sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Fernanda Pompeu, autora de 64



18/11/2006 18h13


Entrevista com Fernanda Pompeu,autora de "64"


Imagem:a significativa capa de "64",primeiro livro solo de Fernanda Pompeu(da Rede Brasileira de Escritoras-REBRA):ficção em simbiose com a realidade dos Anos de Chumbo,onde a censura era muito forte para artistas e escritores, idealistas e qualquer pessoa "suspeita " de ser contra o sistema.


Querida Clevane, aí vão as respostas as suas perguntas. Espero que estejam a contento. Estou bem impressionada com sua rapidez e capacidade de organização. Sinto que você é uma autêntica tecedora de rede. Volto a dizer: precisando de mais informações é acionar que estou à disposição.
Ponha na sua agenda meus telefones (........).
Quanto ao recado do Everi Carrara, não recebi.
Beijo grande, Fernanda.
----- Original Message -----
From: Clevane Pessoa
To: Fernanda Pompeu
Sent: Friday, November 17, 2006 3:21 PM
Subject: "64"/página do blog e entrevista com Fernada Pompeu.


Fernanda;com esse sorrisão, vc já teve noventa leituras até agora...rsss...
Recebeu o recado do Everi Carrara, do Jornal Telescópio?
Um abraço e, abaixo, seguem as perguntas.Li o ótimo release, mas partirei do princípio de que nada sei, para que os leitores saibam tanto qto precisam.,ok?
Clevane
N:
Desculpe, havia um "a" a mais em seu prenome, já corrigi-o.

Entrevista com Fernanada Pompeu


Nome completo, profissão,(mini bio)

"Fernanda Pompeu é escritora e facilitadora de oficinas de redação.
Tem alguns contos premiados e publicados. É autora de uma narrativa longa Cá Camila ou uma invenção de Alegria - ainda inédita. É co-autora do livro Brasileiras - guerreiras da Paz, publicado pela Editora Contexto.
Atualmente, escreve um conjunto de contos para um novo livro.
A boa notícia é o lançamento, em 21 de novembro de 2006, do livro 64, editado pela Brasiliense. Ao lado da escritora, convive a facilitadora de oficinas de redação. Fernanda vem trabalhado com jovens de periferia, grupo de mulheres e empresas como Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo e CETESB. Ajudando todo mundo a escrever."


1) Fernanda, a partir de que idéia e quando teve a motivação para escrever "64"?

Em 1964, a polícia entrou na minha casa e prendeu meu pai. Eu tinha oito anos. Durante os anos seguintes, a ditadura foi presença nefasta para toda a família. Sempre quis contar histórias ligadas aos vinte anos de autoritarismo. Um dia, sentei e escrevi as 64 histórias de uma vez só. Na verdade, escrevi uma história por dia.

2)Pessoalmente, o que os Anos de Chumbo representaram para sua vida, sua infância ou adolescência,seu perfil de mulher, hoje?Gostaria de falar um pouco de seu pai e de sua família?

Os Anos de Chumbo foram, para minha família, anos de medo, frustação e falta de oportunidades. Meu pai, em 1964, foi sumariamente demitido do Banco do Brasil. Ele e minha mãe deram o maior duro para criar os cinco filhos. Meu pai só voltou ao Banco por ocasião da Anistia. Hoje, ele e minha mãe seguem ativos e são petistas de estrelinha.

3)Seus personagens são interiamente ficcionais ou estão mesclados com pessoas reais?

As personagens são ficcionais sim. Algumas "simbolizam" pessoas reais; outras são filhas da imaginação pura. Agora, o ambiente, o cenário onde estas personagens atuam é histórico. Na minha maneira de ver, uma mescla interessante entre realidade e ficção.


4)Vc sempre escreveu?Quando começou?

Eu sempre escrevi. Quando jovem estudei Cinema na ECA/USP e, sempre, estava às voltas com a redação de roteiros. Depois, me tornei roteirsita de vídeo e televisão. Em 1990, escrevi vários episódios para a série Mundo da Lua - TV Cultura , SP. Por muitos anos, fui professora de roteiro no SENAC. Também me especializei na redação e edição de publicações voltadas para os temas gênero e raça; leia-se mulheres e negros. Digitando "Fernanda Pompeu" no Google é possível ler alguns textos dentro destas áreas. Agora, o sonho mesmo é vir a escrever exclusivamente literatura (sonho de muitas escritoras, não?). Por enquanto, é sonho. Mas quem sabe um dia...


5)A partir de sua vivência familiar e pessoal ,você possui ligações políticas ou é neutra, apolítica, etc?

Claro que eu sou uma pessoa política. TODOS SOMOS. Quando alguém diz que não vai tomar partido, já está tomando. Agora, eu não defendo nenhum ismo. Não sou militante. Mas tenho posição política sim. Me defino como uma DEMOCRATA. Alguém que acredita na mobilização e participação cidadãs.

6)Defina os Anos de Chumbo para as pessoas, no Brasil.

Anos de Chumbo foram os anos em que o Brasil mergulhou em sucessivos governos militares. Durou mais de vinte anos. Não foram anos só de chumbo, foram de tesoura (censura), foram de "cala a boca". Décadas de autoritarismo. A ditadura não fez somente mal aos militantes de esquerda, ela fez mal para o país inteiro.

7)Qual a real a intenção ao escrever 64:sensibilizar, informar,catarse ou apenas fazer literatura?

Fazer litaratura já é mais do que suficiente!

Um grande abraço.Essa entrevista será também enviada para Everi Carrara, do Jornal Telescópio e para o Abrace, além de outros jornais e sites ao quais pertenço.Somos ambos do Movimento Cultural Abrace, Brasil/Uruguai.Vc também poderá usá-la, após nossa publicação,com os devidos créditos , de todos nós, como é usual.
Boa sorte !
Clevane





16/11/2006 10h44
64:Release de livro de contos sobre os Anos de Chumbo,por Fernanda Pompeu
Imagem:a autora,foto enviada pela própria.Não veio com os créditos do fotógrafo.


Fernanda Pompeu-cuja capa de livro publiquei aqui no blog, envia-me o release sobre o mesmo e dados de contato




"IVRO DE CONTOS, LANÇADO PELA BRASILIENSE, RECORDA OS TEMPOS DA DITADURA NA VOZ DE VÁRIOS PERSONAGENS FICCIONAIS




O ano de 1964 interferiu na vida de todos os brasileiros e deixou marcas e lembranças. 64, da Editora Brasiliense, reúne contos da escritora Fernanda Pompeu, uma das crianças que tiveram a infância interrompida pelo medo durante os tempos da ditadura.


Todos têm uma história para contar sobre os anos de chumbo. Fernanda Pompeu tem 64. A ditadura é o que entrelaça os 64 contos da autora, criança naquela época, que conta, agora, um pouco do que viu, viveu ou criou sobre esse tempo. O livro da Brasiliense, chega às livrarias em novembro.

Não se trata de um relato sobre a ditadura com depoimentos dos que viveram esses anos conturbados. Apesar de ser uma obra de ficção com personagens inventadas, é autobiográfico, já que Fernanda era garota quando viu sua casa ser invadida por policiais do exército que levaram seu pai. A menina acompanhou a luta da mãe para encontrar o presídio onde ele estava preso e depois a luta dos dois para viver com o pouco que conseguiam com os empregos temporários, os únicos possíveis, até a Anistia, em 1979.

É essa atmosfera de medo, apreensão, angústia, pequenas alegrias e esperança que marca a obra de Fernanda Pompeu, publicada com tiragem reduzida pela primeira vez em 2004 e agora lançada pela Editora Brasiliense para o grande público. Para essa edição, a autora incluiu uma curva do tempo ajudando o leitor menos familiarizado com a época a entender os fatos que marcaram essa fase da história do Brasil.

Nos contos, várias passagens marcantes: o ano de 1964 com o golpe militar; a promulgação da Lei de Imprensa; a decretação do AI-5, em1968; o assassinato de Marighella no ano seguinte; a prisão, em 1971, e o desaparecimento de Rubens Paiva; a bárbara invasão à PUC em 1977; a promulgação da Anistia em 1979; as Diretas Já em 1984; a Constituição Federal de 1988; a descoberta de 1049 ossadas de vítimas do esquadrão da morte e de desaparecidos políticos no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo, em 1990. Os fatos chegam até 1995, ano marcado pelo nascimento da internet comercial no Brasil. Além dessas informações históricas, no final do livro a autora preparou uma espécie de glossário crítico sobre a época.

64 histórias
“Durante anos, a ditadura militar foi um peso sobre mim e minha família e, de alguma forma, precisava tirar isso de mim”, diz Fernanda Pompeu. Ela conta que a idéia do livro surgiu 38 anos depois do Golpe, durante uma viagem de trem pela Itália. “Olhando as estações, pensando nas guerras e no que as pessoas tinham para contar, tive a sensação de que era hora de contar a minha versão e resolver essa questão do meu passado”.

Escreve, então, histórias curtas, sensíveis e vivas. Os personagens são diversos e se encontram em contos diferentes. Fernanda dá voz a Vitória, Nikita, Isadora, Pedro Paulo, Flora, Nélia e muitos outros para a relembrar esses momentos. Relembrar, nem sempre. Grande parte dos contos se passa no tempo presente do leitor e as marcas da ditadura aparecem sutilmente no perfil ou no comportamento de determinado personagem, como por exemplo no caso de Pedro Paulo, filho de algum coronel daquela época.

Vitória é a editora de revista que quando criança viu a mãe queimando os livros do pai, perseguido pela polícia. Quando ele enfim volta para casa, a menina se impressiona: “Nossa, ele chora”. Pouco envolvida com política, Isadora estava no grupo que fotografou um cemitério clandestino de desaparecidos políticos e depois disso passou a ser convidada a participar de eventos pelos direitos humanos. Só foi se engajar de verdade quando se apaixonou por Nikita, que com o seqüestro e desaparecimento do pai, perdeu a infância, a casa e o mar do Rio de Janeiro. Isadora trabalhava com Orlando, 12 anos mais velho, apaixonado por Vitória, e que lia Maiakovski quando foi decretado o AI-5.

Flora é tida pela família como desaparecida política. Aproveitou o momento e se mudou para Milão para trabalhar como prostituta. Adélia é desaparecida de fato. A mãe ainda lembra do último dia em que viu a filha, com uma pontada no coração. A frase dita pela menina, antes de desaparecer atrás da porta e da vida: “Um dia, mãe, não haverá injustiça nesse país”. Disso a mulher ainda duvida, mas segue buscando os ossos da filha morta.

Nelia não conheceu o pai, morto antes dela nascer. Determinada em realizar seu sonho, virou modelo, virou Jéssica e deixou a vida para trás.

“Quando falamos em perseguidos pela ditadura não podemos pensar apenas nos indivíduos. Para cada preso sofriam pais, filhos, irmãos, companheiros e companheiras”, diz a autora. 64 é contado pela voz desses e de tantos outros personagens. São as cicatrizes, as lembranças e as heranças deles que fazem essa ficção criada por Fernanda se avivar na memória dos que têm alguma coisa para contar dos anos de chumbo e dos que querem conhecer mais esse período.

Sobre a autora
A escritora Fernanda Pompeu nasceu no Rio de Janeiro, mas mora em São Paulo há mais de 30 anos. É roteirista, redatora e editora. Escreveu para a TV Cultura alguns episódios da série Mundo da Lua. Já publicou contos, crônicas, artigos para diversos jornais e revistas. Atualmente, trabalha em um outro livro de contos."

SERVIÇO:

Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814.4600 ou pelo e-mail mariafernanda@lufernandes.com.br

Leia mais,sobre o lançamento e ainda o release do livro, enviado pela autora,em outras páginas deste blog.Inclusive o belo sorriso fotografado da autora in blue.

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Se você tem interesse nos Anos de Chumbo, leia em e-book,a parte de meu livro(ainda inédito em papel:preciso de editora e ainda não a busquei), que o webmaster Lourivaldo Perez Baçan fez para mim:

NAS VELAS DO TEMPO(*)

REMINISCêNCIA DE UMA TREPÓRTER NOS ANOS DE CHUMBO

http://www.recantodasletras.com.br/escrivaninha/ebooks/index.php

(*) O título é uma homenagem a Leni Tristão, compositora de Juiz de Fora, versos de uma de suas canções.

Está ainda nas bibliotecas virtuais do CEN, no site Sokarinhos, e hospeda-se em outras Hps e sites.
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
psicóloga e escritora.


Publicado por clevane pessoa de araújo em 16/11/2006 às 10h44

http://www.clevanepessoa.net/blog.php

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Página atualizada em 17.11.06 16:06


Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 18/11/2006 às 18h13

Um comentário:

Murilo disse...

Oi Fernanda eu gostaria de agradecer pela paletra que a senhora deu na escola Brigadeiro Faria Lima.

E gostaria de convida-la pra ir mais vezes.
Muito Obrigado pela atenção