quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Jaak Bosmans


A multiplicidade de caminhos e trajetórias na vida de Jaak Bosmans, torna-o dono de um raciocínio complexo, vendo a mesma coisa por diversos ângulos, inclusive , desenvolve, por estilo próprio, o gosto por querer escrever sobre aspectos inusitados ou impensados de determinados temas.

O poeta mostra sempre apurado espírito crítico e senso de humor, gostando de usar ironia fina, um dos traços de seu caráter.

Cresceu numa casa onde a Música (seu pai era maestro) e a Arte (sua mãe foi Diretora do teatro Francisco Nunes) eram lugar comum , preenchendo seu universo pessoal.As influências, portanto, forma precoces e sobejas.

Neste ano de 2010, aconteceu em diversos setores , firmou seu caminho poético, recebeu diversos títulos , menções e prêmios, ampliou-se em seu próprio âmbito e no coletivo.

Leia sua entrevista e entenderá.








Colunista Raimundo Nonato, recepciona Jaak Bosmans, na Noite das Personalidades (maio/2010) , em Taubaté-SP, quando o agraciou com o título de Destaque 2009




Jaak Bosmans e Conde Thiago Menezes, representa-me na Noite das personalidaes-Taubaté.





Jaak Bosmans e o Conde Thiago Menezes.Ceromônia de entrega do Título "Personalidade do Ano"-Destaque.







Jaak e Arias Manzo, Presidente fundador de Poetas del Mundo.





Jaak Bosmans, com a artista plástica Iza Perez


A-Ficha (minibiografia):

Nome, naturalidade, estado civil, local de residência, formação, profissão, afiliações, títulos e prêmio.

Jaak Bosmans

Arthur Jaak Wilfrid Bosmans

Nascido em Belo Horizonte em 29 de novembro de 1950

Filho de Arthur Louis Joseph Jean Bosmans e Walkyria Bosmans

Viúvo com dois filhos (um casal)

Morando atualmente em Belo Horizonte

-Formação em música, (pianista e guitarrista) aprovado pela OMB em 3/11/1967

-Belas-artes –Aluno ouvinte (sem idade para cursar) na GUIGNARD

- Engenharia de Operação Mecânica na UFMG

- Cinema- pelo curso para estrangeiros da Agfa Gevaert –Bélgica

-Publicidade e Propaganda- Reconhecido pela Legislação 57690 de 01/02/1978

-Roteirista e Diretor Cinematográfico- pela Legislação 82385 de 05/10/1978

-Fotografia- autodidata


"Em todas as atividades deixou uma marca inconfundível de sua linha sempre, imaginativa, criadora, e sempre surpreendente, o que lhe conferiu vários prêmios e títulos".

-Embaixador da Paz pelo “Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix ”-Suiça/França. –

-Medalha de Mérito Cultural “Anita Garibaldi” da FALASP

- Medalha Centenário Dr. Mário Penna , pelos serviços prestados ao Hospital do Câncer

-Presidente da Academia de Artes, Letras e Cultura “Maestro Arthur Bosmans”

-Vice Presidente da Universidade Planetária do Futuro

-Coordenador do Núcleo ARTFORUM Brasil XXI – B.Hte.

-Membro da CAPPAZ ”Confraria Artistas e Poetas pela Paz”

-Membro da AVSPE “Academia Virtual Sala dos Escritores e Poetas”

-Humanista Honoris Causa, do “Clube Brasileiro da Língua Portuguesa”, em razão da excelência de sua obra a favor dos Direitos Humanos.

-Cônsul Poetas Del Mundo-Ambientalista e humanista com reconhecimento Nacional e Internacional com diversas participações em campanhas pela Paz e Meio Ambiente.

Criador do movimento lítero-visual “POEMAGEM-







B-Entrevista



Jaak, obrigada por responder, sabendo-o sempre ocupado , o agradecimento é duplo.

.

1-Fale um pouco de suas relações com a Internet.O advento da Internet trouxe alguma modificação à sua vida?

No início, como toda e qualquer novidade, eu tentava entender o mais possível, e como bom brasileiro sem ler “manual de instrução! Fui na experimentação mesmo. Perdi muita coisa e demorei um pouco mais para me acostumar e principalmente, saber tirar o máximo proveito desta nova mídia. Na época em que mais me debrucei sobre a Internet, foi quando professor da Universidade, e alí senti que não há como aprender e muito menos ensinar sem um mínimo de conhecimento e habilidade para utilizar os recursos que a internet nos oferece.



2-Do que v. gosta mais, o inter relacionamento, ou as possibilidades tecnológicas?

Uma coisa depende da outra. A questão está mesmo na “educação”.



3-Em que seu trabalho pessoal foi beneficiado?

O maior benefício foi a facilidade de divulgação, sem dúvida. E a interatividade com quem tem acesso ao nosso trabalho, para mim é o mais importante. Antes vc escrevia um livro e raramente seu leitor te enviava algum comentário. Hoje, com as possibilidades que temos na internet, nossos leitores conversam e podem comentar quase que imediatamente após a apresentação de sua obra. Isto pode servir até mesmo como um excelente laboratório, antes de lançar alguma obra em definitivo.



Gosta de redes e comunidades ?Se sim,por que?

Gosto. São lugares onde encontramos dentro de diversos temas que nos interessam, pessoas que nos acrescentam com outras visões sobre o mesmo assunto e até mesmo desmistificam muito do que acreditamos durante anos ser uma verdade.



Acredita em amizades virtuais?

Claro! Tenho amigos virtuais desde que comecei com orkuts, redes, comunidades, e pessoas maravilhosas. Algumas usam máscaras (avatares), que acho ótimo. São verdadeiros, enquanto muitos dos chamados amigos presenciais usam máscaras piores, que são as máscaras sociais.



E amores?

Tive! rsrrsrsr



Quais os aspectos negativos da Internet, para você?

Claro que somos bombardeados por milhões de informações, e entre elas existe um grande número de falsas informações, manipulações religiosas, políticas, e até mesmo alguns incentivos à maldade à brutalidade, ao desonesto. E principalmente da banalidade da sexualidade, e do uso de drogas.





2-Jaak, você vem , há algum tempo, desenvolvendo uma técnica poética denominada "Poemagem".

Quando criou a primeira?

Criar no sentido de realizar, foi em novembro de 2001, mas a conceituação e só em 2002, depois de bem definido os requisitos para se enquadrar no que deveria ser a “poemagem”



Desde quando?

A partir de 2005 a “poemagem” começa a despontar e ser (como qualquer nova proposta), a receber algumas resistências por parte daqueles que já haviam acostumado com uma linha mais “costumeira” ou menos surpreendente talvez.



Qual o diferencial de seu trabalho, para simples "ilustrações "?

A ilustração é a inserção de uma releitura de um conto ou de um poema, onde o artista não se compromete com a exatidão (e nem deve) com a idéia do poeta ou escritor, mas dá sua interpretação ou a um personagem , um lugar, uma situação descrita pelo autor. A “poemagem” não, os elementos devem se fundir, num só “retrato”: imagem e texto se complementam.

Daí a importância de vários conhecimentos e recursos tanto criativo como técnicos.

Uma poemagem pode ter como ponto de partida uma imagem, ou um texto.È preciso ter uma boa formação em direção de arte, para uma boa integração dos meios, sem que um sobreponha o outro, e ter um conhecimento e habilidade para a utilização de programas e suas ferramentas como Web designer. É importante entender que a proposta da poemagem é, e deve ser um trabalho conjunto, como uma música, onde existe o músico, o letrista, o arranjador, o intérprete, e onde a possibilidade de integrar as diversas manifestação poéticas em harmonia é o grande desafio.





3-Neste ano de 2010, você recebeu algumas homenagens, gostaria de nos contar sobre elas?

A primeira delas (final de 2009) foi na Casa das Rosas, onde a ArtForum, através da sua presidente Ana Felix Garjan, me conferiu o diploma da Academia Arthur Bosmans, Academia esta, criada pela ArtForum em homenagem aos cem anos de meu pai, e da qual recebi também a Função de Presidente.

Logo depois convidado pela própria Ana Garjan assumi a vice- presidência da Universidade Planetária do Futuro, pelo meu trabalho pela Paz e Ecologia.

No Encontro dos Poetas Del Mundo em BH, recebi também o título de Cônsul Poetas Del Mundo- Bairro Serra BH, da Presidente Delasnieve Daspet e do Fundador Arias Manzo.

Do Clube Brasileiro da Língua Portuguesa, recebi, indicado por Silvia de Araújo Motta o Título de “Humanista Honoris Causa, pelo Clube Brasileiro da Língua Portuguesa, em razão da excelência de sua obra a favor dos Direitos Humanos”

Não muito depois recebi, indicado por você, o Título de Embaixador da Paz, pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix – Genebra/Suiça.

Logo em seguida recebi, o Destaque 2010 pelo trabalho das Poemagens numa grande festa em Taubaté organizada pelo Conhecido Colunista Raimundo Nonato, representante da FALASP em Taubaté, onde tive a honra de conhecer o Conde Thiago de Menezes, Presidente da FALASP,e que em Agosto, num Evento na Casa da Fazenda do Morumbi, me concedeu a Medalha de Mérito Cultural “Anita Garibaldi” por indicação da artista Plástica e Comendadora Adaljiza Cuan.


4-Sabemos que você frequentemente se apresenta como representante do Poetas del Mundo. Como se sente dentro da entidade, na qualidade de brasileiro, de pessoa, de poeta?

Existiram algumas mudanças desde que integrei o movimento, e não poderia no momento, precisar o sentimento que tenho hoje com a “associação”, o que me deixa muito à vontade, para dizer as “impressões” que tenho. Minas precisa se apresentar e se erguer com mais presença, seja política ou poeticamente, dentro da “Associação”. Para isto é necessário que os diversos grupos de poesia pela paz, (que são muitos aqui em Minas), se unam em torno da Associação, onde Poetas Del Mundo, passe a representar a UNIÃO de todos estes grupos, e não uma disputa.


Há algo mais que poderia acontecer? Que sugestões lhe ocorrem para os Poetas del Mundo , no Brasil?

Não entendo muito bem os critérios adotados na escolha de algumas atuais funções depois de ter se tornado uma Associação, mas pelo pouco que conheço, algumas escolhas têm sido fator de uma certa descrença por parte (e com razão) de alguns membros.Conhecendo o movimento e alguns de seus Eventos em outros países, principalmente no Chile, onde tenho Alfred Asís como referência de trabalho pelo “Poetas Del Mundo”, é preciso reavaliar o resultado das funções que estão sendo ocupadas atualmente, muitas vezes por gente que tem boas intenções, mas não têm a ação necessária. Outras que não agregam, até por questões políticas, “carismáticas”, e até mesmo pessoais, fazendo com que alguns membros até se afastem ou não participem como poderiam. Sei que é impossível agradar “gregos e troianos”, mas a escolha dos cargos e funções deve ter um critério para que se possa ter no mínimo uma convivência PRODUTIVA, com a participação tanto de gregos como de troianos.

Para isto acredito que deveria se criar um grupo de “consultores” e um Conselho para analisar não só o potencial individual do possível indicado, mas o perfil do mesmo na qualidade de agente agregador.



5-Com mais de cinco décadas de existência, qual foi a maior lição de vida?

A maior delas na verdade é a soma de todas elas. Acredito que poucas pessoas tiveram a oportunidade e o privilégio de vivenciar tantas como eu.



6-Você é o presidente da Academia Arthur Bosmans, que faz parte da UNIFUTURO, (Universidade Planetária do Futuro, presidida pela poeta e artista plástica Ana Felix Garjan, que pensa alto e projeta suas idéias à frente de nosso tempo) , fruto do grupo antes apenas familiar ArtForum, que abriu esse importante espaço para você. Como surgiu a idéia de homenagear seu pai e quais as suas relações com ele, enquanto vivo? Ele marcou sua vida? Como?

A idéia de homenagear meu pai, pela contribuição dele com músico, compositor, no seu Centenário, foi uma iniciativa minha. Contei com a ajuda de seus ex-alunos de composição e regência, Oiliam Lanna,Cláudia Cimbleris, que contribuíram com algumas idéias, participaram de algumas reuniões para a realização de um projeto inicial. Uma vez definido de que constaria esta homenagem, trabalhei então na apresentação do projeto, com toda a estrutura necessária, para que fosse um evento que marcasse bem a história e a obra que ele deixou, e que poucas pessoas conhecem ainda. Contei então com todo o apoio de um de seus grandes admiradores e assessor da Secretaria de Estado da Cultura, Nestor Sant’Anna, que reunindo com o então Secretário de Estado da Cultura, Paulo Brant, que não só aprovou, mas viabilizou com muito entusiasmo e sensibilidade, todo o projeto apresentado. Aconteceram então, vários pequenos concertos, entrevistas, na Rádio Inconfidência, uma grande cobertura da TV Minas, culminando num Concerto Sinfônico no Palácio das Artes, para onde foi transportado todo material, e montado uma retrospectiva da vida dele, com uma exposição logo no foyer do teatro, com objetos pessoais, fotos, retratos feitos por grandes artistas amigos.

Suas obras foram regidas pelo seu ex-aluno Oiliam Lanna, e durante todo o mês, outros eventos em sua homenagem aconteceram em várias escolas de música, com debates, apresentações de outras obras não sinfônicas. Era o mínimo que eu poderia fazer por ele.

Um homem que muito mais que um pai foi meu melhor e mais fiel amigo.E não fosse toda a sua confiança em meus projetos, seu incentivo sempre em tudo que eu me interessava desde cedo, principalmente na área das artes, eu não teria tido as oportunidades nem os conhecimentos que ele sempre me passou. A maior marca que ele deixou na minha vida foi a marca da simplicidade, e da sabedoria, aliada a um bom gosto e a uma grande ironia, num constante movimento criativo, e sempre surpreendente.



7-Quais os projetos para a Academia Arthur Bosmans?

O projeto agora é formalizar a Academia já com a indicação dos nomes que irão tomar posse como membros que ocuparão as primeiras 21 cadeiras da Academia. Logo em seguida, estaremos trabalhando par tornar a Academia, atualmente virtual, numa Academia presencial.



8-Você foi um dos poetas indicados por mim para Embaixador Universal da Paz, porque a temática da PAZ é muito forte em seus texto, seja o pacifismo em si mesmo, seja em temas universais, qual a ecologia , a bioética, e, no Brasil, além de outros, a Amazonia.Fale-nos um pouco dessa paixão e por que diz , em uma das poemagens, que a paz é azul?

Acredito que esta paixão é uma paixão natural que todo ser humano de bom senso deveria ter. Mas o que estamos vendo é que o homem, mesmo com todos os alertas, mesmo com tantas tragédias, conseqüências de sua ganância, não tem dado a devida importância e estas questões.Estamos nos destruindo! Será que não percebem? Em 1979 quando Presidente do Clube de Criação de Minas, a pedido da AMDA, Associação Mineira de Defesa da Amazônia, criamos uma campanha em Defesa da Amazônia, com destaque n Revista Visão de 17 de março de 1980, que foi a primeira campanha de impacto nacional, com grandes resultados ao impedir a aprovação de alguns projetos (já em andamento para aprovação), que estariam provocando grande impacto nocivo à preservação da nossa Amazônia. Quando em uma das poemagens eu digo “Abaixe a bandeira branca e comece a lutar pela paz”, é para alertar que tem discurso demais, tem ONGs demais, falta ação. Falta a visão de que estamos destruindo nossa casa! Podemos sim ter um desenvolvimento sustentável. Não é preciso parar no tempo. Mas precisamos de uma representatividade ativa, honesta, com o interesse “comum”. Isto exige num primeiro momento uma ação de impacto, ou continuaremos a nossa triste jornada de Don Quixotes contra os moinhos. Quando criei a poemagem “A verdadeira cor da Paz”, no caso o azul, tem vários sentidos, um deles a paz, que nos é apresentada como prêmio,“ veja só”, se formos para o céu segundo os(o) que nos é pregado por algumas religiões. Mas não há nada mais extenso, dentro da nossa visão restrita de infinito que o azul do céu e dos mares, que deveria ser a extensão do alcance da paz. A Terra é azul. E me lembrei do astronauta Russo Yuri Gagarin que em 1961 quando deu a volta completa ao redor da terra, sentido a mais forte sensação de Paz disse a famosa frase “A Terra é azul” Ali estava poemagem.



9-Defina Jaak Bosmans:quem é você, o que ama, o que detesta, o que faz.

Gosto de aventuras, e de me arriscar, em tudo que faço. Sou bastante solitário, uma vez que nunca me acostumei com qualquer ritual rotineiro e tribal. Gosto de estar com amigos, de estar só, de estar sempre superando expectativas e sempre surpreendendo,

Amo pessoas, animais, natureza, desafios, e bons passeios. Detesto apenas uma coisa: pimentão. Faço sempre tudo que aprendi, e posso dizer que aprendi muita coisa, desde carpintaria, mecânica, eletricidade, cinema, música, desenho, esportes, até escrever. rsrrsrsr

Hoje estou mais dedicado às poemagens, com participação em muitos movimentos pela paz e pela consciência ecológica, por um desenvolvimento sustentável.

A característica mais acentuada que considero ser a maior de todas do Jaak é a observação constante de “detalhes”, o que me dá sempre novas e diferentes visões do todo.



10-Sua mãe, a Sra.WalkyriaBosmans , foi Diretora do Teatro Francisco Nunes, seu pai, Arthur Bosmans, conviveu com muitos músicos e intelectuais.Esses exemplos, de alguma forma, influenciaram seu modo de ser, seu modus vivendi?

Sem dúvida. Através do acesso ao teatro, através de minha mãe, tive contato com grandes nomes da música, do teatro, não só como simples espectador, mas já naquele tempo exercendo a função de divulgador de grandes espetáculos, como foi “Morte e vida Severina” com Paulo Autran, fazendo uma grande divulgação nas escolas com debates com o próprio Paulo Autran, depois com Hair na montagem de Altair Lima, com artistas como Sônia Braga, Bibi Voguel,Aracy Balabanian, o saudoso Armando Bogus, sempre buscando não só assistir os espetáculos, mas sempre que possível divulgá-los.

Sempre era convidado a sair com alguns deles após o espetáculo para jantar ou mesmo uma conversa mais descontraída, que sempre m enriqueceu muito. Imagina que além de ter assistido “O Avarento de Molière” com Procópio Ferreira, eu sempre saía com ele após o espetáculo para conversarmos. Assim foi com Paulo Goulart após a peça “Em Família” do Vianinha, Eva Todor, Caetano Veloso e Gil ( logo que voltaram do exílio), Novos Bahianos, Quinteto Violado, o grande mestre Baden Power, Maria Bethânia, Gal Costa, Chico Buarque, e ainda alguns grandes humoristas, como Zé Vasconcelos, Chico Anísio, Colé e tantos outros artistas que com suas experiências na vida fora dos palcos me mostraram a grande luta e a grande coragem que se exige para alcançar nossos objetivos, principalmente nas artes.

Era comum também, após os espetáculos, o elenco todo vir para minha casa (de meus pais) e ficar até o dia nascer, cantando, conversando e alguns até dormiam no chão mesmo rsrrrsr A função de minha mãe no Teatro Francisco Nunes, assim como o jeito com que ela era admirada por todos que ali passaram foi da maior importância para que eu tivesse mais essa grande oportunidade na minha formação.

Com todos estes diversos exemplos de vida, em seu glamour, e fama, aprendi muito cedo que até uma luz se acender sobre você, é preciso muito conhecer, muito trabalho, muita luta e algumas duras desilusões.

*OBS. Guardo como lembrança, meu velho violão com a assinatura de alguns destes grandes músicos, que um dia dedilharam nele alguns acordes.



11-Deixe um recado para quem o lê.

Claro que o melhor de tudo é ser prestigiado por tantos leitores.

Recebo assim não só o carinho e a atenção sobre o meu trabalho, mas muitos comentários que me servem sempre como referência do que tem sido mais representativo., para cada um.

Aos que ainda não tiveram contato com nenhum de meus trabalhos, estou no Recanto das Letras, Colméia Literária,no Google (Web e Imagem), algumas comunidades do Orkur e Redes Nings.

Para acessar qualquer um deles procurar sempre “Jaak Bosmans”. Ou seja, Eu! Rsrsr

Beijos e abraços.


><**><

Alguns Títulos do poeta :

Jaak Bosmans

-Embaixador da Paz pelo “Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix”-Suiça/França.

-Medalhade Mérito Cultural “Anita Garibaldi” da FALASP

-Presidenteda Academia de Artes, Letras e Cultura “Maestro Arthur Bosmans”

http://academiadeartes-maestroarthurbosmans.blogspot.com

-VicePresidente da Universidade Planetária do Futuro

-Curador de Arte e Poesia da U. P. F.
*U. P. F. - Presidente: Ana Felix Garjan
*GRUPOS ARTFORUM BRASIL UNIFUTURO
http://projetoartforumuniversidade.blogspot.com
http://revistaartforumcultural.blogspot.com
-Coordenador do Núcleo ARTFORUM Brasil XXI – B.Hte.

-CônsulPoetas Del Mundo

http://www.poetasdelmundo.com/verinfo_america.asp?id=5366

-HumanistaHonoris Causa, do “Clube Brasileiro da Língua Portuguesa”,

emrazão da excelência de sua obra a favor dos Direitos Humanos.

http://clubedalinguaport.ning.com/profile/ArthurJaakWilfridBosmans

-Membroda AVSPE “Academia Virtual Sala dos Escritores e Poetas”

http://www.avspe.eti.br/biografia2010/JaakBosmans.htm-Membroda CAPPAZ ”Confraria Artistas e Poetas pela Paz”
















Clevane Pessoa
Diretora de Comunicação e Projetos Especiais da Universidade Planetária do Futuro
Vice Diretora do IMEL
Diretora regional do inBrasci em Belo Horioznte, MG
Representante do Movimento Cultural aBrace.











Jaak Bosmans

-Embaixadorda Paz pelo “Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix”-Suiça/França.

-Medalhade Mérito Cultural “Anita Garibaldi” da FALASP

-Presidenteda Academia de Artes, Letras e Cultura “Maestro Arthur Bosmans”

http://academiadeartes-maestroarthurbosmans.blogspot.com

-VicePresidente da Universidade Planetária do Futuro

-Curadorde Arte e Poesia da U. P. F.
*U. P. F. - Presidente: Ana Felix Garjan
*GRUPOS ARTFORUM BRASIL UNIFUTURO
http://projetoartforumuniversidade.blogspot.com
http://revistaartforumcultural.blogspot.com
-Coordenador do Núcleo ARTFORUM Brasil XXI – B.Hte.

-CônsulPoetas Del Mundo

http://www.poetasdelmundo.com/verinfo_america.asp?id=5366

-HumanistaHonoris Causa, do “Clube Brasileiro da Língua Portuguesa”,

emrazão da excelência de sua obra a favor dos Direitos Humanos.

http://clubedalinguaport.ning.com/profile/ArthurJaakWilfridBosmans

-Membroda AVSPE “Academia Virtual Sala dos Escritores e Poetas”

http://www.avspe.eti.br/biografia2010/JaakBosmans.htm-Membroda CAPPAZ ”Confraria Artistas e Poetas pela Paz”

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Entrevista com Adaljiza Cuan-Dama Comendadora de Artes pela da Câmara Brasileira de Cultura







Adaljiza Cuan e Sonia Batista.





A Comendadora Adalzija Cuan e o Conde Thiago Menezes, presidente da FALASP.





Adaljiza Cuan e Jaak Bosmans




Adaljiza Cuan Artista Plástica. Promotora de eventos.Marchand e idealizadora do livro CRISTAL DE TALENTOS.
Ocupa atulamente o cargo de vice presidente da ABLA.
Dama Comendadora de Artes pela da Câmara Brasileira de Cultura;

Representante Municipal da FALASP - Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo para a cidade de Boituva, SP

Dama Comendadora e Chanceler pela “Associação Fluminense de Belas Artes – AFBA”.

Membro Honorário Titular da “Academia Itapirense de Letras e Artes AILA” (ocupante da Cadeira Nº 04 - Patrona Anatália Rangel Asp);
Patrona da “Academia Boituvense de Letras e Artes –Na ABLA” é patrona da cadeira de numero 01)

Membro Correspondente da “Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba Grande”, RJ.

Sobre sua foto, diz:" nesta foto em anexo estou recebendo de Sonia Batista o certificado de honra ao mérito concedida a poucos e admirada por muitos.Um orgulho para mim receber da maravilhosa Ana Felix Garjan.

><***><






Ficha:Nome:Adaljiza Marta Machado Cuan

Endereço, tel, dados pertinentes xx015-97737073,email para contato comendadora@galeriadalartes.com.br

Afiliações e títulos:

RES Adaljiza Cuan Artista Plástica. Promotora de eventos, idealizadora do livro CRISTAL DE TALENTOS

Ocupando o cargo de vice presidente da ABLA

Comendadora de Artes pela da Câmara Brasileira de Cultura; Representante Municipal da FALASP - Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo para a cidade de Boituva, SP. Comendadora de Artes pela da Câmara Brasileira de Cultura; Comendadora e Chanceler pela “Associação Fluminense de Belas Artes – AFBA”. Membro Honorário Titular da “Academia Itapirense de Letras e Artes AILA” (ocupante da Cadeira Nº 04 - Patrona Anatália Rangel Asp); Patrona da “Academia Boituvense de Letras e Artes – ABLA” (ocupante da cadeira de numero 01) e Membro Correspondente da “Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba Grande”, RJ. E pela Art Forum .



1-Adaljiza, quando e porque surgiu-lhe a idéia de fazer essa antologia e quais as características dela?

R: TEVE VARIOS ITENS QUE ME TOCARAM,FUI A UM SARAU E LÁ ESTAVAM SÓ OS QUE IAM SE APRESENTAR,PENSEI..A ARTE E AS LETRAS NÃO ESTÃO SENDO VALORIZADA COMO DEVIAM.

APÓS ISSO UMA AMIGA ME CONVIDOU A ENTRAR EM UM LIVRO DE POEMAS,NO QUAL RESPONDI,ADORARIA MAS AINDA NÃO SEI ESCREVER ,QUANDO FOR FAZER DE ARTE ME CHAMA

2-Fale um pouco de sua atuação nas entidades às quais pertence.

Procuro levar meu tÍtulo de Comendadora com amor ou seja fazer deste cargo meu lema.ajudar as artes.Promover eventos,incentivar a novos artistas,proporcionando a eles dentro do possível uma oportunidade de serem reconhecidos

3-O que a inspira, quando se sente inspirada e o que faz quando a inspiração aparece?

Após trabalhar com o livro vi que tenho muito a aprender ainda na parte de artes,a inspiração vem sem mandar aviso.. Pintou a idéia passo ao papel,desligo o pc e vou pintar.Amo ver o que estava em minha cabeça ser passado a tela.

4-Você é mais disciplinada em sua criação ou mais livre?

Não me prendo a nenhuma disciplina,acho que o artista tem que ser livre para criar o que naquele momento te realiza.



5-Quais são seus melhores hábitos de vida?

Se fosse para responder o pior...seria fumar,RS mas acho que meu melhor há gosto e saber fazer amigos e mantê-los

5-Onde Cristais de Talentos pode ser comprado? Qual o seu valor?

Pelo meu site www.galeriadalartes.com.br. Pelo cartao , nas livrarias da Scortecci,preço 50,00

6-Pretende dar sequência a este trabalho?

Claro já está no forno o Cristal de Talentos II Minha vida, Minha Arte,em novembro começamos a seleção.

7-Quais a principais dificuldades em se fazer uma antologia?

Como foi minha primeira tive muitas dificuldades, mas agora posso dizer.. Aprendi a lição de casa .O próximo já será mais fácil,a principal dificuldade é a seleção e captação de obras e artistas qualificados.

8-Você teve algum apoio cultural?

Sim tive muita colaboração cultural, muitos confiarão em meu projeto e em mim.

Na parte financeira não tivemos apoio,cada artista pagou sua participação no livro

Apoios: ABACH nos forneceu um evento lindíssimo de lançamento do livro no pólo cultural;

Casa da fazenda Morumbi SP;

Apoio ABLA Academia Boituvense de letras e artes,divulgação,captação de artistas e presença em todos os eventos,e lançamento do livro na cidade de Boituva.

Apoio Artforum Unifuturo Brasil XXI,Arteforum Brasil IN VIA,Universidade Planetária do Futuro.

Sendo com apoio de divulgação do livro, Ana Felix Garjan ,sendo da equipe de curadoria

E Lançamento maravilhoso do livro e um sarau dos poetas integrantes no livro,

Promovido pela equipe da Artforum,na lindíssima Casa das Rosas,Av Paulista , em São Paulo ;

FALASP : Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de SP


9-Fale de sua Galeria.

Tive esta idéia há muito tempo,fazer uma loja virtual de artes ,aonde o cliente poderá analisar as obras ,comprar pelo cartão em parcelas,receber em segurança em sua casa,com o certificado de autenticidade do artista

Nós do Grupo Galeria Dal Artes ,estamos trabalhando em conjunto para melhor divulgação da mesma, tendo mais chances dos artista de mostrarem seus trabalhos,negociar,e a quem ainda não é renomado ser reconhecido pelos seus trabalhos.

Muitos hoje em dia não têm acesso espaços de exposições pelos custos ou distancia,nesta galeria levaremos a obras ate o cliente,por portal ,email ,catálogo divulgativo enviados via correio, aos possíveis clientes



Como interagir com você e dela participar?

Para participar e só entrar no site www.galeriadalartes.com.br

Meu MSN e email comendadora@galeriadalartes.com.br

Paulo suporte@galeriadalartes.com.br

MNS e e-mail anelisesabino@galeriadalartes.com.br

Fazer seu cadastro,aonde tem pequena taxa anual de 150.00 que poderá ser pago pelo cartão em parcelas,enviando sua biografia ,após 48 horas já terá sua galeria e senha para postagens dos trabalhos,com preço e descrições

10--Deixe aqui, seu recado.

Agradeço em primeiro lugar a você Clevane por esta oportunidade

A todos os que acreditarão no Cristal de Talentos e estão no livro que hoje e sucesso.

Aos apoiadores, que não foram citados no livro, mas que me ajudaram de coração.

Quero já deixar aqui meu convite para entrarem na galeria,e para participarem do próximo livro,

Uma frase que sempre uso..existem pedras em nosso caminho,seja forte para escalá-la ou inteligente para dar a volta,lutando unidos não somos uma estrela...Somos um céu estrelado







Adaljiza Marta Machado Cuan

Artista plástica

lançadora da galeria de vendas on line

www.galeriadalartes.com.br/



Contato = 55-015-97737073 begin_of_the_skype_highlighting 55-015-97737073 end_of_the_skype_highlighting

domingo, 1 de agosto de 2010

Em PARAGON, entrevista com João Evangelista Rodrigues

Abaixo:O poeta ,fotógrafo e jornalista João Evangelista Rodrigues.




JOÃO EVANGELISTA RODRIGUES - ARCOS (MG)
em Arte :: Poetas


João Evangelista Rodrigues, 55, nasceu em Arcos (MG), na cabeceira do Rio São Francisco. Jornalista, escritor, compositor, fotógrafo e poeta. Autor de livros como "O Avesso da Pedra",( 1981) "Mutação dos Barcos" ,( 1989) " A Oeste das Letras" ( 1999) e "Transversias", ( 2003), folhetos de cordel, tendo , ainda, participado de várias antologias. Como compositor, é parceiro de Paulinho Pedra Azul, Téo Azevedo,Gilvan de Oliveira, Pereira da Viola, Joaci Ornelas, ZÉ Neto, Cid Ornellas, Rubinho do Vale, Zé Baliza , entre outros; Formado em Filosofia e Jornalismo . Foi diretor da Casa do Jornalista , Diretor Secretário Geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e Superintendente de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. Atua como agente cultural, com particular interesse pela cultura popular. Atualmente é professor de Legislação e Ética em Jornalismo na PUC Minas Arcos, na qual exerce o cargo de Coordenador do Curso de Jornalismo e Gestão da Comunicação Integrada.

Este texto é da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE, com uma pequena adaptação.

Clevane entrevista João Evangelista Rodrigues:

1)QUANDO A POESIA ENTROU EM SUA VIDA?E A FOTOGRAFIA?

Bem, a primeira vez que senti vontade de escrever um poema, tinha 14 anos. Mas a poesia mesmo, acho que esta me acordou bem mais cedo com o cantar dos galos e o cnato dos pássaros. Nasci na roça , em uma pequena fazenda dp interior de Minas. Aprendi bem cedo a liberdade do rio e do vento. Foi assim que resisti a todas as tentativas de domesticação, não deixei me metrificar nem pela escola , nem pela família nem pelas outras formas de condicionamen to. Depois voltei a escrever aos 18 anos e , daí para frente, nunca mais parei. Vida e poesia andam juntas em mim, em cada coisas que faço e penso, mesmo quando, aparetemente, não estou pensando nela ou a ela me dedicando.Poesia é uma forma de ser.Uma visão de mundo. Forma de sentir e de se manifestar verbo-voco-visual. É solidariedade e comunhão com os seres, pessoas e todas as coisas do planeta.Do cosmos. Já a fotografia, esta veio mais tarde, com a quase cegueira eo desejo de pegar as formas, as cores de maneira mais concreta. Foi a corporificação das imagens poéticas. Da poesia para a fotografia só tive de aprender a manejar o equipamento.Tudo são maneiras de escritas.De mergulhar no mundo e revelar seus contornos e abismos mais sutis.

2)SENDO COORDENADOR DO CURSO DE COMUNICAÇÃO DA PUC DE ARCOS MG, COMO VC CONCILIA AS ATIVIDADES ARTÍSTICO LITERÁRIAS (FATOR TEMPO) À PRIMEIRA?

Acho que se dependesse de tempo e de conciliações , a poesia já teria me abandonado.Sou péssimo amante, um namorado afobado com as atribulações e caprichos do mundo. Mas descobri que a poesia me amava e , desde então, procuro me dedicar a ela sempre que posso.Nos intervalos.Acho mesmo que a a vida que vale a pena é vivida nos intervalos, nos vieses, nos estreitos dos dias da existência curta e demorada que a vida assim tão tragicamente transitória.Fotografo a poesia.

Diria que procuro fazer de cada poema uma foto e de cada foto um poema.Pelo menos é o que tenho tentado fazer.

É esta luta que me tem mantido vivo.

3)DENTRE SEUS LIVROS HÁ ALGUM ESPECIAL?

Talvez o que escreverei algum dia. De verdade mesmo, gosto de todos, cada um a seu tempo, a seu modo, por razões as mais diversas. É através de um que chego ao outro. Penso , como Jorge Luis Borges, só exista um livro , todos os demais são formas especulares, simulacros, sobras em espelho embaçado. São os livros que conseguimos realizar, por isso, acho importante amá-los , mesmo imperfeitos.

E AGORA,(APENAS SE QUISER FALAR DESSA CIRCUNSTÂNCIA, OK?)O QUE TEM SIGNIFICADO PARA VOCÊ TER PROBLEMAS DE VISÃO E DEDICAR-SE TÃO BRILHANTEMENTE ÀS CHAMADAS DE SUAS VOCAÇÕES(MÚSICA, TEATRO, LITERATURA, FOTOGRAFIA?)NO MUNDO ATUAL, ALGUNS FOTÓGRAFOS VÊM REALIZANDO TRABALHOS INCRÍVEIS, APESAR DA DV(*).VOCÊ TEM ACOMPANHADO ESSA TRAJETÓRIA?
Passado o susto inicial e o período de adapatação levo uma vida normal. Até gosto de ver as coisas distorcidas, meio incompletas.Afinal é assim mesmo o conhecimento humano. Aprendi muito com a promessa de cegueira- tinha trinta anos e estava concluindo o curso deJornalismo na PUC Minas e já havia feito o curso de Filosofia : descobri que era limitado e que precisava conviver com esses limites. Depois foi me acostumando com as noramas formas de ver e de agir , de esgueirar-me por entre as quinquilharias do mundo.As burocracias e os meandros dos podres poderes são mais tortuosos e traiçoeiros. Recebi muita solidarieade de amigos e, com isso, nem no dia que foii ao oculista e que fiz a sirugira deixei de escrever.Comecei a ir m ais ao teatro, às palestras, às apresentações muisicais.A conversar mais com as pessoas. Descobri as formas das coisas, passei a me deter mais nas formas, nas cores, na textura.Descobri, enfim, que tinha ouvidos, olhos , tato e paladar.

Mais tarde descobri Jorge Luis Borges, Milton.Reparei que vários escritores importantes eram ou ficaram cegos e , portanto, resolvi que a vista não seria o problema.O problema mesmo era a escritura. O texto.

Resisti ao computador um pouco como quase todos de minha geração depois descobri nele enermes possibilidades. Assim, vi nele um aliado. Leio muito todos os dias.Se a letra for pequena amplio tanto na tela do monitor quanto no papel através de xerox.Às vezes tiro xerox do livro inteiro.Compro , tiro xerox ampliado e leio.Adeus direitos autorais, mas , pelo menos neste caso , a razão é justa.,

Não ´é por acaso que existem vários verbos para designar os atos da visão: ver, enxergar, intuir e olhar. Quer souber ler que leia.Tenho acompanhado sim e acho legal que as pessoas se mostrem como são e não se envergonhem e não se excluam por si mesmas. Precisamos mesmo abrir as janelas todas da alma e ver de corpo inteiro a corporificação transfiguradora e tranasfigurada de tudo que nos rodeia.

É preciso esclarecer, entretanto, que , atualmente, minha visão pouco me atrapalha.Só mesmo se as letras forem muito pequenas ou condensadas, como adora as editoras ávidas por lucro .No mais faço de tudo ando de bicicleta- e muito – jogo , nado e corro . Cobro às vezes das pessoas arrogantes e auto-suficientes, daquelas que, por vários motivos, se consideram muito normais.

Um grande abraço.

João Evangelista Rodrigues

(JOAO,ESSA ÚLTIMA PERGUNTA,RESPONDA APENAS SE O DESEJAR, POIS SEI QUE A DV NADA SIGNIFICA EM RELAÇÃO À EXCELÊNCIA DE SUA OBRA)...

UM ABRAÇO CORDIFRATERNO, DA CLEVANE

(*)DV:Deficiência visual

clevane pessoa de araújo lopes
Publicado no Recanto das Letras em 12/10/2005
Código do texto: T58925

* Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autor e o link para o site "www.sitedoautor.net (Clevane pessoa de araújo lopes); (www.clevanepessoa.net/blog.php). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.






• Poemas •

Convite aos Violeiros

eu convido os violeiros
de São Paulo e de Goiás
em nome de Tião Carreiro
dos violeiros das Gerais
eu convido os brasileiros
não é pra fazer cartaz
meu convite é verdadeiro
cada violeiro traz
mais um novo violeiro
pra mostrar tudo o que faz

violeiros da Bahia
Mato Grosso e Paraná
do Rio Grande do Sul
Tocantins e Ceará
Maranhão e Pernambuco
do Amazonas ao Pará
o Distrito Federal
também vai participar

eu convido os violeiros ...

violeiro vem sorrindo
vem de longe festejar
defender o arco-íris
o direito de cantar
em defesa da viola
da cultura popular
a fé a fauna e a flora
do sertão a beira-mar

eu convido os violeiros ...

violeiro vem no grito
pelo jeito de chamar
do Rio Grande do Norte
de Rondônia e do Pará
Bela e Santa Catarina
Também não podem faltar
cantadores e romeiros
missioneiros sem lugar

eu convido os violeiros ...

não me esqueço do Acre
qualquer dia eu canto lá
berimbau e atabaque
dá o tom do guerrear
pedra furada e tacape
sanfoneiro manda entrar
reunião de violeiro
vai dar muito o que falar

eu convido os violeiros ...

quem ouvir esse convite
não precisa confirmar
tire a viola do saco
e comece a pontear
se achegue companheiro
não precisa de chamar
em casa de violeiro
sempre tem mais um lugar

eu convido os violeiros ...

não se espante meu parceiro
com o que eu vou falar
lá vem o Trem da História
quem quiser tente pegar
no bojo de uma viola
violeiro transporta o mar
todo o povo brasileiro
reunido vai cantar

arcos, 22 de maio de 2 006

de minha parte

de minha parte
prefiro escritores sem papel

desses que no vazio
reescrevem o caos
sobrenadam oceanos adormecidos
subvertem

escritores de coisa nenhuma
de desimportâncias humilhadas
em estado de decomposição

árvores apodrecidas
no interior das dunas
máquinas enferrujadas
sucatas
letras
mapas imemoriais cidades

escritores de vidro
escritores desescritos
por outros escritórios
escritores proscritos
sem igrejas nem oratórios

nem mineiros nem maiores
sem letreiros apriores
sem livros
nem prolabores

desses que ao léu
em luas sem alma se repetem
pelos corredores
entre os desconstrutores de Babel
escritores virtuais
aleatórios

de minha parte
prefiro escritores sem papel

poema (s/título)

os de 45
declaram guerra
aos de 22
os concretos
atiram pedra
contra os de 45
todos atiram merda
contra todos
contra tudo
o que vem após
nem de longe
espiam pela janela
a lua parnasiana
o signo da poesia pisca
entre neon e nada
a mesma letra escrita
a mesma letra escusa
a mesma letra escassa
a mesma luta insana
clava tupiniquim
a roupa suja
o varal da esquina
o marketing
em sangue
marginal floresta
a luta não termina
entre mortos e feridos
seja o que o leitor quiser
ninguém se salva
salve-se quem puder

FONTE:http://www.paragonbrasil.com.br/conteudo.php?item=2338

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Clevane Pessoa entrevista Marco Aurélio Lisboa



Na foto, Marco Aurélio Lisboa, tendo nas mãos o troféu /homenagem aos sobreviventes/resistentes de 68 , oferecido pela Câmara Municipal de Beo Horizonte, nos quarenta anos desse ano que ficou na História com tantas nuances,significados e significantes.
Crédito da fot:Clevane Pessoa

Ver mais em http://achamarteblogspotcom.blogspot.com/2008/05/poetas-so-homenageados-pela-cmara.html


Considero Marco Auréio Lsboa, um grande autor, manifeste-se em prosa, poesia, ficção ou doumentario, memórias,pesquisa .NO momento, ele disponibliza capítulos do livro que escreve sobre o Araguaia, em seu blog El Senor Gato(http://elsenorgato.blogspot.com/):"O SenhorGato e Outros Babados Fortes", agora na ersã 2o10.
vale a pena conhecer a História -e a histórias da História devem sempre ser contada para não serem esquecidas ou, muito mais tarde,descaracterizadas ,distorcidas por especulações, imaginário acréscimos ou omissões.

O autor , que entrevisto aqui abaixo, escreve com seriedade, tem entrevistado pesoas, busca as fontes e vivências, apresenta-nos os protagonistas de forma veraz.


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Quero que alguma editora tão séria quanto ele e que possa projetá-lo,chegue até seu livro,através dessa entrevista e da leiturade seu blog, para que a narrativa possa chegar a alguma primorosa edição.Não se pode desperdiçar um trabalho desse porte.

Boa leitura!

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Diretora regionl do InBrasCi
Vice Presidente do IMEL
Acad. da ALB da AFEMIL



Marco Aurélio de Freitas Lisboa, nascido em 16.05.1950, casado, 3 filhos: Luísa, Bárbara e Henrique, auditor fiscal da Receita Federal, graduado em Física pela UFMG, atleticano.


Perguntas:

1- Sabemos que você, durantes os anos do Militarismo no Brasil, viveu clandestino. Fale um pouco da experiência de não poder usar o nome, voltar para casa, etc.
A clandestinidade era um meio para se atingir um fim: a derrubada do regime. De 71 a 73 fui diretor da UNE, sob a presidência de Honestino Guimarães. Depois disso tentei me integrar ao movimento operário, mas perdi o contato com o partido em 75 e permaneci assim até 79. Havia sido preso em maio de 71 e estava sendo procurado pelos órgãos da repressão. A perspectiva que tínhamos na época é que a luta contra o regime seria dura e prolongada. Alguns companheiros, de brincadeira, costumavam marcar encontros para o ano 2000, em Brasília, quando já estaríamos no poder.
Sabia que vários companheiros haviam sido presos tentando contatar a família. Foi o que aconteceu com José Carlos da Matta Machado, assassinado em seguida. Outros foram presos ao tentar recomeçar os estudos ou conseguir um emprego com o nome verdadeiro.
Eu conseguia me comunicar com a família através de cartas, que seguiam um longo caminho. Tinha plena consciência que tão cedo não poderia revê-los e nem usar meu nome verdadeiro, era uma conseqüência inevitável da minha militância.
2 - Como foi viver na clandestinidade? Que tipos de apuros passou?
Vivi a maior parte do tempo em pensões, quartos alugados e, durante uns meses, com uma família de nordestinos que trabalhavam numa indústria de móveis em São Paulo. Levei alguns sustos, porque a caída (prisão) de alguém era sempre uma ameaça em potencial à minha segurança. Em 73, tive que abandonar o Rio Grande do Sul às pressas, porque quase todos os meus contatos haviam sido presos.
Meu maior susto foi em 71. Estava num apartamento no Leblon, no Rio, e ainda não tinha uma identidade falsa. Um dia bateram à porta. Abri e um senhor de meia idade se identificou como sendo da Polícia Federal. Ele estava à procura de um tal de O’Reilly.

O apartamento tinha uma biblioteca (uma estante de tábuas e tijolos) cheia de livros marxistas e alguns romances. Dei tanta sorte que ele pegou um livro para examinar e escolheu um romance inofensivo. Em seguida pediu minha identidade e perguntou o que estava fazendo no Rio. Disse que estava morando com um amigo, enquanto estudava para o vestibular de economia.
Pelo visto, ele não acreditou muito em minha história e disse que eu teria que acompanhá-lo. A escada era em caracol, muito íngreme e de curvas muito fechadas. O apartamento ficava no terceiro ou quarto andar. Eu calculei que se saísse correndo na frente ele não teria visão para atirar.
Desci embalado, acelerando cada vez mais a cada volta. No último andar não consegui frear. A escada terminava em frente à entrada de serviço de outro apartamento. Com o impulso, arrombei a porta. Mal tive tempo de pegar os meus óculos no ar e não pude ver a cara da empregada, que estava com o forno aberto. Só a escutei gritando: “ai meu Deus, o que é isso!”.
Continuei correndo até a rua, dobrei o quarteirão e peguei um táxi. Eu tinha um ponto (encontro com data e hora pré-determinados) mais tarde e passei o resto do dia fazendo hora. O pé inchou, uma série de vasinhos se rompeu. Fiquei com anéis roxos em volta dos dedos dos pés e tive derrames até na dobra do joelho. Não quebrei nada, mas a luxação me deixou umas semanas sem poder andar direito.
3 - Dessas vivências, restou alguma crise de identidade?
Não, até penso que acabei me enriquecendo com novas visões. Convivi com operários e lumpen-proletários em pensões e bairros da periferia. Uma vez aconteceu um fato engraçado. Eu trabalhava como apontador para uma indústria de móveis em São Paulo - a fábrica de Móveis Pastore. Fui selecionado para fazer um teste. Eu iria fazer um curso para cronometrista. A prova era na Avenida Paulista, num prédio cheio de carpetes e vidros fumê. No dia marcado, não pude ir porque havia quebrado os meus óculos.
Finalmente, quando pude fazer o teste, fiquei junto com uma turma de engenheiros da Politécnica de São Paulo. Pedi um lápis para a psicóloga e ela me arrumou um com a ponta toda rombuda. Eu estava mal vestido e ela estava claramente me discriminando. Eu não pretendia me destacar, mas acho que a raiva me fez caprichar. Era um teste de raciocínio lógico abstrato, a minha praia.
Moral da história: pouco tempo depois, pedi demissão da empresa, porque iria para o Rio de Janeiro. Eles fizeram questão de me segurar, ofereceram um aumento e acabaram revelando a causa: eu havia conseguido a maior pontuação no teste. Para a psicóloga, deve ter sido uma demonstração prática de que as aparências enganam. Para mim, foi uma doce vingança.
4 - Você é físico, poeta, contista, jogador de xadrez... Como lida com as interfaces dessa personalidade multifacetária? A cada vivência você é um, desempenhando um papel ou vitalizando uma de suas personas, ou são todos ao mesmo tempo, interagindo?
Acho que há uma unidade, que talvez só eu consiga perceber. Eu me sinto em casa lidando com o tipo de problema que a Física e o xadrez oferecem. Em ambas as atividades, usa-se bastante o raciocínio lógico abstrato e a visão espacial. Ambas exigem um senso crítico muito aguçado. No desenvolvimento da Física e do xadrez, todos os avanços se fizeram destruindo os paradigmas pré-existentes.
Isso é bem conhecido na Física. No xadrez, só faz sentido para o aficionado. Só para dar uma idéia: tivemos o xadrez romântico, o clássico, o hipermoderno, etc.; cada uma dessas escolas criticando a anterior e buscando novas concepções estratégicas. Na literatura, o ponto de partida de meus primeiros contos foi contar uma história conhecida mudando o referencial. Tomei a história da Princesa e da Ervilha, um conto de fadas clássico, e recontei-o do ponto de vista da ervilha. Isso me rendeu umas 7 ou 8 histórias semelhantes. Uma idéia típica de um físico.
Há um estereótipo do cientista louco, incapaz de lidar com o cotidiano e de se relacionar com as pessoas; que não se interessa por qualquer outro tipo de atividade que não seja a ciência. Dentre os meus colegas de Física, um ou outro se enquadravam nesse padrão. Havia músicos de talento, alguns enxadristas, um esgrimista, gente com os mais variados interesses. Nós líamos muito e a maioria se interessava fortemente por filosofia. Recomendo a todos a autobiografia de Richard Feynman, “Está a brincar, Senhor Feynman” que mostra um típico físico. Ele tocava bongô, desenhava nus, decifrava a escrita maia, desfilou numa escola de samba brasileira, tocando frigideira e dava um curso não oficial de arrombamento de cofres, entre outras atividades. Tantos interesses não o impediram de ganhar o Prêmio Nobel.
A poesia, pelo menos como eu a pratico, tem muito a ver com a concisão das ciências exatas. Eu procuro criar um pequeno universo, que exprima uma emoção, uma imagem ou um momento com a elegância e o ritmo de uma fórmula matemática. Há a temática, algumas referências diretas que faço às ciências, mas acho que a ligação é mais profunda.
5 - Quando bem jovem, por que você decidiu-se pela luta contra a ditadura? Nessa época, considerava-se de esquerda, militante, guerrilheiro ou nada disso?De alguma forma, as circunstâncias o foram impelindo à clandestinidade, ou não?
Eu sempre fui contra a badalação e nunca me senti bem em panelinhas, portanto o meu posicionamento foi fruto de uma reflexão individual. Minha consciência política evoluiu de modo semelhante ao repúdio do povo brasileiro ao golpe. Por uma coincidência cronológica, eu tinha 14 anos em 64 e 18 em 68. O regime começou com um lado policialesco, um pouco ridículo, longe ainda do terrorismo de estado. Até 68, quando havia uma passeata, os estudantes apanhavam, alguns eram presos, tomavam uns tapas, uns eram fichados e a maioria era solta em seguida.
Em 68 eu estava no primeiro ano de engenharia e participava no movimento como a grande maioria. A opção pela militância veio em 69, quando tomei contato com o marxismo. A radicalização foi fruto do próprio regime, que evoluiu para uma ditadura fascista. É interessante notar que o Che nunca foi uma referência para mim, que não acreditava em saídas aventureiras ou românticas.
Há uma frase de Engels, que deixei escrita na parede da cela 3 do Dops: “A verdadeira liberdade é o conhecimento da necessidade”. Ela explica muito a minha opção.

6 - Que riscos mais correu?
Sem exagero, corri risco de vida. Honestino, o presidente da minha gestão na UNE foi preso e morto. Eu havia feito reuniões na casa da Lapa, onde houve o massacre de 76 e no sítio em Jacarepaguá, onde uma parte do Comitê Central se reunia. A estrutura do partido no Rio, ao qual eu estava ligado, foi quase toda presa e alguns militantes assassinados. Se preso novamente, enfrentaria no mínimo a tortura e uma longa condenação.
7 - Considero-o um competente filósofo e autor, antes de mais nada.O tempo afastado do cotidiano comum a um jovem, o tornou mais ponderado, pensativo ou mais aventureiro e corajosos? Ser clandestino o fez filosofar mais sobre a vida, as pessoas, os políticos? Você tinha que idade? Andava com grupos ou mais isoladamente?
Fiquei clandestino dos 21 aos 29. Na maior parte do tempo, me reunia com poucos militantes (outros diretores da UNE). Mais tarde, não cheguei a participar de uma célula, só tinha contatos individuais com um assistente. Com os elementos de massa, colegas de trabalho, vizinhos, etc., os relacionamentos não eram muito profundos, por necessidade de segurança. De fato, a situação me forçava a refletir bastante. Para não perder a perspectiva, eu era obrigado a pensar a longo prazo. Mas, mesmo na infância, sempre fui mais introspectivo.
Não sei se fiquei mais corajoso, sei que não tenho os receios que a maioria possui: medo de sair do emprego, de romper laços familiares, de quebrar a rotina. Ponderado é quase o oposto radical. Quando se pesa, se igualam os dois lados da balança. A minha prática sempre foi de forçar uma definição, de fugir do meio termo e do compromisso. A aventura pela aventura nunca me atraiu. Prefiro o termo comprometimento, que implica numa opção que pode ir até as últimas conseqüências. Ou coerência.
O tempo acabou me ensinando mais do que qualquer militância. Uma lição importante que aprendi é que posição ideológica e caráter não estão necessariamente ligados. A sede com que meus ex-camaradas se lançaram aos cargos de primeiro e segundo escalão me decepcionou um pouco. Hoje estou afastado da prática política, repensando uma série de questões, o que acaba me tornando mais sereno, menos indignado, talvez.

8 – Por que sentiu necessidade de escrever sobre o Araguaia?
Acho que foi um projeto que foi amadurecendo sem que eu sentisse. A necessidade imediata veio do romance que estou escrevendo, uma ficção política meio autobiográfica. Um dos núcleos do romance seria a guerrilha do Araguaia, para onde se deslocaram amigos meus, em especial Walkiria, que me recrutou para o PC do B, Idalísio, seu companheiro, Ciro Salazar, que reconstruiu o partido em Minas e Rodolfo, com quem convivi durante algum tempo.
Até então, eu tinha uma visão mais política do Araguaia - minha maior preocupação era de fazer uma avaliação da correção ou não da luta. Quando li uma narrativa romanceada: Xambioá, do aviador Pedro Corrêa Cabral, minha atenção se voltou para as outras dimensões do conflito. Os dramas pessoais, o ambiente extremamente hostil, as condições de vida miseráveis da população, que se viu entre dois fogos, naquela guerra no fim do mundo.
Comecei então a me debruçar sobre o material disponível sobre a guerrilha. A idéia era fazer uma pesquisa para ambientar o romance. À medida que ia lendo, fui me convencendo que não havia uma obra sobre o Araguaia que me convencesse. Senti a necessidade de eu mesmo fazê-la.
9 - O que faz para obter a veracidade necessária ao conteúdo de seu livro? Teve contatos diretos com sobreviventes e/ou suas famílias?
Comecei com a proposta de usar o mesmo rigor de um enxadrista que analisa uma posição, de um físico que examina uma hipótese. Fiz mapas da área, uma linha do tempo, passei mais de um mês checando várias fontes para determinar qual era a composição dos três destacamento. Para entender a lógica interna dos acontecimentos, tive que contrapor versões divergentes, até poder traçar um quadro geral.
Fiz uma entrevista muito valiosa com Criméia, uma sobrevivente da guerrilha e ainda pretendo fazer mais uma ou duas entrevistas com pessoas que lá estiveram. Conversei com militantes do Partido na época e com familiares e amigos dos mineiros que foram para lá Araguaia. O conhecimento interno do partido e de seus militantes na época tem sido muito útil. E, finalmente, há a colaboração de Elio Ramirez, meu colega de cela no Dops, antigo militante do partido que muito tem colaborado. A co-autoria do livro é dele.
Necessariamente, uma ida ao local seria muito importante. Entretanto muito tempo já decorreu, a população ainda está aterrorizada, existem muitos jagunços ainda em atividade. Tudo isso dificulta a pesquisa. Para se obter uma visão consistente seria necessário tempo, dinheiro e uma cobertura: ou de uma caravana, ou de uma reportagem. Infelizmente não tenho condições de realizar uma pesquisa in loco.
10 - Como eram suas relações com a família nuclear, quando fazia parte da oposição ao militarismo? Sua família tem essa tradição?
Minha família era muito pequena e matriarcal – minha mãe, minha tia e minha avó eram as pessoas mais influentes. Tive poucos contatos com o ramo paterno (meu pai morreu quando eu era um bebê). Era uma família de classe média comum. Minha avó tinha umas tinturas de rebeldia, havia lido Spencer na juventude e alguns livros mais pesados ( “La garçone” era um deles). Na prática era conservadora.
A leitura oficial da família era Seleções do Reader’s Digest. Minha tia chegava a ser reacionária. Era leitora de O Globo e governista (qualquer que fosse o governo). Votou em Collor, entre outras razões, porque D. Marisa era despreparada para ser primeira dama e porque Lula não tinha instrução. Minha mãe era tinha uma rebelde difusa. Não aceitava algumas convenções, era espírita. Tinha uma certa consciência nacionalista.
Meu padrasto era anti-americano e getulista. Era contra as passeatas, que chamava de baderna. Ninguém na família apoiava uma ação mais radical contra o regime. Eles se opuseram, de início, à minha participação política, em parte por medo das conseqüências.
Assim que fui preso, minha mãe se voltou abertamente contra o regime. Com a abertura e a anistia, todo mundo que eu conhecia na minha família e no meu círculo de amigos se tornou oposicionista. Apoiaram Tancredo, torceram pelas diretas, mais tarde votaram em Lula para presidente. Minha mãe é lulista até hoje.
11- O que lhe dá mais prazer , nas ações de suas vocações ?
Criar é sempre prazeroso. Quando se cria, se acrescenta alguma coisa à natureza, ao universo, que antes não havia e que vai perdurar sem você. Há uma frase de Bacon, muito interessante: “Pois a Natureza não se vence, senão quando se lhe obedece”.
Eu a interpreto assim: em nossa vida, estamos presos a uma história pessoal, a uma herança genética, a uma época e um país. Quando se cria, se está limitado por um conjunto de convenções. Mesmo assim, é possível imprimir sua marca pessoal.
O jogador de xadrez está restrito ao tabuleiro, às regras do jogo. Antes dele, milhares de jogadores já passaram pela mesma posição de abertura. Entretanto, quando se analisa a partida de um grande mestre, pelo seu estilo, podemos identificar quem está conduzindo as peças vencedoras. Um jogador, ao criar, toma o pulso da posição, sente quais são as necessidades naturais que a disposição de peças criou. Ele deve se submeter a essas exigências para criar. O trabalho literário, para mim, é semelhante. Não acredito tanto em intuição e em improvisação. Escrevo e reescrevo constantemente.

12 - Se um filho seu quisesse ser um militante contra algum tipo de sistema imposto, o que lhe diria?
Acho a juventude atual muito conformista. A rebeldia é uma atitude saudável, desde que embasada numa convicção profunda. Eu lhe diria, com certeza: se você analisou todas as variáveis e está certo de estar fazendo o que é justo, vá em frente. Na verdade, nossas decisões não são tão racionais assim. Acho que apenas a certeza de que estamos fazendo o que é necessário é suficiente para agirmos.
13 - Acha que valeu a pena?
Dessa vez, Fernando Pessoa vai me socorrer: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. No caso da luta contra o regime militar, a opção era muito fácil. Do outro lado havia um regime fascista, que oprimia toda liberdade. O fato de ter escolhido a forma mais radical de se opor a ele também me parece justo.
O fascismo avança quando lhe dão espaço. Ele não se detém diante de quem está indefeso, a sua lógica não é essa. Se não conseguimos derrotar o regime diretamente, pelo menos mostramos que o custo de governar a ferro e a fogo, sem o apoio da classe média e dos formadores de opinião tornava o regime inviável. De um jeito ou de outro, foi a lógica da força que prevaleceu. Eles conseguiram fazer uma retirada estratégica, preservando o essencial. Entregaram o poder à oposição confiável e conseguiram escapar à punição pelos seus crimes.
14 - Por que resolveu disponibilizar o conteúdo de seu livro sobre o Araguaia em seu blog El Senor Gato?
Eu queria sentir a reação de um público mais amplo. Meu livro, necessariamente, exige uma carga de informações que pode afastá-lo do leitor comum. Como pretendo lançá-lo por uma grande editora, preciso vencer essa barreira, tornar o material o mais palatável possível.
15) Pretende publicá-lo em papel? Já há editoras interessadas?
Só irei publicá-lo em papel se houver um esquema de distribuição garantido. Isso implica em uma editora. Tenho algumas em vista, mas só quero procurá-las com o livro pronto. Calculo que me faltam umas três ou quatro entrevistas e uma cinqüenta páginas, no máximo, para concluí-lo. Toda a parte que está sendo publicada já estava escrita há bastante tempo.
16) Recentemente, você foi esteve com o povo russo, o que tem a nos dizer? Que diferenças encontrou da antiga União Soviética, em relação às pessoas e aos espaços? Gosta do Leste Europeu?
A diferença é simples. Não há como dizer que a Rússia de hoje, algum dia, já foi socialista. No Brasil se tem duas imagens muito persistentes: a da época soviética e a da derrocada. A primeira é de um país cinzento, com um inverno permanente e longas filas para comprar um sapato melhor. Um estado onipresente e impessoal que exige o sacrifício de todos os interesses pessoais ao interesse coletivo. É um pouco a União Soviética de Moscou contra 007.
A última imagem é de velhinhas vendendo cocaína na entrada do metrô, bêbados caindo na rua, garotas se prostituindo e aposentados morrendo de fome e de frio. Tudo em meio aos tiroteios da máfia russa. Há um filme muito interessante, Taxi Blues, que aborda essa época.
O país que eu vi em 2001 e 2008 é um país de segundo mundo, que está crescendo a taxas muito altas, com uma infra-estrutura muito melhor do que a nossa. O povo parece cansado da montanha russa que foi sua história recente e quer um governo que lhe deixe em paz para ganhar dinheiro. A educação ainda é muito superior à brasileira e sua mão de obra muito mais qualificada. Acho, entretanto que nunca superarão os países capitalistas mais adiantados. Nunca voltarão a ser uma super potência.
O interesse da juventude pela política, ou mesmo pelo seu passado, é mínimo. No Museu de História Contemporânea, em Moscou, assisti uma cena emblemática. A professora ia guiando os alunos em uma excursão pelo passado recente. Desde a abolição da servidão em 1860, passando pela revolução de outubro, pela grande guerra patriótica (a segunda guerra mundial), até os dias de hoje. Pode-se dizer, sem exagero, que é impossível falar do século XX sem citar a União Soviética. Pois assim que acabou o passeio, ela perguntou: vapróci iest? (há alguma pergunta?). A resposta de um aluno foi curta e grossa: damói. (vamos para casa). Acho que é essa a visão da maioria: vamos cada um cuidar de si próprio.
Sobre o leste europeu, um povo me fascina: o povo tcheco e sua capital Praga. Pretendo visitá-los em breve.
17 - Gosta dos autores russos, quais?
Poesia é sempre muito difícil de traduzir. Gosto de Maiakovski. Já li outros poetas, até traduzi uma poesia de Tarkovski, mas não consigo realmente sentir a poesia russa. A época de ouro desta literatura produziu gigantes: Dostoievski, Gogol, Tolstoi, etc. Dostoievski é minha paixão de juventude que persistiu até hoje. Tenho a edição completa de suas obras pela José Olympio. Tchekhov é uma inspiração para qualquer um que pretenda ser contista. Gorki está no meio, entre os clássicos e o realismo socialista. Já os autores do chamado realismo são muito ruins. Cholokhov escapa da mediocridade. Dos mais modernos, acho Pasternak um péssimo romancista. Doutor Jivago é fraco. Soljenitsin vale mais pela suas denúncias do que pelo mérito literário. Os mais novos são ruins, muito ocidentalizados. Alguns, talvez para se contrapor ao materialismo anterior, mergulham no misticismo. Pelevin é um deles. Li o Elmo do Horror em russo (já existe a tradução). Não gostei.
18 - Você transita livremente por vários gêneros poéticos. Dê exemplos (por ex, haicais, trovas, versos livres).
Eu acho que a métrica não é uma limitação. Já fiz trova, soneto e haicais, sempre instigado por minha amiga Clevane. Acho que aprendi muito com a poesia metrificada, porque ela acaba te dando um ritmo natural. Cometo também meus limeriques, versos de cinco sílabas bem picantes. A maior parte de minha produção é em versos livres.
Uma constante é o humor. Detesto o gênero do poeta descabelado, tonitruante, solene e meloso.
Uma trova que gosto, sem seguir os rigores da métrica e da rima é essa:
Realização

Eu que sempre dei de bico
Nos rachas da poesia
Resolvi, quanta heresia!
Sem medo de pagar mico
De trovador, pôr chuteiras
Minhas musas, pôr à prova
Não sei se de meia trava
Não sei se de meia trova
Só sei que delas calçado
Corro ao encalço da meta
Metido a ser fino esteta
Sem medo de ser gozado
Um haicai clássico:
Um gato no escuro
Duas brasas se apagando
É noite de inverno
De soneto, uma provinha, os quatro primeiros versos de cabeça de papel:
Cabeça de papel
Na folha de caderno, bem guardado
O Sonho de Valsa, de pele fina.
Pois não é, que o papel ruborizado
Foi se apaixonar pela bailarina?
Esses versos podem ser cantados com a música do hino nacional. O ouvirumdum também usa decassílabos
Um limerique:
O último desejo
Só permita Deus que eu morra
Entre Sodoma e Gomorra
Brincando nessa gangorra
Varrendo esse Universo
Que vai da frente ao verso
Gonçalves Dias que me perdoe.

><88><
Por último, uma invenção minha, o multiverso:
Interior
As mãos apertadas
Contra o peito
Batem palmas
Com medo
Ó de casa
Ninguém responde
O caracol dos cabelos
A dona esconde
As pálpebras
Abrem a janela
E as almas se debruçam
Na rua, os pares
Se balançam
Ao sonho de valsa
No coreto
Uma banda
O bumbo se apaixona
Tum Tum Tum Tum
Bate o coração
E as mãos batem palmas
Sem medo
As mão passeiam
Aos pares, dançando
Pelos ares
Os balões
Se entrelaçam
Enamorados
E os namorados
Calados
Sorriem

><*><
O multiverso pode ser lido direto, na seqüência natural. Ou só os versos azuis e pares(*). É a versão com medo. E só os versos vermelhos e ímpares. A versão sem medo. É um três em um.

(*) O autor mandou-me os versos em azul e vermelho, mas substituí a estes pelo negrito sublinhado, pois aqui no blog, não consegui colocar cor, no entanto publicare em outros blogs, da NING, por exemplo, que aceitam.

NE/Clevane

19 - Conhecendo-o, perguntei muita coisa que eu sei a seu respeito, mas parto do principio que os demais estarão curiosos. Fale um pouco mais sobre você, hoje? Quem é Marco Aurélio Lisboa?
Eu gosto muito de uma brincadeira que usa uma árvore lógica. Você pensa num animal e o outro começa a fazer perguntas que só podem ser respondidas com sim ou não. È mamífero? Tem penas? É selvagem. Se usarmos 10 perguntas, poderemos ter 2 elevado a 10, 1024 respostas diferentes. Depois de 20 perguntas, seriam 1.048.576 possibilidades diferentes. Metade da população de BH. Com as perguntas certas (é atleticano?, por exemplo) daria para localizar um habitante determinado.
Brincadeira à parte, depois de perguntas tão pessoais, acho que já me identifiquei para o leitor. O que eu queria dizer é que nós somos as nossas escolhas. A vida nos joga de lá para cá, num movimento aparentemente caótico. No fim, acabamos tomando um rumo que corresponde mais ou menos às nossas vocações mais profundas. Eu me considero um sobrevivente. Depois de tanto tempo, acho que aprendi a conviver com as minhas frustrações e a ter paciência. Quando era adolescente queria ser campeão mundial de xadrez. Sucessivamente sonhei derrubar a ditadura, ter um casamento perfeito, ganhar o prêmio Nobel de Física e assim por diante.
Estou quase com 60 anos e, nos 90 que ainda me restam, pretendo aproveitar o que ficou de bom, depois de tantas tentativas: quero apreciar muitas partidas de xadrez, curtir os filhos, fugir da mesmice, levar meu casamento, com os altos e baixos de todo relacionamento. Espero manter sempre o bom humor e a língua afiada. Aos detratores, adianto que essa vai ser cremada junto com o resto, quando finalmente eu entrar em equilíbrio térmico com o Universo. Logo não haverá problemas em acomodá-la na urna.
Ah, ainda pretendo ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

20 - Costuma conversar com seus filhos sobre suas experiências de juventude? O que deixaria aqui, escrito, para os jovens, hoje (mensagem pessoal)?
Na verdade não converso muito com eles sobre a minha juventude. Nunca pensei por quê.
Quando eu era adolescente, digamos em 64, o suicídio de Getúlio, que estava a 10 anos de distância, parecia tão longe quanto o baile da Ilha Fiscal. Acho que a juventude é necessariamente egoísta. É a hora de se descobrir. Experiências passadas não costumam ajudar muito.
Não pretendo dizer generalidades do tipo: o importante é você ser você mesmo. Acho que alguém já falou isso. Em minha juventude a tutela familiar era muito pesada, as cobranças muito grandes. Em certos aspectos, a vida do jovem era bem mais difícil. Em compensação havia muito menos conformismo e consumismo e muito mais preocupação com as questões sociais.
Hoje, principalmente da classe média para cima, os pais tem um espécie de consciência culpada, uma dificuldade imensa em colocar limites. A nossa sociedade dá ao jovem um espaço que ele nunca teve. Ao invés do adolescente reprimido, temos o adultescente querendo se enturmar.
Acho que o desafio é esse: aproveitar a liberdade e as oportunidades para fazer diferença, sair do rebanho, pensar além do grupinho, se comprometer com alguma coisa séria.
Como? Não sei. Não sou mais jovem.

<>**<>

Foi ótimo responder à sua entrevista, porque dei uma repensada nos vários projetos que ando tocando. Acho que saiu um pouco grande, não sei quais são as suas limitações de espaço. Estou mandando em anexo, para não perder a formatação dos poemas. Abração.


Marco:

Bom dia.

Acabo de ler, com gula, suas respostas.

Peço perdão por ter sido assim , uma "bulidora" da sua colméia.Mas elas , se saem e defendem e zumbem, também produzem mel.

Lindas palavras, num sentido lato e univeral.Fico até sem saber se você permite que eu as coloque em http://clevanentrevista.blogspot.com,
mas se permitir, eu o farei.A minha proposição a maior, seria enviar essa entrevista ,por e-mail, para muitas editoras boas e grandes, para conhecerem você.Outra,mais específica, é levar leitores a El Señor Gato.

Caso queria esperar até a conclusão o livro,basta dizer.Se achar que , ao concluir o livro, poderemos voltar a entrevistar você e repetir o envio dessa primeira parte .Mande dizer se já posso publicar ou devo esperar.E, repito, caso queira já colocar em seu blog, sinta-se à vontade.
Baseio-me na experiência pessoal:adoro responder a entrevistas escritas, porque a própria pessoa entrevistada empresta estilo e sabor.Já nas orais, há muita coisa do entrevistador, na transcrição- mesmo quando há gravações.Mas gosto de ser entrevistada: é qual arrumar gavetas em nisso próprio quarto: remexemos no self e na rememória.Isso, nos reposiciona, assim como achamos novos espaços para guardar objetos de tamanhos e funções variadas.

Confesso-me lisongeada porque v. citou meu nome, mas ambos sabemos que o amigo talentoso não precisaria de nenhum empurrãozinho para aventurar-se em um outro gênero poético. Ou outros..

Saciada a fome, agora vou degustar, depois de tomar banho e voltarei a ler comentar.
Preciso dizer que adorei?

Um abraço domingueiro para v. Wal e família.:
Clevane

quarta-feira, 17 de março de 2010

Alberto Peyrano



Alberto Peyrano, seu Canteiro de Versos e minha entrevista a ele
por Clevane Pessa







Fotos:

Clevane Pessoa(foto clicada por Karina campos e recortada por Allez Pessoa).


Alberto Peyrano


Adorei o resultado dessa entrevista que fiz, por e-mail, com Alberto Peyrano - Poeta, Cantor de Tangos, Psicanalista e Tarólogo -entre outros "que fazeres" mais.Ele anicersariava.
A entrevista está em seu Canteiro de Versos(http://canteirodeversos.blogspot.com
blog que ele generosamente usa para abrigar poetas-onde florescemos, à luz de seu sol particular.(*)

Clevane

N:Não resiti e trouxe para cá também um comentário, o de Ógui L.Mauri, pela propriedade do mesmo, seu amigo.


Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

"OBRIGADO QUERIDA AMIGA
CLEVANE PESSOA DE ARAÚJO LOPES"
(Alberto)





ENTREVISTA DE CLEVANE PESSOA DE ARAÙJO LOPES À ALBERTO PEYRANO:


1) Alberto Peyrano, você é poeta e a música exerce uma grande influência em sua vida artística.Em que ponto Poesia e Música se entrelaçam?

R: Sou um cantor popular, ou seja: do povo. Amo a música de minha terra e sinto que do meu trabalho artístico tenho algo para dar aos demais. Como poeta, pude ou tive a sorte de encontrar músicos que identificaram sua criatividade com minha poesia e assim surgiram canções que amo muito. Penso que desde o momento que uma canção tem letra, naturalmente o músico esperou pelo poeta ou o poeta foi ao encontro do músico. Todo cantor tem como missão na vida transmitir a mensagem do poeta que escreveu a letra. Um cantor popular não deve deixar-se levar ou cantar só porque a música lhe agrada. Isto às vezes ocasiona desastres, pois o cantor pode cantar e interpretar muito bem, não desafinar, mas sua mensagem não conseguirá transmitir todo o sentimento do compositor, por não ser uma obra sua. E isto acontece com artistas que às vezes têm um sucesso temporário e logo caem no esquecimento, enquanto quem transmitiu verdadeiras mensagens humanas através de sua voz, quem fez sua cada palavra de uma letra, passou-a por seu coração, colocou seu sentimento e depois, cantando, a deu ao público, esse é um artista que para sempre será respeitado.

2) Fale de suas raízes: há artistas e poetas em sua família?

R: Na minha família não temos antecedentes artísticos. Por isso eu tenho sido sempre a "ovelha negra" dos Peyranos. Rssssssssssssssssssss

3) O que representa o tango em sua vida, além de ser um gênero essencial aos argentinos?

R: Além de o tango ser "a voz de Buenos Aires" e de toda a área do Rio de la Plata, pois falando em tango devemos nos unir sempre com Montevidéu, esta música tem algo especial que a faz única. Primeiro, não é música folclórica, suas origens estão nos bordéis portenhos do século XIX, também seus compositores e letristas são conhecidos, isto os afasta da música folclórica, a qual geralmente tem raízes anônimas que se perdem na obscuridade dos tempos. Segundo, o tango cantou sempre ao homem e à mulher de sua cidade, por este último aspecto o poderíamos qualificar como "música social". E, terceiro, o tango nunca se afastou de sua paisagem cidadã, de suas origens (poderíamos compará-lo com o fado português, de Lisboa, pois tem uma estrutura genética parecida). Com estes três elementos juntos, contamos com uma expressão genuinamente cidadã focalizada nas duas ribeiras platinas. Quando em 1973 eu cheguei a esta cidade, tinha incorporada certa cultura tangueira provindo das vivencias familiares e de meu povoado natal onde meus conterrâneos gostavam muito de Tango.

Ademais eu vinha de uma província onde, na minha região, juntam-se três correntes musicais. 1) a da vasta planície pampa úmida com zambas, milongas, gatos, cifras e estilos, essas lindas músicas tradicionais dos gauchos argentinos, 2) a litorânea, com chamamés, rasguido-dobles, valseados e polkas e, 3) a platina com tango. Assim, essas raízes batiam muito forte em meu coração. Mas, quando comecei a me dar conta do gigantesco compromisso que o Tango tinha adquirido com sua geografia e seu caudal humano, não passou muito tempo e acabei me casando com ele, pois encontrei uma perfeita ressonância em meu interior.

Assim, o Tango representa para mim uma definição como ente humano, um ponto de partida que significou a mudança fundamental na minha vida, com 29 anos, e por outro lado é um perfeito canal para minha expressão interior e me permite dizer ao homem e à mulher platina suas verdades mais profundas.

4) Onde nasceu? Qual a sua ordem de nascimento? E o dia/mês?Tem irmãos? Pais vivos?

R: Nasci em Peyrano, na província de Santa Fé, uma área de cereais, de imigrantes italianos e espanhóis, onde a terra dá os melhores frutos do país. Meu vilarejo está distante 300 km de Buenos Aires, na área chamada de "Pampa Úmida". Eu nasci em 14 de junho de 1945 e sou o filho mais velho. Depois seguiram meus irmãos Lucy e Raúl. Meus pais, lamentavelmente, já faleceram.

5) Em que época a identidade de Poeta ficou clara em sua vida?

R: Quando ainda era uma criança, escrevia poemas para minha mãezinha e para meus mascotes. Mas, me senti realmente um Romeu à idade do amor na adolescência. Meus sentimentos eram manifestados em poesias que eu escrevia para minhas namoradas. Mas, me defini conscientemente como poeta quando minha poesia começou a se unir com a música, a partir de 1978. Foi nesse tempo que eu deixei de ser o centro de mim mesmo e comecei a observar o que estava a acontecer na sociedade e em meus semelhantes, assim foram surgindo poemas de caráter mais universais e mais humanos.

6) Fale um pouco de "TANGO QUE FUISTE Y SERÁS". Como acontece?O que faz cada um dos artistas?

R: Há um poema de Jorge Luis Borges titulado "Alguien le dice al tango", no qual ele lhe fala ao tango e identifica seu ser mesmo com essa música. "Tango que fuiste y serás" é a última linha desse poema.

Meus companheiros e eu decidimos nomear assim ao nosso show, pois os versos de Borges definem ao tango essencialmente unido com Poesia. A partir dessa base idealizamos e geramos o show que estamos representando há três anos com Ricardo Lister e Susana Corsini. Os três somos muito diferentes, mas temos um enorme compromisso com a voz de Buenos Aires. O repertório que temos desenvolvido toma uns 70 ou 80 anos de tango, da década dos 30 até hoje.

Cada um de nós canta cinco tangos e sempre convidamos um cantor ou cantora diferente para compartilhar o show e que também canta cinco tangos. O show é composto com um acervo de 20 músicas, um poema, um tango de abertura executado pelos músicos e um tango de despedida cantado por todos, "Tango que fuiste y serás" passou a formar parte das nossas vidas e este ano o estamos oferecendo uma vez a cada mês no Teatro Colonial de Buenos Aires.

A partir deste ano, o poema de Borges foi incluído no show e eu o declamo. O poema diz assim: "Tango que he visto bailar / contra un ocaso amarillo / por quienes eran capaces / de otro baile, el del cuchillo. / Tango de aquel Maldonado /con menos agua que barro, / tango silbado al pasar / desde el pescante del carro. / Despreocupado y zafado, / siempre mirabas de frente / tango que fuiste la dicha / de ser hombre y ser valiente! / Tango que fuiste feliz / como yo también lo he sido, / según me cuenta el recuerdo... /El recuerdo fue el olvido... / Desde ayer cuántas cosas / a los dos nos han pasado, / las partidas y el pesar / de amar y no ser amado... / Yo habré muerto y seguirás / orillando nuestra vida. / ¡Buenos Aires no te olvida, / tango que fuiste y serás!

7) O que mais gosta de fazer, naturalmente motivado?

R: A diversidade é minha lei, gosto de fazer muitas coisas e às vezes diferentes coisas ao mesmo tempo. Gosto de escrever e cantar, mas também gosto de estudar e pesquisar, me aprofundar em um tema (a Net tem me auxiliado nessa necessidade). Assim como muitos, adoro ouvir música, ler, assistir filmes, ir ao teatro, porém, uma das coisas que mais gosto é viajar e conhecer outros países. Conhecer uma cidade, uma região, um povo e seus costumes, indagar sobre sua cultura, isso significa uma aventura extraordinária para mim. E caminhar, caminhar muito, onde quer que eu esteja isso me faz muito feliz.

8) Você exerce outra profissão além das relacionadas ao radialismo, à poesia, à arte?

R: Eu sou psicanalista. Graduei-me na Universidade de Rosário em 1973. Depois, segui profissionalmente a teoria de Jung dentro da Psicologia e isso me levou a estudar Astrologia. Assim, ganhei os diplomas de Astrólogo e Professor de Astrologia em 1986. Em 1996 obtive o titulo de máster em Terapia Floral e em 1999 fui Mestre de Reiki.

9) Você conhece o Brasil e/ou brasileiros? Quais os pontos em comum entre os argentinos e os brasileiros? E as diferenças?

R: Não só conheço o Brasil e os brasileiros, mas também eu amo tudo o que se refere a esse maravilhoso coração verde-amarelo.

10) Que pensa da Internet, para poetas e artistas hoje? Você gosta de usar a rede?

R: Acho que a Net é um maravilhoso invento, a partir dai mudaram as comunicações em geral e significa um elemento de ajuda para estudantes e de pesquisa para profissionais, além de ser um meio de divulgação para as Artes em geral. Gosto muito de usar a rede e graças a ela surgiram profundas amizades, possibilidades de divulgação da minha obra e oportunidades de conhecer pessoas de muito talento como você, a quem agradeço de coração esta entrevista.

Também publicada na Revista Nota Independente, em http://www.notaindependente.com.br/materias.php?id=0292


(*) Atualmente, o blog cito (Canteiro de Versos)está desativado pelo autor.

sábado, 23 de janeiro de 2010

CLEVANE PESSOA ENTREVISTA ANDERSEN VIANA

CLEVANE PESSOA ENTREVISTA ANDERSEN VIANA

1)Fale um pouco de sua vocação e de sua formação musical.


Comecei estudar música em casa com meu pai(Sebastiao Vianna) e com o
violonista Nelso Pilo. Depois tentei desenvolver um laboratório de química sozinho aos treze anos que só explodia ,causando muita preocupação à familia. Um dia explodiu ácido sulfúrico com amônia na minha cara e fiquei com uma mancha branca embacando os olhos por muito tempo. Depois disto as experiências foram se acabando e mudei para a Música. Freqüentei
a Escola de Música da UFMG e outras quatro academias europeias.
Atualmente sou doutorando em música pela Universidade Federal da Bahia.



2)Das experiências em sua profissão, quais as que lhe pareceram mais significativas ou foram mais reconhecidas?

Minha experiência de músico no Theatro Musical Brazileiro com Luiz Antonio Martinez Correio na década de 80 foi marcante, pois vivia todos os
dias atuando em espetáculos e até novelas na televisão.

Por que?


Esta atuaçãoo no teatro foi incrível. Pela razão de que a prática do dia a dia faz-se necessária ao artista para ele entender o que acontece no
mundo artístico, E isto sobre todos os prismas:
artístico,políitico,social e econômico. Existe uma grande mistificação do artista como estátua
de marfim. Isto nao existe mais. Se vc nao e competent em diversas areas para se impor de diversas formas, e não somente a artística, vc esta
fora.

3)O que vc acha que têm em comum Poesia e Música?

A música tem o seu lado de poesia, encontrado no pensamento musical e portanto humano. Aliás, toda a ate é poética.

4)Fale desse prêmio,em Gramado

O reconhecimento por parte de especialistas é de suma importância para o prosseguimento das atividades dos artistas. E o que dá força para
continuarmos.

5)Como está o cenário musical em Belo horizonte, na sua ótica pessoal?

Belo Horizonte é uma cidade interessante musicalmente. Tem muita coisa acontecendo. Mas temo que o tradicionalismo impeçaa os grandes vôos
estético por parte daqueles que fazem a música e a arte na capital mineira, com efeito no imaginário do público.

Obrigada;

Nao há de que.

Andersen - www.andersen.mus.br



(*)Benzaiten ou Benten

(Deusa da Música e Artes)



No séculos VI e VII, a deusa Benten(Benzaiten)Benzaiten começou a ser conhecida no País do Sol Nascente,quando iniciaram as traduções, do chines para o japonês, da Sutra da Luz Dourada,onde há um capítulodedicado a essa figura ímpar.No Sutra do Lótus, também encontraram referências a ela, associada ao Rio Sarawasti.. Os animais serpente e dragão do mar são associados ao seu todo.Isso gerou a crença de que colocar a pele de uma cobra na bolsa ou carteira,através da deusa, consegue-se riqueza e prosperidade.


Associada à figura de um anjo, dentre o Shichifukujin,A bela Benzaiten é a única mulher e a única que é artista. Assume a forma de serpente.Também aparece tocando um "biwa", espécie de alaúde japonês,enquanto é conduzida por um dragão- o que demonstra seu poder e força sobre essa outra figura mítica.
Para essa cultura,a cobra aparece muito em comunhão com a deusa Benten.Essa mulher impressionante "que já foi um anjo", elemento presente em todas as religiões significativas do mundo,é a representante da associação das musas artísticas (eloqüência, música, arte, literatura, sabedoria e água).

Gosto de saber que a água, elemento vital,está associado à beleza, ao movimento , ao ritmo da música, da pintura, da dança, da poesia...E que a sabedoria é necessária, o que significa algo entre casulo, ninfa, asas para o vôo e vivências necessárias à experiência, ao estilo pessoal de cada artista e autor...

O saber requer aprendizagem,discipulado, ensino e mestria o que é destinado a causar a devida prosperidade aos artistas e autora, aos Poetas, o que em nosso País não é lá muito bem compreendido.

O artista e o poeta podem nascer dotados para a criatividade, por terem oimaginário mais rico, sutil inovador que os demais, todavia, uma vida vazia , pode esvaziar esse tonel sem fundo de possibilidades.Hoje,overdadeiro artista, overdadeiro poeta,hão que ser pessoas de seu tempo.estar alertas e atentos á guerra e sua problemática, no seu desejo de paz.Impossível alienar-se ,se você quer ser grande-e não há nada deerrado em ser humilde para querer ser grande."Tudo vale a pena ,se a alma não é pequena, " diz Pessoa, no seus versos mais conhecidos...

O artista nasce para a grandeza:"Ad maiora natus sum"(Nasci para as coisas do Alto...),mas sem a vaidade, que volta o olhar das alturas para o próprio umbigo ecausa tropeções em vez de vôos.

Para os japoneses,por ter estudado as artes e adquirido o saber,associado à sabedoria ,é que a deusa Benzaiten ou Bentene, foi elevada ao panteão dos sete deuses.
essa protetora dos músicos e das artes pode conceder desejos, acompanhar trajetórias, promover sucesso;leva consigo uma jóia -de jade, dizem uns, de pérola, afirmam outros-que tem esse dom,o de ouvir súplicas econceder a realizaçãodos melhores sonhos e intentos.



Saraswati que era originalmente um poderoso rio da antiga China.Para os japoneses,a palavra Saravasti,deiade encontrou correspondência em Benzaiten-a água que flui, incansável e generosa;o poder criativo, a beleza.Tudo intrínsecamnte simbólico e ligado, pois o rio não serpenteia em seu caminho?Serpente,associada aos rios e à deusa,pois. Batizada em homenagem a esse rio,com tais caracteríticas fluviais B é uma deidade associada a tudo que requer fluidez.

As palavras ,por exemplo, os versos, a oratória,os traços e formas devem fluir no processo criativo.

Tudo, isso, nos coloca, com clareza e simplicidade, o Maestro Andersen, em suas respostas às minhas perguntas(veja, neste blog, a notícia sobre a premiação do vídeo "Trem Fantasma", em Gramado)



Clevane Pessoa de Araújo Lopes,
Belo Horizonte, MG, Br,24/08/2006

Publicado por clevane pessoa de araújo em 24/08/2006 às 10h49
asasdeborboleta16@gmail.com
asasdeborboleta@yahoo.com.br


Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 25/09/2006 às 10h00

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

sandra fayad

Ficha cadastral de Sandra Fayad


Nome, nome artístico, dia e mês de nascimento, naturalidade, estado civil, profissão-e o que mais vc achar importante(e-mail, site, o que quiser)...



Por parte de mãe sou Fayad (libanês), por parte de pai André por registro, mas o sobrenome mais usado pela família é Abrahão (sírio). Fiquei sendo Sandra Fayad André. Prefiro ser conhecida por Sandra Fayad para não haver confusão. Nasci no dia 15 de fevereiro, em pleno domingo de carnaval, em Catalão (GO), sou do tempo do desquite (quando ainda não havia divórcio) e economista, especializada em mercado financeiro, por formação e profissão. Escrevo em prosa e verso (crônicas, contos e poesias), meu e-mail é sandrafayad@brturbo.com.br e meu site com o título Proseando em Versos é http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/


Perguntas

1)Sandra, você começou a sentir-se inspirada a escrever poemas a partir de quando?

Dos doze aos quatorze anos de idade já escrevia em prosa e verso movida pela saudade da família, que estava distante. Dos 14 aos 19 anos li muito, mas apenas copiei trechos de livros em álbuns, que ainda tenho guardados. Na seqüência veio o primeiro emprego, o casamento e o nascimento da minha filha. Seis anos depois a separação, coincidindo com a volta à literatura.

2)Escreve a qualquer momento ou tem algum ritual ,hora, lugar, etc?

Escrevo a qualquer momento, mesmo que tenha barulho por perto, Só não gosto de ser interrompida. Mas prefiro o sossego das 22 h. até mais menos 01 h da manhã..

3)Qual a profissão que exerce?Gosta do que faz?Qual a sua vivência mais significativa?
Estou aposentada da minha profissão de economista, mas nunca parei de trabalhar e acho que não pararei enquanto viver. No momento, além da Literatura, que toma a metade do meu tempo entre leitura, escrita e comunicação, sou voluntária na ONG T-Bone de Projetos Culturais e me dedico diariamente à Horta Comunitária da 713 Norte, em Brasília. Hoje só faço o que me agrada, em contrapartida à pressão funcional vivenciada nos últimos anos do Serviço Público.
No entanto, sempre me adaptei bem ao trabalho que executava e ao que atualmente executo. A realidade mais significativa é a do momento, a que estou vivenciando. Não me ligo muito ao passado. Estou sempre presente no presente, olhando em direção ao futuro.

4)Publicou algum livro(de papel ou e-book), participa de antologias, etc?

Clevane, admiro e prestigio meus amigos escritores que publicam seus livros ( muitos belíssimos), mas tenho pouco tesão para publicar meus livros, por causa da burocracia e dos custos exorbitantes. Tenho material separado para dois livros solo, mas fico ensaiando...ensaiando...e não saio do lugar. Já participei de duas Antologias, de três e-books e um anuário, além de ser colunista semanal do Jornal Diário de Catalão.
5)Quel o seu maior desejo, em relação à literatura?
Sinto-me envaidecida quando recebo elogio por algum trabalho e, como todo mundo, quero continuar sendo reconhecida por aquilo que consigo fazer de positivo.
Mas não sei fazer marketing pessoal ou profissional. Acho que tenho até preguiça. Gosto de ficar quieta no meu cantinho, repassando para os amigos os textos que suponho ser de seu agrado, e vou levando... Se o sucesso tiver que vir, virá. É assim meio que “ficar esperando que caia dos céus”, com os pés bem fincados no chão.

6)Acredita que o poeta deve enganjar-se em causas sociais, respiondendo às perprectivas da poesis grga, ou deve ater-se a escrever de forma bonita, sobre diversos temas/

Deve engajar-se sim em causas sociais. No momento estou envolvida com duas. Uma é o Projeto Parada Cultural do T-Bone e outra a Horta Comunitária. Através deles tenho conseguido oferecer meus conhecimentos, experiências e aptidões a um grande número de pessoas que me dão em troca material riquíssimo para os meus trabalhos literários. É uma troca espetacular. Creio que todo escritor que participa de projetos assim acaba sendo duplamente beneficiado: pela oportunidade de se doar e pela possibilidade de receber e devolver, gerando uma corrente com elos permanentes de integração completa.


7)De que forma sua família a vê, enquanto poeta?
A família é bem grande.
Minha filha e meus netos estão sempre correndo contra o tempo, com os horários comprimidos nos dias úteis e com programas de descanso e lazer nos fins de semana e nas férias. Elogiam um ou outro trabalho, quando descobrem que foi bem aceito pelos amigos e pela imprensa. Meus cinco irmãos e parte dos sobrinhos são mais presentes e solidários. Recebo também atenção especial de alguns primos e tias, que consideram a maioria dos meus textos interessantes. Não cobro maior participação. Acho que está de bom tamanho assim como está.

8)No Mundo e no Brasil, hoje, qual o papel da Internet para a divulgação e estímulo da poesia?
É um veículo excelente, que oferece opções variadas e custo baixíssimo. Através da internet, são revelados talentos, que jamais seriam conhecidos duas décadas atrás;
Os e-books ganham cada vez mais espaços; as formatações ilustradas e com som enriquecem o conteúdo; as poesias declamadas pelos próprios autores apresentam a entonação desejada; a interação on-line permite que recebamos a crítica do leitor assim que inserimos o texto e que saibamos o quanto ele agradou ou desagradou. Além disso, podemos conhecer autores e trabalhos de poetas de todo o mundo, já traduzidos para a língua nativa, bem como nos surpreender com nossos textos lidos em outros continentes.
O único inconveniente é que, se não formos seletivos, acabamos estressados com tantas mensagens para ler e responder.

9)Pertence a que grupos, agremiações de Literatura?

Faço parte de alguns Grupos na internet como Poetas del Mundo, Vânia Diniz, Abrali, Academia Virtual Sala de Poetas, Falar Poesia, mas participo eventualmente por pura falta de tempo. Escrevo também para alguns portais, sites e blogs: Recanto das Letras, o seu Clevane, da Anna Muller, do T-bone, do Portal Catalão. Sou colunista quinzenal nos sites Carlos Roberto Lemberg, Vânia Diniz, Membro Acadêmico da Abrali e da Academia Virtual Sala de Poetas (Patronesse), colunista semanal do Diário de Catalão (impresso), membro do Grupo GUARARTE de poetas, em Brasília; participo dos eventos culturais da ONG T-Bone, onde faço trabalho voluntário; administro a Horta Comunitária da 713 Norte. Estou mais ocupada que a filha e os netos. Portanto, nem posso criticá-los.

10)Qual seu maior desejo, em relação ao própio ofício de Poetizar ?
Editar um livro com as poesias que fiz para homenagear as plantas e os animais: suas preferências, hábitos, sensibilidades, características individuais e sentimentos, que formam as suas personalidades. Descobri cada coisa interessante sobre eles nas minhas pesquisas!

11)O que mais gosta de escrever, Prosa ou Poesia?Por que?
Gosto de ambas. Depende do momento e do tema. Tenho mais facilidade para a Poesia. Nela o resultado é imediato, pois consigo vê-la pronta e acabada em poucos minutos. É sempre assim: brota repentinamente uma frase qualquer e tudo acontece sem controle. Nunca sei quantos versos terá, nem como vai terminar.
Isto é muito excitante. Já a prosa sempre me deixa um pouco insegura quanto à exata transmissão do conteúdo. Fica sempre a pergunta: será que me fiz entender?

12)Deixe uma mensagem .

Nós, os humanos, precisamos nos convencer de que somos apenas súditos da natureza. Observemos as plantas e os animais. Eles, sim, são nossos mestres e senhores.

Clevane, muito obrigada por prestigiar-me também com esta entrevista. Sinto muito respeito e admiração pelo seu talento e pelo trabalho que realiza.

Abaixo,uma reportagem sobre Sandra Fayad, em neliaf.multiply.com/journal/item/914/Sandra_a... :




Sandra, a jardineira fiel
Sep 27, '07 7:31 AM
for everyone
O alecrim-do-campo serve para combater reumatismo, bronquite e má digestão. A tensão e o estresse podem se resumir à lembrança de um mal-estar natural do dia-a-dia, se você tomar um chá de folhas ou flores de alfazema. A cânfora, a losna e o poejo podem ser úteis na hora de melhorar a respiração, espantar cólicas e vermes ou enfrentar uma gripe ou forte resfriado com menos desconforto. Receitas das avós, tradição de cura pelas plantas ou estratégia caseira de ter à mão uma boa variedade de opções. Não importa, o que interessa à poeta e economista Sandra Fayad é cultivar uma velha paixão: fazer brotar no quintal, na chácara ou no jardim canteiros de plantas medicinais, aromáticas ou de valor simplesmente estético.

A natureza sempre em primeiro lugar. Fruteiras, roseirais ou um belo e rico ervanário para atender à família e aos vizinhos, isso é o que toca o espírito de Sandra. Atender não somente vizinhos e conhecidos, mas também aqueles que se interessam pelo tema e procuram aderir à antiga e necessária arte de plantar e colher. Quem passa na frente de sua horta comunitária, plantada na calçada da 713 Norte, nos fundos de sua casa, não resiste e pára por uns segundos, minutos, dependendo de quem passa e pára. A maioria deseja conhecer a jardineira e seus canteiros de ervas. Saber o que é aquilo, em plena passagem pública.

Horta comunitária
Tudo começou quando ela perdeu a chácara que tinha no Lago Oeste — teve de vendê-la por motivos familiares em 2005. Na época, Sandra achou que ficaria de vez sem suas 60 espécies de ervas medicinais. Mal sabia ela que, menos de um ano depois, teria uma horta comunitária na sua calçada. “Desde que reformamos a casa eu paquerava esse espaço. Mas só em agosto de 2006 que papai capinou esta área que seria um jardim para que eu plantasse as minhas ervas”, lembra Sandra.

Pouco mais de um ano depois, o local mudou. A neta de Sandra, Mariana, 18 anos, participou de tudo desde o comecinho. “Primeiro achei que era loucura invadir assim o jardim da calçada, mas hoje vejo como foi legal a iniciativa dela, as pessoas gostam mesmo”, diz a estudante de enfermagem. Com boa vontade e ajuda de muita gente, hoje a Horta Comunitária da 713 Norte exibe 32 espécies cultivadas em seus apenas 36 metros quadrados, entre elas salsa, coentro, tomilho, almeirão, cebolinha e erva-cidreira. Outras consideradas nobres também crescem na horta: alfazema, capuchinha, cânfora e manjericão.

Para algumas plantas, Sandra compôs poesias e pendurou os textos no meio do jardim, dentro de garrafas de plástico recicladas. A mangueira, que dá a sombra e proteção para a horta, ganhou um poema especial: Mãe mangueira (…)/ Alma verde me acenando da janela/ Ninho de pombos, imigrados do inverneiro/ Grandiosa, porém discreta, singela/ (…).

E a mangueira tão querida também ganhou um mimo: Sandra arrumou uma cerca e uma rede para servir de aparador para os frutos. Fica enrolada em uma estrutura de bambu e na época que a árvore está carregada, a cerca é esticada, paralela ao chão, a quase 2m de altura. “Como as mangas estão muito no alto, elas amadurecem, caem e se esborracham no chão. Agora resolvemos o problema com esta cerca”.

O local, cercado por bambus, é visitado diariamente por moradores e transeuntes. “Qualquer pessoa pode plantar ou colher, desde que seja com carinho”, diz Sandra. Enfeitam o ambiente pequenas estatuetas de duendes. “É para agradar aos esotéricos. E as crianças adoram”, justifica a moradora. Para completar o projeto, vem a parte da reciclagem. Sandra usa garrafas pet para ajudar na irrigação e umidade do solo e também para pendurar seus poemas. Sim, ela escreve poemas para as ervas que ali crescem. E todos os outros textos que já escreveu louvando a natureza estão publicados na Internet, no endereço: www.sandrafayad.prosaeverso.net

Canteiro de amizades
Foi só a aposentada começar a plantar para receber o apoio dos vizinhos e transeuntes. Alguns doaram vasos de plástico, adubo, mudas e sementes. Outros trouxeram potes e até alpiste para os pássaros. E ainda teve gente que pôs a mão na massa, como Israel Angelo Pereira, que trabalha quase em frente à horta como coordenador de projetos do Açougue T-Bone. Ajudou Sandra na construção da estrutura da cerca que protege a horta.

O sucesso foi tanto que Sandra arrumou um canal para melhorar a comunicação com o público. Deixou uma pequena urna improvisada em um potinho de plástico ao lado da horta. Dentro dela, papéis e canetas. Mais de 20 pessoas já responderam. Elogiam. Agradecem. Perguntam. E contribuem. “Conheci gente da quadra que nunca tinha visto antes”, alegra-se a aposentada. Uma dessas virou amiga do peito. É a gaúcha de Porto Alegre Leoni Pasinato dal Pozzo. Mora na 712 Norte. “Fui atraída pela horta, já cultivava umas mudinhas no meu apartamento e resolvi vir aqui para doá-las”, observa. Isso foi em março deste ano. Hoje, seis meses depois, Sandra e Leoni se tornaram amigas de todas as horas.

Na horta de Sandra aprende-se também sobre a funcionalidade medicinal das plantas. Por exemplo, as folhas de eucalipto podem render chá para combater febre e dores reumáticas. Já as sementes de funcho podem ser eficazes para a falta de leite materno ou no combate a gases e cólicas. Para Sandra, as plantas são uma riqueza pouco explorada. “Somos aqui súditos da natureza, mas não a conhecemos direito”, ressalta.


(Entrevista publicada originalmente no sitew da T-Bone(Brasília), em minha coluna.

Clevane