sexta-feira, 11 de abril de 2008

Festival da Loucura em Barbacena:mais fotos clicadas por Luiz Lyrio










veja, na página imediatamente anterior a entrevista com o escritor e professor de história Luiz Lyrio.

Clevane

Luiz Lyrio, o "FESTIVAL DA LOUCURA em Barbacena e seu livro






O escritor Luiz Paulo Lyrio, Poeta del Mundo,foi a Barbacena, MG, conferir de perto o "Festival da Loucura"(que lamento não ter conhecido,psicóloga e repórter que sou, eternamente,além de poeta e artista plástica:um derrame de in/sanidades que dariam muito pano para muita manga.manga?De chupar ou cozer?)

Luiz , adorei.Imagino as "loucuras" fotografadas que vc não enviou...Rss...
Quero postar em meu blog, pode responder às perguntas?
Um abraço:
Clevane
N:Espero que tenha se divertido.

1 Prof.LPL, o que achou do Festival da loucura em Barbacena(além de sua expressão "Uma Loucura!", que acompanha as fotos enviadas)?

2 Percebeu que tipo de público havia -e curtia o festival -faixa etária, pessoas alopradas ou sérios professores de História conforme você,que é professor de História?

3 Chegou a saber qual o objetivo do festival?Ele acrescenta, por ex, algo à luta antimanicomial, em Barbacena, cidade marcada pelos muitos nosocômios para doentes Mentais?

4 Fez algum contato ou soube de alguém que ali já esteve, mas internado em manicômio?

5 Fale a respeito da programação.

6 Você voltaria ou voltará do próximo ano?Por que?

7 Como se sentiu ao fotografar tantos "non senses"?

8 O senhor foi identificado na fotografia de arquivo do Hoje Em Dia, de belo Horizonte, MG,na caminhada dos cem , que fez quarenta anos dia 20/03 (estou certa?).Na juventude, o senhor foi preso, como ativista, viveu a repressão da Ditadura Militar.Rememorar ,pela foto e entrevista, aquela época, mexeu nos enscaninhos da memória?

Essa repressão alienante,vivienciada na juventude, tem algo a ver com a soltura desse festival?Pessoalmente, conseguiu sentir-se livre totalmente?

9)Durante a Ditadura, alguns presos eram transferidos para os manicômios de Barbacena, pela influência de alguns poderosos, quase como um prêmio.Fale a respeito, caso deseje.

10) Depois de haver publicado, exitosamente, seu "Nos Idos de 68, você resolve reeditá-lo e não apenas o amplia, mas também "poda" certos trechos.Gostaria de comentar os motivos?
Quando deverá sair essa edição ampliada e revisada?


11 Prefaciei dois de seus livros de contos ("Marcas de Batom" e " Abdução") ficcionais, embora neste último, sua vida de 35 anos de magistério apareça de forma clara),e conheço seu estilo , que transita entre o humor, a ironia fina, a veracidade e as nuances da sua criatividade .
Esse "novo livro velho", acredito,sempre parecerá atual, para quem quiser saber sobre a repressão dos anos 60.Na qualidade de autor, é testemunha viva de um tempo. Percebe que isso é valorizado pela mídia (ou,pelo menos, antes de ser "descoberto" na foto cita) ?Os alunos tinham curiosidade em conhecer mais de perto o personagem-autor de "Nos idos de 68"? Em que os jovens de hoje diferem desses seus companheiros dos Anos 60/e 70?
Tem outros livros a caminho?

Obrigada;
Clevane pessoa de araújo lopes
(Psicóloga, repórter durante a Ditadura, em Juiz de Fora)

Belo Horizonte, MG

2008/4/7, Luiz Paulo Lírio de Araújo :

Aí vão as fotos do festival da loucura da Barbacena. Definí-lo? Avaliá-lo?
Bem...então, aí vai: Uma loucura!!!!!
Lyr



Luiz Paulo Lírio de Araújo


1. Só sinto que um evento feito com tanta seriedade,dando uma visão diferente da doença mental e seus supostos portadores (quem não é?) não tenha tido uma repercussão maior na mídia. Deram mais destaque ao tal Axé no Mineirão do que ao histórico festival de Barbacena. Só quem esteve em Barbacena tem noção do que se aprendeu ali.


2. Gente de todos os tipos e idades participou dos eventos. É lógico que doutores psicólogos, psiquiatras e profesores, e seus pacientes e impacientes em geral participaram mais das atividades mais sérias, sendo que o populacho e a meninada compareceu mais atraída pelos grandes shows, como o do Marcelo D2 e da Pitt. Mas no geral, o público foi variado, apesar de parte dos nativos de Barbacena ainda ter um certo preconceito contra o festival, achando que atrai muito louco de fora (com eu, por exemplo).


3. O objetivo do festival é reforçar a luta antimanicomial e lutar contra o preconceito da sociedade contra os portaodres de doenças mentais. O Festival só não atingiu plenamente seus objetivos porque muitos (os que mais precisam de ver, ouvir e se abrir) costumam ignorá-lo.


4. Fiz contatos rápidos com vários pacientes que já estiveram internados. Mas era tudo muito rápido,muito cheio de gente e perdi muito tempo procurando velhos conhecidos.


5. A programação mesclou discussões, filmes (como ESTAMIRA, o melhor filme já feito sobre o assunto),muito circo e muita diversão.


6.Sim. Só não voltaria se eu fosse louco!


7. Nunca fotografei com tanta ansiedade. Pena que não tenha conseguido clicar mais flagrantes.


8. A passeata foi no dia 29/3. A foto mexeu com minha memória e pretendo voltar a hemeroteca do qrquivo público para ver se consigo mais flagrantes daquela época, já que estou com uma nova versão do livro NOS IDOS DE 68, que pretendo lançar ainda este ano.
Já o Festival me remeteu a outra fase d minha vida, o pós-68. Foi depois da vitória da repressão que conheci a loucura e passei a conviver com os loucos que habitam esse nosso maravilhoso mundo novo do século XXI.


9. Em 1973, "exilei-me" em Barbacena, mas não como interno de algum hospício (certos manicômios de lá merecem esse nome) e sim como professor de História na Escola Polivalente de lá. A partir daí, perdi o contato com a realidade nacional. Soube de algumas famílias que negociaram a prisão de alguns militantes, trocando-a por internação em hospitais psiquiátrico. Foi o acaso do Demétrio e de outros que, inclusive, vítimas do agravamento de sua saude mental, já morreram ou optaram pelo auto-extermínio. Mas isso tudo aconteceu quando eu estava no interior e , na época da ditadura, quem vivia no interior vivia em outro mundo e não sabia de nada que andava acontecendo nos grande centros de poder do país.
10. O objetivo da nova edição é fazer chegar nas escolas e até os jovens em geral um relato do que aconteceu naquela época. O livro, agora, pretende informar, principalmente, quem não viveu o período. Ao contrário da primeira edição, que foi quase uma satisfação aos militantes do movimento secundarista de 68. Pretendo lançar a nova edição em agosto.


11. Os jovens de hoje têm muita curiosidade sobre os anos sessenta, mesmo com uma parte da mídia fazendo questão de ignorá-los. Apesar da juventude de hoje ser mal informada, estar mais presente nos shoppings do que na vida política e social do país, e gostar mais de ler os best-sellers do mercado editorial norte-americano do que a literatura existente sobre a miséria e a desigualdade reinante no Brasil de hoje, acho que vem por aí uma reviravolta. Os jovens estão se cansando de serem alienados. Em algum momento, eles vão se politizar e atuar de novo na transformação do mundo. Mesmo que seja por puro modismo, acredito numa reviravolta neste sentido. Quanto a novos livros, estou trabalhando com muito carinho num livro de contos sobrenaturais e misteriosos, e num livro que tem como personagem central um alcóolatra que sofre de profunda depressão. Os dois livros estão praticamente prontos e sendo "lapidados".

Em 07/04/08, clevane pessoa de araújo lopes escreveu:
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Luiz , adorei.Imagino as "loucuras" fotografadas que vc não enviou...Rss...
Quero postar em meu blog, pode responder às perguntas?
Um abraço:
Clevane
N:Espero que tenha se divertido.

1 Prof.LPL, o que achou do Festival da loucura em barbacena(além de sua expressão "Uma Loucura!", que acompanha as fotos enviadas)?

2 Percebeu que tipo de público havia -e curtia o festival -faixa etária, pessoas aolpradas ou s´perios professores de História conforme você,que é professor de História?

3 Chegou a saber qual o objetivo do festival?Ele acrescenta, por ex, algo à luta antimanicomial em Barbacena, cidade marcada pelos muitos nosocômios para doentes Mentais?

4 Fez algum contato ou soube de alguém que ali já esteve, mas internado em manicômio?

5 Fale a respeito da programação.

6 Você voltaria ou voltará do próximo ano?Por que?

7 Como se sentiu ao fotografar tantos "non senses"?

8 O senhor foi identificado na fotografia de arquivo do Hoje Em Dia, de belo Horizonte, MG,na caminhada dos cem , que fez quarenta anos dia 20/03 (estou certa?).Na juventude, o senhor foi preso, como ativista, viveu a repressão da Ditadura Militar.Rememorar ,pela foto e entrevista, quela época, mexeu nos enscaninhos da memória?

Essa repressão alienante,vivienciada na juventude, tem algo a ver com a soltura desse festival?Pessoalmente, conseguiu sentir-se livre totalmente?

9)Durante a Ditadura, alguns presos eram transferidos para os manicômios de Barbacena, pela influência de alguns poderosos, quase como um prêmio.fale a respeito, caso deseje.

10) Depois de haver publicado, exitosamente, seu "Nos *Idos de 68, você resolve reeditá-lo e não apenas o amplia, mas também "poda" certos trechos.Gostaria de comentar os motivos?
Quando deverá sair essa edição ampliada e revisada?


11 Prefaciei dois de seus livros de contos ("Marcas de Batom" e " Abdução", ficcionais, embora neste último, sua vida de 35 anos de magistério apareça de forma clara),e conheço seu estilo , que transita entre o humor, a ironia fina, a veracidade e as nuances da sua criatividade .
Esse "novo livro velho", acredito,sempre parecerá atual, para quem quiser saber sobre a repressão dos anos 60.Na qualidade de autor, é testemunha viva de um tempo. Percebe que isso é valorizado pela mídia (ou,pelo menos, antes de ser "descoberto" na foto cita) ?Os alunos tinham curiosidade em conhecer mais de perto o personagem-autor de "Nos idos de 68"?Em que os jovens de hoje diferem desses seus companheiros dos Anos 60/e 70?
Tem outros livros a caminho?

Obrigada;
Clevane pessoa de araújo lopes
(Psicóloga, repórter durante a Ditadura, em Juiz de Fora)

Belo Horizonte, MG

2008/4/7, Luiz Paulo Lírio de Araújo :

Aí vão as fotos do festival da loucura da Barbacena. Definí-lo? Avaliá-lo?
Bem...então, aí vai: Uma loucura!!!!!
Lyr

Divulgação:
Diretora Regional do InBrasCi em belo Horizonte MG,
braço da Governadoria em MG do InBRasCI (a Governadora é Andréia Donadon, escritora e artista aldravista,a artista plástica Déia Leal, do Jornal Aldrava, na cidade primaz do Estado:MARIANA)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Luis Eduardo Matta e os Thrillers



O jovem escritor brasileiro Luis Eduardo Matta,publica dois livros de suspense -Ira Implacável (Nova razão Cultural) e 120 Horas (Edit.Planeta)-e firma-se no cenário dos thrillers,ações encadeadas e mais rápidas,com personagens fortes e marcantes, tramas ambientadas em vários lugares, bem descritos, quase crônicas de viagem.

Além de escrever bem, Luis Eduardo Matta sabe manter o fio de Ariadne:embora nos labirintos das entrelaçadas e diferentes histórias dos personagens que se entrelaçam ao protagonismo mais relevante de alguém, o autor caminha , vai e vem, retorna.Mas não se perde nos meandros do enredo, não deixa buraços, embora algumas interrogações sejam o sal, o tempero, a ponto de se esperar que ele escreva uma continuação das histórias:na verdade, são de tal forma interessantes, que passam a povoar nosso imaginário, ou se nos apresentam quais pessoas de vida real, de quem queremos saber ainda mais.O timing é perfeito.Flashbacks,pistas, movimento, nos fazem imaginar um filme sem nehum momento de tédio.

Nas páginas a seguir, comentarei esses romances e agora, comecemos com a entrevista,onde se pode melhor conhecer não apenas seu modus operandi, mas ainda, sua maneira de ser.
Cumprimentamos o brilhante autor.Quem não souber sua idade, por certo vai julgá-lo, no mínmo,um quarentão.

Clevane Pessoa de araújo Lopes
Diretora Regional ,em Belo Horizonte, MG, Br,do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais (InBrasCi)


1) Ficha cadastral:

Nome: Luis Eduardo Matta

Idade: 33 anos

DN: 21 de novembro de 1974

Profissão: Escritor

Formação: Autodidata

Pais: Brasil

Lazer: Ler, fazer caminhadas, ir ao cinema, a exposições e eventos culturais.

2)Perguntas básicas:

a) A partir de quando e de que motivação você resolveu escrever 120 horas?

Tudo começou em meados de 1997. Eu havia finalizado o meu romance anterior, ‘Ira Implacável’ e numa noite, inadvertidamente, enquanto assistia a um filme que não me recordo qual era, fiquei pensando em como seria interessante escrever um livro, no qual houvesse uma personagem feminina ambígua. Uma mulher rica, fina, de forte personalidade, culta, elegante, já de certa idade e reverenciada nos melhores círculos da sociedade e que, por trás dessa fachada respeitável, exercesse atividades espúrias, ligadas ao submundo mais sórdido da máfia internacional. Foi a partir daí, da concepção desta personagem, Evelyn Wakim, que é uma das espinhas dorsais do livro, que nasceu e se desenvolveu toda a trama. ‘120 horas’ teve duas versões. A primeira foi escrita entre 1998 e 1999 e a segunda, entre 2002 e 2004.

b) O que diferencia um thriller de outros gêneros? Você prefere escrever thrillers?

Prefiro. É um tipo de ficção que sempre me atraiu muito, sobretudo quando acompanhado de um mistério, um enigma ou algo do tipo. O thriller é um gênero de entretenimento, cujo elemento principal, muito acima da linguagem e do aprofundamento de temas, itens caros à alta literatura, é a trama. Uma trama ágil, bem construída e amarrada, com elementos de suspense e tensão, é imprescindível para que um thriller seja bem sucedido. No meu caso específico, procuro, igualmente, criar uma galeria de personagens que se imponham e, com isso, alcancem os corações dos leitores e despertem seu interesse.

c) Para escrever, você precisa de ambiente, clima, inspiração, método, ou apenas se dispõe a desenvolver o enredo?

Preciso de tudo isso junto, e, felizmente, tenho conseguido. A solidão é imprescindível. Sou capaz de ficar um dia inteiro escrevendo, sempre sozinho e ouvindo música suave. Já a inspiração não é, ao menos para mim, aquela epifania romântica dos poetas e, sim, um momento onde as idéias estão em franco movimento e pedindo para serem postas para fora. Meus enredos são todos muito estruturados antes que o livro propriamente dito seja iniciado. Faço vários roteiros prévios, prevejo o final, a fim de arquitetar e costurar os mistérios e os conflitos ao longo da trama e componho detalhadamente os perfis dos personagens centrais a fim de incorporá-los no momento em que os coloco em ação no livro.

d) Já lhe aconteceu de um protagonista arrastar você para outro caminho antes não imaginado?

Já, mas foram poucas vezes. Na realidade, embora eu faça um planejamento minucioso da obra antes de começar a escrevê-la, muitas idéias vão surgindo enquanto escrevo e isso acaba alterando um pouco os rumos da trama. Não é que os personagens criem vida, mas as suas ações e pensamentos evoluem à medida que a história avança e isso acaba determinando o que irá acontecer dali em diante, embora existam limites. Digamos que o arcabouço da história permanece praticamente inalterado, mas o recheio sofre algumas mudanças.

e) Qual a sua relação com os personagens? Sente que os domina ou por vezes, sente-se dominado? A que atribui esse tipo de intercâmbio entre autor e personagens?

Pode parecer conversa de doido, mas eu tenho uma relação muito íntima com cada um dos meus personagens, porque eles são concebidos, sobretudo, a partir do meu convívio com pessoas reais. À medida que eu vou escrevendo um livro e mergulhando cada vez mais na atmosfera da trama, os personagens adquirem uma identidade e uma personalidade tão marcantes, que é como se eles existissem de verdade. Muitas vezes, ando na rua e avisto uma pessoa estranha que, fisicamente, se assemelha muito a um personagem meu e começo a imaginá-lo como sendo o meu personagem num momento trivial do seu cotidiano. Por outro lado, procuro sempre estabelecer um distanciamento entre mim e os personagens, a fim de não fazer deles porta-vozes da minha maneira de pensar ou de agir. Uma das coisas que eu sempre evitei foi tornar meus livros auto-referentes. Não simpatizo com alter egos e não acredito sinceramente que a minha vida e as minhas noções da realidade sejam interessantes para os outros, a ponto de pretender expô-las numa prosa de ficção.

f) Você se inspirou em alguma pessoa real, para algum protagonismo, especificamente em 120 horas?

Em muitas. Todos os personagens de ‘120 horas’ existem um pouco na vida real. Mesmo os mais estapafúrdios. Na realidade, não só as pessoas reais me inspiraram, como, também, algumas que eu conheci pela ficção e não me refiro somente à ficção literária. O cinema e a televisão também me inspiram bastante. O que eu posso afirmar com certeza é que um personagem meu nunca é a reprodução fiel de uma pessoa. Ele costuma ser uma soma de várias delas e, também de personagens de outros livros, filmes, telenovelas, seriados e tudo o mais.

g) Em geral, o autor é alguém que gosta de ler. É o seu caso? Em criança, gostava de que tipo de leitura? Já tinha uma queda por suspense?

Eu comecei a ler livros com regularidade a partir dos 9 ou 10 anos, sempre por lazer e comecei pela literatura policial. Até hoje, acredito que a ficção de mistério é o caminho mais simples e certeiro para atrair um jovem para a literatura. Comecei com livros policiais infanto-juvenis, como os do Ganymedes José e do João Carlos Marinho. Em seguida, passei à literatura policial adulta, de autores como Agatha Christie, Georges Simenon e Raymond Chandler e, somente muito mais tarde, já com meus 15 anos, é que naturalmente comecei a me interessar, também, pela grande literatura. Tudo aconteceu muito naturalmente. Sempre li por lazer e sem nenhuma pretensão de posar de intelectual por causa disso.

h) Você sente que tem a identidade de um escritor? Preeche documentos como "escritor"?

Eu encaro a atividade literária mais como um ofício do que como uma profissão. Considero-me, sim, um profissional da escrita. Desde os 18 anos preencho documentos como “escritor”. No início era gozado, porque as pessoas me olhavam meio torto. Daí eu passei a levar um exemplar do meu primeiro livro, que foi publicado em 1993, para provar que estava dizendo a verdade. Era engraçadíssimo ver as expressões perturbadas que as pessoas faziam. É bom salientar que eu era um jovem de 18 anos com cara e corpo de 15.

i) Na escola, algum professor reconheceu que você tinha estilo ou vocação? Algum o incentivou? E em sua família?

Tive uma ótima professora de literatura e português chamada Sônia, que me incentivava a escrever e que me indicou, fora da sala de aulas, livros que foram fundamentais na minha formação como leitor. Ela dizia sempre que ler era como assistir a um desenho animado na TV. Mas isso foi muito antes de eu escrever meu primeiro livro. Minha família sempre me apoiou, embora tenha havido alguns conflitos que se estenderam por anos a fio. Naquela época isso me afligia, mas hoje eu consigo compreender. Afinal, não é fácil numa família onde praticamente nunca houve artistas, de repente alguém resolver seguir a carreira de escritor.

j) A questão editorial no Brasil às vezes é um empecilho a que as pessoas publiquem seus escritos. Você experenciou alguma dificuldade maior ou recusa? Acredita que deu sorte ao tentar publicar? E com a editora Planeta, tem boas relações?

Tive e tenho muitas dificuldades. A carreira literária é um desafio permanente e o mercado editorial é de uma instabilidade inacreditável. Nós, escritores, precisamos estar sempre fazendo com que as coisas aconteçam, porque existe uma competição feroz, dezenas de lançamentos todos os meses e um espaço muito limitado para a divulgação e venda dos livros. Já tive livros meus recusados inúmeras vezes, por muitas editoras. Isso é normal. Não sei se tive sorte ao publicar. Foi, talvez, o resultado de muito esforço e persistência. As coisas comigo não costumam ser fáceis, nem rápidas, mas elas acabam acontecendo porque eu estou sempre correndo atrás. No caso da Planeta, meu relacionamento com a editora é muito bom. Tenho uma especial estima pela Débora Guterman e pelo Pascoal Soto, que são meus editores lá. Ambos são profissionais muito preparados, além de pessoas de uma delicadeza ímpar. Como iniciou há apenas cinco anos as suas atividades no Brasil, a Planeta não teve ainda tempo de mostrar todo o seu potencial, então é injusto compará-la às demais grandes editoras que estão no mercado há muitos anos. Firmar-se num terreno pedregoso e, eu diria até, minado como é o mercado editorial brasileiro, é uma missão muito complicada e exaustiva, mas me parece que a Planeta está, apesar de alguns percalços, avançando e, aos poucos, conquistando o seu espaço.

l) Você experimenta algum cansaço físico, somatização (tipo cefaléia, irritabilidade, insônia, quando está escrevendo), ou sente apenas bem estar e a excitação de estar em pleno processo criativo?

Eu me sinto muito bem, mas me canso também. Adoro escrever, mas o meu processo de escrita é muito complexo e multifacetado. Ele não inclui apenas a redação do livro, mas, também, uma pesquisa permanente sobre vários assuntos, a preparação da trama, a concepção dos personagens, dos ambientes... É uma jornada muito trabalhosa que me deixa cansado não só fisicamente como, sobretudo, mentalmente. Insônia eu tenho desde criança, mas ela se acentuou com o passar dos anos. São comuns as noites em que acordo para tomar nota de alguma idéia que surge de repente. O meu dia, para ser ideal deveria ter umas vinte e sete ou vinte e oito horas, porque eu preciso dormir de sete a oito horas para ter um sono plenamente reparador, e ficar acordado de dezenove a vinte horas para ter vontade de dormir. Esse é, imagino, um problema que vai me acompanhar pelo resto da vida.

m) Você reside em que cidade?O que mais gosta de fazer quando não está escrevendo?

Nasci e moro no Rio de Janeiro, que é uma cidade que eu adoro. Costumo dizer que o Rio representa para mim o mesmo que Jerusalém representa para os judeus. É a minha terra prometida, a minha cidade dourada, o único lugar onde me sinto verdadeiramente em casa... Uma das coisas de que mais gosto de fazer é sair pelas ruas da cidade sem rumo. Tomo um ônibus aleatoriamente, desço numa avenida qualquer, me embrenho pela intimidade dos bairros, descubro uma padaria, um botequim, uma livraria, um sebo, um café, uma vila de casas geminadas, um sobrado antigo com um detalhe arquitetônico qualquer... Conheço o Rio muito bem e a cada dia que saio pela cidade eu a redescubro de uma forma intensa, como se eu estivesse chegando aqui pela primeira vez. Em geral, quando não estou escrevendo, estou lendo ou andando pela cidade.

n) O que espera (em relação a resultados ou novos projetos) agora?

Eu sou um realista-otimista. Traduzindo: sou alguém que tem plena noção da realidade, mas que sempre acredita que as coisas podem melhorar. Ainda porque ser realista é ter em conta que a realidade está em permanente mutação, que ela não é estática e que pode mudar a nosso favor. Graças a Deus, até agora, meus projetos têm dado certo, têm cumprido e até superado as minhas expectativas. Quando aos novos, acredito neles, mas não posso prever o que irá acontecer.

o) Defina seu livro. Que espécie de leitor será instigado ou gostará dele? Você filosofa no contexto ou é mais descritivo?

Você se refere ao ‘120 horas’, não é? Bem, o leitor desse livro, pelo que tenho percebido, é, sobretudo, o leitor de thrillers ou de livros policiais. Muitos me escrevem fazendo comentários. A maioria gosta e muita gente já me perguntou se o livro terá uma continuação, já que o final sugere isso. Procuro não fazer muitas reflexões ao longo da narrativa, porque isso pode implicar numa perda de ritmo que, num thriller, precisa ser ágil e constante. Mas sou, sim, um pouco descritivo, pois me preocupo em situar o leitor no ambiente em que determinada cena se desenvolve e também em apresentar a condição humana dos personagens, ainda que não faça isso de forma muito aprofundada.

p) Descreva a sensação que teve quando escreveu a última oração.

Uma sensação de dever cumprido, mesclada com alegria, um pouco de alívio e também de saudades de uma trama com a qual convivi diariamente por muitos meses consecutivos. Sempre que ponho o ponto final num livro, sinto um certo vazio. Então, trato logo de começar outro.

q) Deixe uma mensagem sua, a respeito de qualquer assunto.

Precisamos fazer do Brasil um país de leitores. Eu sei que isso já virou um chavão, mas é o único caminho possível para tirar nosso país do atoleiro em que se encontra há décadas, há séculos. Nosso povo precisa de cultura, de conhecimento e se há algo que pode proporcionar isso mais facilmente e com mais eficácia são os livros, é o gosto pela leitura regular. Vejo com tristeza como muitas pessoas letradas no Brasil não se importam com essa situação, preferindo se digladiar em discussões fúteis sobre excelência literária, enquanto o povo lá fora passa fome de conhecimento. O Brasil é um país privilegiado que tem tudo, desde uma natureza privilegiada até um idioma poderoso, que foi capaz de unir um território de dimensões continentais. Com todas as adversidades, somos, hoje, a sexta economia do mundo. Imagine o colosso que esse país será no dia em que o povo tiver conhecimento e cultura? E tem gente que ainda diz que Deus não é brasileiro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Concurso literário "Antologia Delicatta"


Recebo e repasso:

HOME:http://www.antologia-delicatta.com/index2.html

"A Associação Cultural de Escritores Cecina Moreira, uma Organização Não-Governamental, com sede na cidade de São Paulo, está promovendo o concurso literário Antologia Delicatta III – Prosa e Poesia.


Regulamento


1. PARTICIPANTES: Este é um projeto aberto a todos os escritores, de ambos os sexos, amadores ou profissionais que queiram registrar seu nome nesse painel histórico e ter um conto, crônica ou poema de sua autoria publicado em livro.


2. TEMA, GÊNERO LITERÁRIO E QUANTIDADE: Os trabalhos concorrentes devem ser redigidos em Língua Portuguesa, em formato conto, crônica ou poema (verso livre/branco, soneto, trova, haicai) com temática livre, porém não serão aceitos trabalhos que contenham palavras ofensivas e ou ideologias segregacionistas ou discriminatórias. Cada participante poderá concorrer com até 2 (dois) trabalhos em cada categoria, com até 60 linhas cada um, salvo as tipologias Haicai e Trova, onde os autores poderão inscrever 5 ou 10 trabalhos.

Por exemplo: Se o autor escolher participar na categoria soneto e trova, ele poderá enviar 1 ou 2 sonetos e 5 ou 10 trovas.



3. PARA ONDE E ATÉ QUANDO ENVIAR SUAS OBRAS


Os trabalhos, no gênero prosa ou poesia, deverão ser enviados para o e-mail dellicatta@terra.com.br .



Para o e-mail: dellicatta@terra.com.br - enviar em dois anexos, sendo que o primeiro conterá o trabalho, título e pseudônimo digitados em papel A4, em Garamond, corpo 12, espaço simples, alinhados à esquerda e no segundo anexo o autor deverá apresentar currículo resumido em até cinco linhas, contendo: nome, data de nascimento, naturalidade, formação acadêmica, principais trabalhos publicados, atividades culturais que exerce ou praticam e contato.


Na mensagem do e-mail em que foi anexado o arquivo Word, deverá constar os dados do depósito referente a taxa de inscrição: data, número da operação bancária ou número da transferência.

Seu trabalho poderá ser enviado até 11 de abril de 2008.


Parágrafo único-Cada autor responderá por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao Direito Autoral.


4. DAS INSCRIÇÕES: O valor de taxa de inscrição é de R$25,00 (vinte e cinco reais) por categoria que irá participar e deverá ser efetuada em:

Banco Bradesco S/A

Ag. 091

C-C-156469-2

A favor de Luiza Beatriz Moreira



Parágrafo único: A taxa de inscrição não será devolvida em qualquer hipótese, uma vez que seu investimento se destina a cobrir despesas administrativas.


5. PREMIAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO:

PROSA



1º Lugar Conto - A edição da obra premiada no livro Antologia Delicatta III – Prosa e Poesia, dez exemplares do livro e troféu.


2º Lugar Conto - troféu.


3º Lugar Conto - troféu.


1º Lugar Crônica - A edição da obra premiada no livro Antologia Delicatta III – Prosa e Poesia, dez exemplares do livro e troféu.


2º Lugar Crônica - troféu.


3º Lugar Crônica - troféu.



POESIA



1º Lugar Soneto - A edição da obra premiada no livro Antologia Delicatta III – Prosa e Poesia, dez exemplares do livro e troféu.


2º Lugar Soneto - troféu.


3º Lugar Soneto - troféu.


1º Lugar Trova - A edição da obra premiada no livro Antologia Delicatta III – Prosa e Poesia, dez exemplares do livro e troféu.


2º Lugar Trova - troféu.


3º Lugar Trova - troféu.


1º Lugar Haicai - A edição da obra premiada no livro Antologia Delicatta III – Prosa e Poesia, dez exemplares do livro e troféu.


2º Lugar Haicai - troféu.


3º Lugar Haicai - troféu.


1º Lugar Verso Livre/Branco - A edição da obra premiada no livro Antologia Delicatta III – Prosa e Poesia, dez exemplares do livro e troféu.


2º Lugar Verso Livre/Branco - troféu.


3º Lugar Verso Livre/Branco - troféu.




5. RESULTADO FINAL: Em 30 de abril de 2008 estará disponibilizado no site e na página da comunidade do Orkut de nome Antologia Delicatta os resultados das seletivas com a divulgação dos pseudônimos dos autores e títulos dos trabalhos selecionados.


Prêmios de Edição: Os selecionados com o Prêmio de Edição Cooperativada serão convidados a integrar o livro Antologia Delicatta III - Prosa e Poesia


Cada autor terá seu trabalho publicado mediante a aquisição antecipada de 5(cinco) a 10(dez) exemplares da antologia por trabalho selecionado, dependendo do número de páginas utilizadas. O valor do exemplar não excederá R$20,00.


7. OUTRAS INFORMAÇÕES:

O autor que concorrer na categoria Haicai deverá enviar 5 ou 10 Haicais e será selecionado e premiado pelo conjunto do trabalho enviado.

O autor que concorrer na categoria Trova deverá enviar 5 ou 10 trovas e será selecionado e premiado pelo conjunto do trabalho enviado.


Comissão Julgadora: As obras serão julgadas por uma comissão composta por jornalistas, escritores, editores e profissionais do mercado editorial, cujo julgamento é soberano.


Devolução de obras: As obras enviadas não serão devolvidas. A Associação não se responsabiliza pelas obras extraviadas ou perdidas.


Desclassificação: As obras que não seguirem as regras expressas neste regulamento serão automaticamente desclassificadas.



8) PRÉ LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA DELICATTA III PROSA E POESIA


BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO, que ocorrerá de 14 a 24 de agosto de 2008.




9) LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA DELICATTA III PROSA E POESIA: O evento realizar-se-á em um teatro em data posteriormente marcada e terá a duração de 4 horas sendo como segue:


1) As duas primeiras horas - serão destinadas a confraternização dos autores e autógrafos aos convidados no hall do teatro.

2) Terceira hora - apresentação de números de Ballet, dança e música.

3) Quarta hora -apresentação dos autores no palco e premiação dos finalistas.



9. DIVULGAÇÃO: A ANTOLOGIA DELICATTA III PROSA E POESIA será divulgada nas Instituições Públicas e Privadas, Bibliotecas, Centros Culturais, Universidades, Academias Literárias e outras entidades com as quais a Associação Cultural Cecina Moreira mantém relacionamento cultural


Parágrafo único- Os livros receberão o Registro da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e ISBN





NOTE- LINK COM O VÍDEO DO EVENTO DE LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA DELICATTA II - DEZ-2006


http://www.youtube.com/watch?v=3_BgibApTPk

domingo, 20 de janeiro de 2008

CRônica de Clevane Pessoa a partir de soneto de João Justiniano

20/01/2008 10h19
Um soneto de João Justiniano e minha crônica domingueira.

Acordo,domingueira , lá fora a umidade da madrugada chuvosa.
Cuido de mim , de tudo que é vivo aos meus cuidados:o cãozinho Lucky, as plantas, nos beirais, alimento para os pardais, as rolinhas.
E, no meu "hospital de plantas"-uma cancada onde deixo vasos com verdinhas que precisam recuperar a cor, galhos a serem entalados entre paus de fósforos, de adubação, etc-coloco um pedacimho de bolo.As formiguinhas em breve, descobre.

Abro o PC.Delasnieve Daspet, Embaixadora de Poetas del Mundo, envia o soneto do João Justiniano.Aliás, eu só soube que era soneto, quando o colei aqui, pois no corpo do e-mail, desconfigurado, conforme muitas vezes ocorre,ele veio longilineo,quase palavra abaixo de palavra.
Li e achei muito interessante.Claro, tudo que fala de asas (os leitores sabem que asas, água e lua são recorrentes em meus poemas- desde que eu era menina- me chamam a atenção).Mas há algo mais:há tempos, por ser psicóloga e também intuir, quais todas as mulheres, as histórias que se somam e subtraem na Internet.

Muitos amores e até paixões surgem.A amizade e a solidariedade florescem.Entre pessoas a quem já jamis se viu, sentiu o cheiro, beijou a mão, a boca, ou segurou nos braços.Muitos fazem amor apenas com a força cabalística da palavra.Muitos até se dizem Poetas, embora não o sejam , muitas vezes lançando borrifos sobre uma boa prosa, porque passam a escrever versos.Montadores de vocábulos, rimas,formas.De vez em quando, produzem algo de maior valia.E, no meio da casata dos Poetas verdadeiros, quem não aprenderia?Mas por que querem falar em versos?Ora, porque a Poesia é a língua dos apaixonados, que sempre buscam inovar-se, recriar-se e recriar o outro.É a língua dos anjos.A dos espiritualistas, dos crentes,dos mpísticos, dos mágicos e das feiticeiras.O próprio conceito de Deus exige um esforço poético.

E o interessante na Internet, é sua mágica, ou mesmo sua magia:quem explica de onde vem esse poder que se passa a ter? Idade passa a ser dado secundário, às vezes, até omitido.( O poeta João Justiniano, abaixo, quando fala de forma universal, generalizada e indireta sobre a relações do sêr- dele próprio também -com o espaço de ser, escreve:"o tempo não me importa, nem a idade".E esse é o grande atrativo do espaço cibernetico.Nele, as pessoas são.Gênero,raça, idade, tornam-se fatores secundários num relacionamento).
Profissionais estressados podem se dizer surfistas.Trilheiros poem se informar doutores.Impotentes podem viver sua maior potência, que é a mental e fazer amor conforme fazem os que sabem.

O imaginário é tão amplo, que é mesmo imensurável:sem limites, sem limitações.
É evidente, se tantos precisam de máscaras e muitas personas, muitas vezes dividido porque deseja multiplicar-se,há os que são, embora impalpáveis no sentido físico, verdadeiros, elas mesmas :pessoas que, muitas vezes, experenciam , pela primeira vez, o direito de expressão.Donas de casa ousam .Velhos e novos provedores de casamentos falidos, abrem outras comportas e passam a suprir-se .E a suprir quem está do lado de lá.Há uma onda de adultério não caracterizado legalmente, que pode beijar as areias de praias na amorosidade incondicional, mas também podem provocar Tsunamis -e trazê-las qual uma catástrofe.Uma paciente minha queixou-se:"Encontrei o fulano escrevendo um e-mail picante e com uma bruta ereção.Depois, decerto, ia se masturbar.E comigo, sua esposa, do lado".Chorava a ponto de sufocar-se.

Pela telinha, há, na maioria das vezes, a certeza de que pecado não existe.E soltam asas.Alados, voam um até ao outro.E dentro desse enfoque de solidão, já há a traição internética;"Ela (ou ele ),se correspondia, com o mesmo nick (ou com nicks vários!), com muita gente e eu já estava apaixonado (a) "...Parece gravíssimo, ao traído.Qual uma lésbica cuja companheira engravida de um homem, evidentemente e sente-se .Ou seja, a lógica da filosofia de vida dos internautas, é: "lá fora, na vida real, somos assim e assado.Aqui,na virtual, somos um para o outro".Há os que se entregam , qual a uma profissão de fé.

Todas as pessoas se sentem um pouco donas de seus companheiros.Donde a liberdade a dois é uma necessidade, mas quase um mito.Posterga-se ao outro o "ser feliz":"Somente a pessoa a quem amo, pode conceder-me a felicidade".E isso, é um engano, um erro cultural antiquíssimo, para quase todos os povos.Há muitas coisas que podem trazer felicidade verdadeira;a criatividade das artes, por exemplo.A oibra acabada.O reconhecimento.A busca, de per si.

Existe uma nova moral, inegável, após o advento da Internet.Se antes as fantasias eram extrapoladas ao traveseiro, no banheiro,inconfessáveis, agora, em frente à telinha," tudo pode".A fantasia atingiu o terreno do possível.

E, notem bem , não falo aqui de atos pornográficos, pedofilia, nada hediondo.Apenas de almas normais e sequiosas de atenção.Apenas o erotismo se desenroscando do ser, onde fôra subjugado por convenções:a serpente Kundalini, dormitava na base da espinha e, em frente a um computador, desenrola-se, sobe pela coluna vertebral do Internauta e até dança ao som da amorosidade que cria músicas hipnóticas vivas e/ou próprias.Não a serpente bíblica, que induz ao pecado.Não há pecado abaixo do Equador? Não há pecados na Internet! Pelo menos, não oficialmente.Então, a maioria, transige.O que? Depende do que quer ou pensa ou faz.Ou escreve, claro.

Uma de minhas pacientes me dizia que tomava banho, se vestia e penteava - quiçá, perfumava-se - para falar com o namorado.O encontro marcado certo e inconsequente . Enquanto o marido bruto dormia.E isso, sem contar que , do outro lado, o "amante"-aquele -que -ama talvez estivesse de cuecas, embriagado, ou precisando de banho.

Mas, muitas vezes, a energia flui de tal forma que muitos atravessam oceanos para conhecerem as musas inspiradoras, as mulheres românticas e sensuais com quem se correspondem.Os homens viris e sedutores.Às vezes, há decepções.Uma de minhas alunas da Oficina de Contos, no CCSB (*),contava-me que um rapaz de família simples, recebeu da correspondente, as passagens, e atravessou o País para conhecê-la.Ela usara recursos de fotoshop e
pareceu-lhe muito mais velha que ele.Se nos e-mails, MSN, ou antes, o ICQ, o rosto é um , ao vivo, poderá ser outro.Restou-lhe apenas a voz dela (conhecida por telefone), a amargura de ter sido ludibriado, despistada com muitos passeios e carinhos.Voltou deprimido,amargurado.

Mas há os que se apresentam quais realmente são.E se apaixonam , se entregam , se buscam.E se casam.Conheço pelo menso três casais muito bem casados, a partir da realidade que buscavam e encontraram.Fugir da mononia.Não obedecer a regras .Libertar-se.Ser.

Daqui a uns tempos, a Lei fará leis referentes a "trair sem sair de casa', trair por e-mail", falsidade ideológica essencialmente virtual, etc.Pois assuntos ,entre os quais,tais golpes dados em mulheres frágeis, já acontecem fora da telinha.

A "dura Lex, sed Lex" (**),basear-se-á nas mesmas normas, mas com setas específicas para internautas.E quando se tratar desse tipo de violência contra a mulher, ela será específica;enganada virtualmente.Chantegeada pelo internauta de nick tal...

Mas, depois desse longo parênteses, retorno ao soneto de João Justiniano.

Que trata da sensação de paz e liberdade que se experencia em frente ao computador.Da liberdade plena ("aqui,eu sonho e gozo", atesta-se o sonetista).De reviver os tempos da juventude ("o ardor da novidade', "em pleno reverdor").

E nesse redescobrir-se, ele, que no primeiro verso do primeiro quarteto, afirma que o paraíso está dentro de sua própria casa, depois reconhece mais,esse poeta alado :"Sou eu o paraíso".
Adorei, pois ritmo e precisão, João Justiniano nos mostra que a forma mais bela e simples de encontrar a felicidade, é encontrar-se.O paraíso existe e está dentro de nós mesmo!

Clevane Pessoa de araújo lopes
Poeta Honoris causa,pelo Clube Brasileiro de Língua Portuguesa

Poeta del Mundo, Z-C em belo Horisonte, MG.

Diretora Regional do InBrasCI em belo Horizonte, MG.

Delegada por MG e BA, da ALPAS XXI(A Palavra do Século XXI).

Patroness da AVSPE.

(E aqui, reafirmo:não cito a titulação, por mim , mas para homenagear as entidades que me honraram mao concedê-las- e para divulgar sua existência.

Belo Horizonte, MG,20 de janeiro de 2008

pessoaclevane@gmail.com

http://clevanepessoa.net/blog.php

http://clevanepessoa.blogspot.com

(*) CCBS:Centro Cultural São Bernardo, um dos muitos pontos culturais colocados nos bairros, pela prefeitura da capital mineira e que prestam relevantes serviços culturais às comunidades .

(**)"Dura Lex, sed Lex", em latim, "A lei é dura, mas é a Lei!)

Abaixo, "PARAÍSO":


PARAÍSO
18-01.08
João Justiniano
www.joaojustiniano.net

O paraíso está em minha casa,
aqui à frente - no computador.
Aqui eu sonho e gozo, vivo o amor
e a iluminação que o sonho abrasa.

Aqui, senhora, vem e não se atrasa,
a íntima paz de quem revive o ardor
da mocidade e em pleno reverdor,
e ainda quer voar, que o vôo o apaza.

Sou eu o paraíso. Em febre estala,
arde-me o coração e o sonho embala
como ao filho, no colo, em feriado...

O tempo não me importa, nem a idade.
A vida é simples na felicidade
de ser eu mesmo e ser poeta alado...




Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 20/01/2008 às 10h19
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sábado, 20 de outubro de 2007

Alexandre Santos e "O Moinho", entre outros assuntos.

Alexandre Santos para mim
8 out

Clevane,

Lá vão as respostas:

Nasci e fui educado em Recife. Depois de graduar-me em engenharia civil pela UFPE, cumpri os cursos de especialização em Transportes Urbanos e Trânsito na UFCE e de mestrado em Engenharia da Produção na UFPE. Atualmente, sou mestrando em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste.
Iniciei minha atividade profissional no Denatran, em Brasília, tendo, em seguida, me transferido para a prefeitura da cidade do Recife, onde exerci diversos cargos, inclusive a secretaria-adjunta de Transportes e Obras.
Entre algumas condecorações recebidas, a que mais me orgulha é o grau de Comendador da Ordem do Mérito Capibaribe.
Além de filiações a entidades profissionais e sindicais, como UBE (União Brasileira dos Escritores), onde exerço o cargo de presidente; CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), onde milito na Câmara de Engenharia Civil e presido as comissões de Ética e do Mérito, e Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, sou membro do Instituto de Estudos Políticos e Sociais da Sociedade Pernambucana de Cultura e Ensino, Instituto Solidarista de Estudos Políticos e Sociais, onde atuo como coordenador de formação política, e, finalmente, do Clube de Engenharia de Pernambuco, onde exerço o cargo de Presidente.

Sou presidente da Academia de Artes e Letras do Nordeste Brasileiro e secretário-geral da Academia Brasileira de Autores Solidaristas.

Além de engenheiro da EMLURB (Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife), sou editor-geral do informativo ‘A Voz do Escritor’, semanário da UBE, vice-presidente da Associação de Ensino Superior de Pernambuco, membro do Conselho de Política Cultural da Cidade do Recife e do Conselho Editorial da Revista Mercado S.A.


1)Desde quando sente necessidade de escrever?

Acho que desde que nasci. Sempre fui um garoto muito solitário. Minha maior diversão era a leitura. Meus maiores amigos eram os personagens das revistas de quadrinhos. Eles me 'falavam' em linguagem escrita e era com esse tipo de linguagem que eu me comunicava com eles. De vez em quando eu escrevia ao lado dos quadrinhos, mandando recados para os meus amigos desenhados.

2)Há escritores em sua família? Isso o motivou? Sofreu alguma influência?

Minha mãe dizia que meu avô, Manuel Gomes de Abreu (que não cheguei a conhecer), era poeta. Mamãe contava que, às vezes, meu avô acordava no meio da noite e, para não perder a inspiração, corria para escrever vestido da forma como estava. No ramo paterno da minha família, temos o jurista Luiz Pinto Ferreira, grande escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras.

Não sei, no entanto, se a presença de escritores na família tenha me motivado a escrever. Acho, mesmo, que foi minha relação de amizade com os personagens das revistas de quadrinhos.

3)Possui algum momento certo para escrever, ritual ou supertição? Ou escreve sempre que chega a inspiração? É sitemático ou livre nesse exercício?

Não tenho um momento certo para escrever. Na realidade, hoje, com as minhas inúmeras atividades, escrevo sempre que tenho tempo.

4) Que livros já publicou?

Foram muitos. Incluindo os livros de política, economia, administração e literatura artística, já foram publicados 21 livros (Os retirantes, A inevitável primavera; Teoria do Valor; Economia & Poder; Solidarismo: O Brasil para todos; Subsidiariedade econômica: a opção decisiva; O desenvolvimento integrado dos campos; Em debate; O debate continua; O fim do ciclo liberal; O direito ao trabalho remunerado; A face oculta do mercado; Curso básico de Matemática Financeira; Curso básico de dministração de Materiais; Curso básico de Avaliação de Projetos de Investimento; Manual de administração de pequenas empresas; O ato de produção; O moinho (publicado em Cuba, pelo Editorial Arte y Literatura, sob o título 'El molino');O attaché; Bastidores & Camarins; e G'Dausbbah)

5) A que atribui o sucesso de "O Moinho"?

O moinho é um livro que trata da eterna luta pelo poder, pelo controle político e econômico do planeta, num quadro de globalização. Talvez a identificação das pessoas com as situações vividas no enredo, talvez a atualidade das ameaças, talvez o tema, talvez uma combinação de tudo isso expliquem o sucesso alcançado pelolivro.

Hoje 'O moinho' não me pertence. Ganhou o mundo e cada um o interpreta de um jeito. Foram argumentos distintos, tomados por pessoas que circulam em ambientes completamente diferentes, que justificaram a concessão do prêmio de melhor romance em 2007 pela Academia Pernambucana de Letras (uma casa litarária convervadora) e a publicação do livro pelo Editorial Arte y Literatura do Instituto Cubano do Livro (uma casa evidentemente progressista).

'O moinho' está aí e cada um o gira como quer.

6) O prêmio recebido o supreendeu?

Eu acho 'O moinho' muito bom. Quando leio trechos de 'O moinho' tenho a impressão de que ele foi escrito por outra pessoa. E, aí, sou tomado de uma sensação contraditória, pois, de um lado, acho que 'O moinho' tem méritos para vencer qualquer concurso literário e, de outro, acho que eu, o autor, não estou ao nível dos prêmios que o livro recebeu.


Quem versou para o espanhol?

Com o título ‘El molino’, o livro foi traduzido para o espanhol por María de los Ángeles Rezk, uma especialista em lingual portuguesa que trabalha na Universidade de Havana.


7)Você escreve poesia?

Nos últimos anos, premido pela falta de tempo, comecei a escrever poemas. Num estalo, me entregava ao instinto e deixava a pena falar por mim. Como conseqüência desta 'técnica' surgiram os poemas que compôem o livro G'Dausbbah, lançado no ano passado. O poema 'G'Dausbbah' é um épico que, numa perpectiva otimista, trata da velha luta entre o bem e o mal, envolvendo demônios, anjos e tudo o que eles representam.


Há mercado, nem Pernambuco, para a poesia?

Pernambuco, como todos os Estados do nosso querido país, vive em permanente crise. Por falta de dinheiro, as pessoas não conseguem adquirir aquilo que gostariam. Assim, sem medo de errar, afirmo que Pernamabuco é um campo fertil para a poesia e para os poetas, mas não para se vender poesia ou qualquer outro tipo de arte. Não por falta de público, mas por falta de dinheiro no bolso das pessoas.


Você considera que o nordestino, em geral é poeta, tem alma poética? E o pernambucano? A que atribui isso? Há muitos poetas na UBE/PE?

Todos nós temos em nosso interior um artista. Uns, por timidez, mantêm este artista preso, privando a sociedade da beleza que poderia estar solta, animando os ambientes em que circulam. Outros, por temperamento, o soltam. Aqui, no nordeste e, em especial, em Pernambuco, as pessoas têm mais facilidade de liberar o artista que anima a nossa alma. E, então, surgem poetas em cada esquina, em cada bar, em cada mercado. Na atualidade, assistimos, ao lado dos poetas tradicionais, o surgimento de uma nova geração de artistas, embalados por novas expressões como o chamado 'novo repente', a poesia experimental, a poesia visual e a poesia marginal, que se inspira nas diversas faces urbanas.

Embora conhecida como 'A casa do escritor', a UBE bem que poderia ser chamada 'a casa do poeta'. Temos, entre nós, muitos poetas. Poetas de todos os tipos. Dos que cantam a cidade e dos que cantam o sertão. Dos tradicionais, que seguem Bilac, e dos pós-tudo, que chegam a criar novas linguagens. A UBE é um caldeirão de literaturas e de literatos, sempre prestes a explodir e apresentar ao mundo novidades além da imaginação.


8) Qual o funcionamento da UBE/PE?

A UBE tem um funcionamento básico fincado projetos literários próprios, apoio a entidades e projetos literários externos e suporte a atividades correlatas. Entre os projetos literários próprios, destacam-se 'A ficção em Pernambuco' - projeto realizado desde novembro de 2005 em parceria com a livraria Saraiva, que consta de sessões mensais oferecidas no Espaço Manuel Bandeira, no Shopping Center Recife, em homenagem à obra de um autor pernambucano ou, excepcionalmente, de autores de outros estados nordestinos - ; 'A arte e a cultura em Pernambuco' - projeto realizado dedes março de 2006 em parceria com a livraria Cultura. Consta de sessões mensais oferecidas no auditório daquela livraria, no Shopping Paço Alfândega, em homenagem à obra de um autor pernambucano ou, excepcionalmente, de autores de outros estados nordestinos - ; 'Quarta-às-Quatro' - projeto participativo idealizado pelo poeta Vital Correia de Araújo, que, desde março de 2003, em eventos semanais abertos ao público às [como o nome insinua] 16h00 das 4ª feiras, reúne escritores de todos os gêneros literários nos jardins da UBE, em saraus abertos a todos os interessados, com temática livre. Entre as entidades e projetos literários apoiados pela UBE, se destacam o 'Café com Poesia' - projeto literário da Assembléia Legislativa de Pernambuco, que, desde março de 2007, vem tendo o apoio da UBE-PE em sessões mensais que, intercalando homenagens à obra de autores vivos e mortos, valoriza escritores pernambucanos -; e a 'Oficina de Carrero' - Oficina literária oferecida pelo acadêmico Raimundo Carrero na sede da UBE-PE desde 1996.


9)Depois do sucesso de O Moinho, tem outro livro em mente?

Sempre tenho dois ou mais livros em gestação. No momento, embora tenha dado prioridade a minha tese de mestrado (Uma abordagem da Economia de Comunhão como estratégia para o desenvolvimento local), há um romance intituldo 2020 em andamento. Espero concluí-lo no próximo ano.


É fácil conciliar sua profissão com o ofício de escrever?

Tudo é uma questão de prioridade. Trabalho e lazer. Lazer e trabalho. Procuro transformar o trabalho em lazer e vice-versa.


10)Sua esposa, como vê essa sua face de autor? Ela também escreve?

Minha mulher me deixa pensar e escrever. Administra as contas da família e tudo o mais. Não sei se conseguiria escrever se não fosse ela. Ela não escreve. Fala e, algumas vezes ,num estilo que classifiquei como 'reprimendas poéticas"


11) Quais as medidas políticas de que o Brasil precisa tomar para empoderar os escritores nacionais?

Para completar o círculo da literatura, há a necessidade do escritor ser acompanhado pelo leitor. Assim, a primeira coisa que devemos pensar num projeto de fortalecimento dos escritores é criação de uma país de leitores. Para isto, muitas providências devem ser adotadas, desde as campanhas de incentivo a leitura ao aumento radical do número de bibliotecas públicas, passando pela redução do preço dos livros, etc. Se lidos, os escritores naturalmente ganham poder. Este é um processo que deve ser acompanhado por uma série de medidas que visem, de um lado, descentralizar os núcleos de decisão (atualmente são extremamente concentrados no eixo Rio-São Paulo), e de outro estimular a criação de esquemas de distribuião dos livros.


Porque acha que a profissão de escritor e de poeta não é reconhecida, embora a de roteirista, por exemplo, o
seja (assim qual a de dramaturgo também não, embora a de ator o seja)?

Este é um dos místérios que passam ao largo da minha modesta capacidade de compreensão do mundo.

Os escritores nordestinos ou os pernambucanos têm algum plano de ação, de demanda em relação ao MINC, em prol dessa "profissão: escritor" ou pretendem continuar exercendo-a paralelamente a outra?

No momento, estamos exercendo algum tipo de pressão no sentido de democratizar a Câmara Setorial do Livro e da Leitura do MinC, que, de forma contraditória ao espírito anunciado, concentra todo o poder decisõrio do organismo na região sudeste. Entendemos que, enquanto esta questão não for resolvida, não há como resolver as demais.

Há, no Estado, algum escritor que viva apenas de escrever ou poeta, de fazer versos?

Confirmando a regra de que 'ninguém vive de literatura', existem algumas excessões. É o caso do poeta Jessier Quirino que, sendo arquiteto, prefere ganhar a vida com literatura.


Que pensa dos escritores terem um salário para poderem apenas escrever?

Esta é uma tese interessantíssima, que se enquadra no espírito da renda universal. Há, em Pernambuco, um instrumento de subsídio a personalidades e entidades culturais consideradas 'patimônio cultural vivo' que beneficia uns poucos artistas.

12) Deixe umas palavras para os leitores do blog,ou mensagem para autor nacional

Nossa responsabilidade é muito grande. Temos que fazer da nossa arte e da nossa capacidade de influenciar pessoas uma tricheira de defesa da palavra. Não podemos deixar que as palavras sejam manipuladas para atender a interesses espúrios. Não deixar que elas sejam usadas de forma irresponsável para que assumam significados diversos dos seus, de modo a confundir as pessoas em sua boa fé. A bela palavra LIBERDADE, por exemplo, que significa o oposto de cativeiro, indicando o direito das pessoas fazerem ou de não fazerem aquilo que esteja ao seu gosto, não pode ser usada em contextos limitados ou para designar a condição de pessoas cativas, acorrentadas pelas angústias da vida. Este, talvez, seja o maior desafio dos escritores.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

J.S.Ferreira,aldravista.


05/10/2007 16h06

Foto:em primero plano, Sebastião, em pé, J.B.Donadon e depois, Gabriel Bicalho, todos poetas aldravistas.


Entrevista com o autor de Jenipapo,J.S.Ferreira,aldravista, de Mariana,MG
Foto:J S Ferreira (sentado, em primeiro plano), no projeto Escola viva, em Mariana, quando aldravistas levam Poesias às escolas.:

Após ele, em pé, J.B.Donadon e, sentado, Gabriel Bicalho, ambos Poetas sobre os quais estamos sempre a publicar algo neste blog.

Sem dúvida, levar à escola arte, literatura,poesia, é um grande
feito, que plantará nas pessoas em formação, as sementes do belo.



NOTA BIOGRÁFICA

J.S.Ferreira, nome literário de José Sebastião Ferreira, nasceu em 17/02/1954, em São Gonçalo do Rio Abaixo, Minas Gerais.
Poeta e escritor, formado em Letras. Recebeu várias premiações em Concursos estaduais, nacionais e internacionais de Literatura.

Participou de várias antologias poéticas a nível nacional e feiras de livros e de exposições de poemas nas cidades de Belo Horizonte, Montes Claros, Mariana - MG.

Detentor da “Medalha E. D’Almeida Vitor” – Revista Brasília-DF.

Autor dos livros de poesia :

“Lixos & Caprichos” – Editado pela CMC Consórcio Mineiro de Comunicação Ltda – BH, em 1991,
“Bateia Lírica” – Gráfica Ouro Preto-MG, em 1996.

Participação no Livro “Aldravismo – A Literatura do Sujeito”- pela Editora Aldrava Letras e Artes – MA-MG. Obra analisada em J.B. Donadon-Leal “Leituras, Ciência e Arte na Linguagem” – Editora UFOP, 2002.

Participação na série “Poesia de Bolso, 2003”- do CLESI – Circuito de Literatura – Ipatinga-MG. Participação no Livro “Poesia de Bolso” volume -03, CLESI-Ipatinga-MG, 2004.

Criaturas & Caricaturas (Textos J.S.Ferreira e Caricaturas de Camaleão) – 1ª Exposição – SESI-Mariana-MG, de 10 à 31 de maio/2005 e 2ª Exposição de 06 à 10 de Junho /2005 no (Patronato) - 1ª Semana de Letras – UFOP- Santa Bárbara-MG.

Co-autor do Livro “Nas Sendas de Bashô”, 2005, pela Editora Aldrava Letras e Artes – MA-MG.

Recebeu “Menção Honrosa” no 4º Prêmio Nacional de Poesias Cidade de Ipatinga-MG/2006 e 5º Lugar no 21º Festival Estadual de Poesia, em Ipatinga-MG. E 4º Lugar no “XIV Concurso de Poesias, Contos e Crônicas” da Academia de Letras de São João da Boa Vista-SP/2006.

Título de “Mérito Cultural” – UBE – Rio de Janeiro/2006.

Possui publicações esparsas em diversos jornais do país. Atualmente é Vice-Presidente, Tesoureiro e colaborador do Jornal Aldrava Cultural, em Mariana-MG. É membro do Movimento “Poetas del Mundo” e membro efetivo da Academia Marianense de Letras – Cadeira nr. 12.

ENTREVISTA



1) Você, que é poeta há tantos anos, por que sente afinidades com o aldravismo? O que é ser aldravista, para você?

- Sou um dos fundadores do aldravismo e, por isto, comungamos os mesmos ideais literários e educacionais. Trabalhando com vários textos curtos, exploro a metonímia que privilegia a parte como o todo, o que caracteriza bem o nosso aldravismo. Sinto-me bem à vontade no grupo aldravista, cujo movimento insiste em abrir portas para interpretações inusitadas dos acontecimentos cotidianos, em relatos de só aquilo que o artista viu. Para mim, ser aldravista é usufruir de uma convivência com vários autores de vários níveis culturais, sem prejuízos à minha produção cultural ou preconceitos.

2) Na próxima Feira do Livro de Ipatinga, você lança seu livro para público infantil, JENIPAPO". Desde quando, você escreve para crianças?

- Desde que me interessei pela Literatura, procuro escrever textos compreensíveis pelas crianças, que são um dos meus alvos preferidos, porque tive uma infância privilegiada e diferenciada, tendo um convívio sadio com os livros e com a natureza, que sempre estiveram presentes em minha vida.

3) O que o motivou ao título, à história?

- Dentre os textos inseridos no livro, alguns dos temas desenvolvidos citam o jenipapo, árvore nativa da região em que nasci. Essa árvore sempre esteve presente em minha memória, porque quando eu ainda criança sentia uma certa atração pela aparência dela e pelo sabor de seu fruto. Tive bons momentos junto a uma jenipapo e dela guardo as melhores recordações.



4) É comum, por exemplo, em dinâmicas de grupo, que profissionais de saúde, de educação, usem literatura infantil. Jenipapo vai se prestar á multiplicidade de leituras e atingir até ao público adulto? Qual a lição de "Jenipapo", se puder falar, sem contar o enredo, claro...



- Espero que o livro venha a despertar nas pessoas, especialmente nas crianças, o gosto pela leitura e a conscientização quanto à conservação da natureza, tão depredada nos dias atuais.



5) De que forma aconteceu a parceria que lhe possibilitou editá-lo?

- Ao longo dos anos, venho participando de vários concursos literários realizados pelo Clube dos Escritores de Ipatinga – CLESI, nos quais venho obtendo sucesso. Agora, com a parceria da Aldrava Letras e Artes com o CLESI, foi-me possível a edição do livro Jenipapo, o que considero como um prêmio de reconhecimento ao meu trabalho literário.



6) Como a capa e as ilustrações foram criadas? Você recebeu um desenho para aprovação, ou inferiu diretamente no processo criativo?

- Não inferi nem interferi em nada e nem tive participação na criatividade da artista ilustradora, que se inspirou nos textos que escrevi. Assim, deu nova roupagem e uma plasticidade perfeita ao que propus nos textos.

7) Pretende escrever mais livros para crianças?

- Claro. Tenho novos projetos em andamento, no aguardo de novos patrocínios, para serem editados.

8) Onde está o poeta no contador de histórias para a infância? Há um entrosamento (entre Poesia & Prosa) ou o processo acontece separadamente?

- No meu caso, não há interferências da prosa em minha criatividade poética. Expresso o que sinto, em poesia, e não me preocupo em contar estórias, porque a proposta do livro Jenipapo e totalmente poética, apesar de estar direcionada ao público infanto-juvenil.

9) Quando publicará novamente um livro de poemas? Algo em vista?

- Como disse, anteriormente, tenho outros livros escritos e aguardo patrocínios, para editá-los.

10)Deixe uma mensagem...

- Estamos em Mariana, Minas Gerais, buscando fazer Cultura sem verba. Graças a Deus, temos conseguido alguns pequenos patrocínios de pessoas físicas e jurídicas sensíveis à nossa causa, cujos resultados vêm sendo notados em todo o país, visto que a nossa Aldrava Letras e Artes tem sido merecedora de aplausos nos diversos meios em que atua.

Eu, particularmente, tenho três livros editados: dois, sob o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce e o Jenipapo, apresentado pelo CLESI e sob patrocino da USIMINAS.

Resta dizer que a nossa Editora Aldrava Letras e Artes é a Editora responsável pelo ISBN dos vários lançamentos do CLESI, para o 2º Salão do Livro de Ipatinga-MG.

Agradeço-lhe a oportunidade de poder manifestar-me a respeito do meu trabalho e peço a Deus que lhe dê muita saúde e disponibilidade para dedicar-se às nobres causas literárias, com você sempre vem fazendo.
Parabéns a você pelas perguntas inteligentes e muito obrigado por tudo quanto vem fazendo por mim e por nós da Aldrava Letras e Artes.

José Sebastião:Obrigada e meu especial abraço para vc.Saiba que conhecer você pessoalmente, e aos aldravistas, foi um dos grandes ganhos,para mim , em 2007.O trabalho de vocês é constante e tenaz e , em relação às crianças e adolescentes marianenses, sem preço: levar-lhes , na Escola, a beleza das Artes e das Letras.Com Jenipapo, você afiança essa transmissão necessária.Parabéns.

Clevane





Publicado originalmente em http://www.clevanepessoa.net/blogspot.com
por clevane pessoa de araújo lopes em 05/10/2007 às 16h06

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