição popular,de
lavadeiras,dos africanos,indígenas, enfim,tudo o que soa e que tem
rítmo.Estudei Acordeon(Dos sete aos dez anos e violão clássico com
Nelson Piló( Assistente do Radamés e do Villa) e com Walter
Alvez,durante toda a adolescência até uns vinte e sete anos

CPAL:3- A partir de que momento sentiu-se Poeta?

HRR: No meio do meu Mestrado
estava trabalhando com Raul Bopp( Minha dissertação é:Sinais de
Oralidade:A transfiguração da Voz em Cobra Norato) Estudava o dia
inteiro e,no meio da noite,começava a escrever,sem parar,e sentia-me
leve,livre,meio fora do mundo dentro dele Mas comecei a fazer poesia
com nove anos Escrevia para as professoras do colégio,no quadro
negro,elas se reuniam na sala de aula,no recreio,e liam comigo a poesia
que ia fluindo para o quadro.


Clevane: 4-Pertence a alguma academia ou agremiação? De que forma a literatura
entra na sua vida?

HRR:Prestei vários serviços em Congressos
da ABRALIC(Associação Brasileira de Literatura Comparada)com
participações em Congressos Internacionais e respectivas publicações
Estou afastada desde o ano passado e este ano também não participei de
nada mas tenho todas as minhas publicações aqui em casa Publiquei
também no CESP (Centro de Estudos Portugueses da UFMG) e na revista EM
Tese .Guardei estas publicações


CPAL:5-Escreve em qualquer momento ou necessita de algo especial ? E para
compor?

HRR: Sempre que escrevo ou componho estou em estado de paixão Pela
vida,pelas pessoas,por tudo Sou uma pessoa em estado de paixãoAcordo
todo o dia com um nascer do sol de arrepiar aqui neste apartamento e
digo para mim mesmo,amo,a tudo e a todos
6-Comente um pouco da sua experiência poética
(Seminários,dissertações,publicações,viagens)Trabalhei com Raul Bopp na
minha dissertação,um livro chamado Cobra Norato e li para dar conta
deste trabalho,muitos mitos serpentários,que são mitos que dizem
respeito a toda a relação ética que o homem indígena estabelece entre
natureza e sobrevivência Este poema,Cobra Norato,foi considerado o nono

poema mais bonito do mundo mas questionei o tempo todo os modos de
apropriação de uma cultura letrada(no caso o modernismo) em relação com

a cultura indìgena no sentido de explicitar os conflitos advindos deste

intercurso e o sentido destes conflitos na configuração de um fato
literário que reuniu muitas diferenças sérias e dramáticas no bojo de
seu projetoViagei para o rio com a ABRALIC apresentando Guimarães Rosa
com um trabalho sobre a dimensão tautológica da linguagem do Rosa no
que esta dimensão tem de reprodução da logica de um discurso hegemônico

Um dos trabalho se intitula As Veredas da Palavra:Uma Tautologia do
Sertão No Rio Grande do Sul,apresentei e publiquei um trabalho sobre os

modos de apropriação e retradução que os cordelistas fazem do fabulário

europeu....tenho comigo estes trabalhos e estão nos Anais da ABRALIC


Clevane:7-Trace sua visão de estilo tanto para a Músico como para a
Poesia.

Helenice:Acredito que estilo tanto para o poeta como para o músico é
aquele traço de linguagem que o torna inconfundível e singular
Diferente de todos os outros Marcado por uma auto referencialidade que
o distingue como traço.


8-No momento dedica-se a escrever algo?O que?Algum projeto?

Helenice Rreis Rocha:Componho
todo dia .Sou refém da Composição .A música livra a minha cara inclusive
de pirar porque é uma linguagem que exige ao mesmo tempo disciplina e
levezaQuando comecei o adágio que você me motivou (*),fui transportada para
a sua leveza,a leveza do seu nome,da sua alma .Isto me salva Penso em
todas as pessoas que são ícones de coragem e diginidade quando faço
música . Isto me salvaProjeto? Escrever um manualzinho de Harmonia Musical
para Crianças.


Clevane Pesoa:9-Quais as pessoas ,em sua família e fora dela que a influenciaram ou
incentivaram?Alguém tentou desestimulá-la?

HRR:Ninguém na minha família
entendeu muito nossas vidas Trabalhávamos mais de quinze horas por
dia,papai e eu,e ele saia para tocar(Estados Unidos,Europa...)A minha
casa ficava cheia de músicos amigos dele por algum tempo e a gente
trabalhava quando não tinha ninguém Ninguém tinha nem condição de
estimular ou desestimular Acho que não dava para os parentes nem
decodificarem

(*) Helenice presenteou-me com um adágio, ao qual intitulou "CLEVANEIOS",pelo que sou-lhe muito gata.Fiquei encantada

Ver mais sobre Helenice Reis Rocha em http://poietisa.blogspot.com